São Paulo, 30 de Março de 2017

/ Finanças

Quanto a nova alíquota vai pesar no seu bolso
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O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) pode não ser tão significativo isoladamente, mas faz diferença quando somado aos juros altos

Antes de tomar crédito na conta pessoa física, é aconselhável parar e pensar se essa decisão é realmente necessária. Isto porque o custo dos empréstimos, que já estava subindo por causa do aumento dos juros, agora também tem maior incidência de imposto.

Dentro do pacote de medidas do governo para aumentar a arrecadação e organizar as contas públicas, o IOF sobre o crédito para pessoas físicas passou de 1,5% ao ano para 3% ao ano. 

Ele é cobrado em operações de crédito diversas, desde o financiamento de bens como uma geladeira ou automóvel, um empréstimo pessoal, quando se utiliza o cheque especial e o parcelamento da fatura do cartão de crédito por meio do rotativo (pagamento mínimo). 

Além disso, em cada operação de crédito para pessoa física, é aplicada a alíquota de 0,38% desse imposto.

André Massaro, consultor e educador financeiro, explica que esse aumento reforça a importância de ter critério na hora de contratar empréstimos. “Mais do que comparar, deve-se avaliar se o crédito é realmente necessário. Quem não tem saída e precisa encarar o IOF precisa comparar as taxas de juros de cada banco”, afirma.

O consultor lembra, ainda, que neste cenário é fundamental evitar as linhas de alto custo e geralmente usadas sem planejamento, como o limite do cheque especial e o pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito. 

“Quem ficar endividado nessas linhas sentirá mais o impacto do aumento do imposto. E é bom lembrar que quem paga a fatura integral do cartão de crédito não precisa arcar com o IOF”, diz. 

Em simulação realizada por José Dutra Vieira Sobrinho, professor de matemática financeira do Insper e da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), a mudança da alíquota de IOF aumenta, em média, 1,2% o custo total dos empréstimos.

 

 

Na simulação de um financiamento de automóvel de R$ 30 mil, em 36 parcelas e a uma taxa de 2% ao mês, o valor total a ser pago pelo consumidor seria 1,37% maior com a nova alíquota de IOF. 

Tomando como exemplo o empréstimo pessoal de R$ 4 mil, com pagamento em 18 prestações e taxa de 4% ao mês, o valor total a ser pago no fim do período é 1,16% superior com a mudança no imposto.

Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), o IOF, isoladamente, não representa o maior custo para o crédito.

“Dependendo do caso, pode ser de alguns reais a mais. Mas é preciso lembrar que, junto com o imposto, os juros estão mais altos e a renda está encolhendo por causa da inflação”, afirma. 

Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), diz que a alíquota do IOF de 3% ao ano representa uma diferença pequena e que o tomador deve ficar atento aos juros e ao prazo dos financiamentos. 

“Ao subir o IOF, o governo arrecada mais no processo de ajuste. Isso pode fazer com que o Banco Central tenha menor ímpeto para subir a taxa de juros”, afirma. 

No processo de desonerações, promovido no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a alíquota de IOF havia sido reduzida de 2,5% ao ano para 1,5% ao ano em 2012. 

Segundo Alfieri, a elevação da alíquota em 3% era esperada no processo de fim das desonerações, que vem junto com o retorno de outros impostos, como por exemplo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos no começo deste mês.

 



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