São Paulo, 26 de Setembro de 2016

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Poupança e CDI perderam da inflação em fevereiro
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Cálculo da rentabilidade real (descontada a inflação) mostra que a renda fixa não protegeu o dinheiro dos aplicadores da alta dos preços neste início de ano

A trajetória de alta da taxa básica de juros tornou a renda fixa atrativa para os investidores, mas o problema é que a inflação alta está reduzindo esses ganhos. 

Quando se observa a rentabilidade real (descontada a inflação) de diversas aplicações financeiras, houve queda nos ganhos oferecidos pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos e que é referência para o retorno na renda fixa) no mês passado. Já a caderneta de poupança perdeu da inflação pelo terceiro mês seguido. 

Em fevereiro, as aplicações de maior risco – como bolsa, moedas estrangeiras e ouro – ofereceram o ganho real, aquele que sobra após descontar a inflação oficial do mês medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Em fevereiro, esse índice acelerou 1,22%. No ano, já acumulou 2,48% e estoura o teto da meta do governo de 6,50% em 12 meses, ao atingir 7,70%. 

A comparação, feita pela consultoria Economatica, mostra que as aplicações que pagam o CDI perderam da inflação. O retorno nominal do CDI foi de 0,82%. Ao descontar a inflação do mês de 1,22%, a queda real foi de 0,40%. 

LEIA MAIS: Você sabe se o retorno de suas aplicações bate a inflação?

No ano, o retorno real do CDI também não foi melhor e caiu 0,70%. Apenas em 12 meses, a taxa ofereceu rentabilidade de 3,02% acima da inflação. 

Foi pior para quem deixou as reservas na caderneta de poupança. Com rentabilidade de 0,59% em fevereiro, a aplicação mais popular do Brasil ofereceu perda real de 0,62% ao descontar a inflação de 1,22%. No ano, o prejuízo foi de 1,26% e em 12 meses, a queda foi de 0,57%. 

Os ativos de maior risco – que valorizam e se desvalorizam muito rapidamente – ofereceram proteção contra a inflação. 

Com a reviravolta do mercado em fevereiro, o Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) conseguiu devolver ao investidor ganho real de 8,64%. Mas em dois meses, o rendimento foi de apenas 0,66% acima da inflação. Em 12 meses, de 1,70%. 

O melhor ambiente na bolsa em fevereiro – que em março ainda está sujeita aos solavancos do mercado – ajudou os fundos de ações, segundo boletim divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

A maior rentabilidade nominal de todos os fundos acompanhados pela entidade no mês foi o da categoria ações FMP-FGTS, com alta de 15,21%. O retorno real no mês foi de 13,82%.  

Em seguida, o fundo de ações setoriais Livre, que aproveitou a subida de papéis da Petrobras e teve retorno de 9,72% no mês, com ganho real de 8,40%. 

Já a categoria de ações Sustentabilidade/Governança apresentou ganhos de 8,36% e, descontada a inflação, de 7,05%. O fundo de ações IBRx Ativo rendeu nominalmente 8,27% e ofereceu ganho real de 6,97%. 

É importante lembrar que o retorno em renda variável está sujeito a altas e baixas rápidas e bruscas - a volatilidade - que pode aumentar ou reduzir os ganhos ao longo do período.

No acumulado do ano, ou no bimestre, as aplicações que devolveram retorno real foram os fundos multimercados do tipo Macro (2,13%), multiestratégia (1,33%), estratégia específica (0,19%), trading (0,13%) e o de renda fixa índices (0,29%). Nas demais, houve perda real de rentabilidade.

Em fevereiro e no bimestre, os fundos multimercados tiveram o maior resgate líquido, com saída de R$ 3,8 bilhões e R$ 11,5 bilhões, respectivamente.

MOEDAS: ALTAS E BAIXAS

Os ativos que também ofereceram ganho real no mês passado foram o dólar e o euro.

Levantamento da Economatica mostra que, ao excluir a inflação, a rentabilidade de aplicações que acompanham o dólar foi de 6,81% no mês passado.

No ano, a moeda manteve-se forte sobre a inflação, ao devolver ganho real de 5,74%. Em 12 meses, o dólar valorizou-se 14,53% acima do IPCA. 

Já o euro ganhou em 5,95% da alta dos preços em fevereiro, mas no ano teve queda real de 2,40%. Em 12 meses, a moeda européia caiu 7,02% em termos reais, mais do que a caderneta de poupança. 

O ouro, procurado por investidores em tempos de incertezas na economia, subiu 0,79% acima da inflação em fevereiro. No bimestre, conseguiu oferecer ganho real de 7,02% e em 12 meses, de 4,61%. 

 

 



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