São Paulo, 28 de Setembro de 2016

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Os executivos de finanças brasileiros são os mais pessimistas, diz pesquisa
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A avaliação anual iniciada em 2012 cobre os cinco continentes. O Brasil tem pior nota, e a Ásia, a melhor

O clichê de que o brasileiro é um otimista por natureza passa longe dos resultados de uma pesquisa que mede esse sentimento em CFOs (Chief Financial Officer), os diretores financeiros responsáveis pelas decisões desta área em grandes empresas. 

O grau de otimismo de uma parcela significativa desses profissionais ficou em 40,6 pontos, segundo a pesquisa trimestral Panorama Global dos Negócios (CFO Survey – Global Business Outlook), conduzida pela Duke University, Fundação Getúlio Vargas, CFO Magazine e com apoio da BM&FBovespa e IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). 

O questionário pede para que os participantes escolham uma nota de zero a 100 para medir o grau de otimismo. O resultado mostra que o otimismo do executivo brasileiro está caindo há oito trimestres e, nestes primeiros três meses de 2015, foi o menor do mundo desde que a pesquisa começou a ser realizada, em junho de 2012. 

O levantamento ouviu 1059 CFOs de diversos continentes, dos quais 100 da América Latina e 46 do Brasil. 

O grau de otimismo dos executivos brasileiros já foi melhor. Atingia 63,5 pontos em março de 2013, um dos mais altos do mundo. No ano passado, quando a crise começou a se materializar na economia brasileira, esse índice ainda permaneceu acima de 50 pontos. 

Para se ter uma ideia: o nível de otimismo dos executivos financeiros dos Estados Unidos foi de 64,7, da Europa (57,9), Ásia (66,5), Chile (48), Peru (59,7) e México (51,5). 

"O pessimismo no Brasil só não é pior do que o da Venezuela. Mas, se considerarmos os grandes países, temos o menor nível de confiança", diz Antônio Gledson de Carvalho, professor de finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas). 

Ele compara, por exemplo, o índice de otimismo da Europa no período da crise econômica do continente, em 2012, que ainda estava em torno de 50 pontos. "Nem naquela época o índice esteve tão baixo", afirma. Ao mesmo tempo que há um quadro de crise no Brasil, há um cenário de recuperação em países europeus, que passaram por dificuldades, e dos Estados Unidos.

Quando os CFOs são instados a avaliar diversos pontos, da economia ao que projetaram para a empresa, há um pessimismo generalizado. Carvalho diz que o índice de confiança antecipa uma tendência futura. "Perguntamos ao CFO o que vai acontecer com a empresa. Ele é responsável por planejar a contratação de mais funcionários, a provisão de salários, a compra de insumos e o contas a receber, que vem das vendas. Por isso, o indicador acaba antecipando os movimentos da economia, do ponto de vista de crescimento e de emprego", diz o professor. 

Segundo ele, o lado ruim do pessimismo é que ele realmente pode puxar o PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) para baixo. "Pode cair até mais do que a pesquisa Focus [do Banco Central] prevê [-1%]", afirma. 

O indicador mostra que os diretores financeiros estão preocupados com o cenário macroeconômico, ou seja, com a eficácia das políticas governamentais, a inflação alta, e as incertezas na taxa de câmbio. 

Segundo o estudo, nas pesquisas anteriores era mais comum que os CFOs demonstrassem mais preocupação com outros assuntos, como com taxas de impostos, demanda de consumidores, pressão de competidores e as condições de crédito. 

Carvalho diz que os executivos estão acompanhando atentamente a evolução das medidas do governo brasileiro, que atualmente busca iniciar um ajuste fiscal das contas públicas, para verificar se elas vão amenizar ou piorar o cenário atual.  

CORTE DE CUSTOS, CORTE DE EMPREGOS

Outro dado preocupante é que, pela primeira vez, a pesquisa captou uma projeção de queda permanente para a taxa de expansão de empregos. Os CFOs projetaram uma queda de 0,8% no emprego neste trimestre.

Desde março do ano passado os executivos mostravam uma expectativa de redução de empregos temporários. Neste trimestre, no entanto, todas as projeções de emprego, de permanentes e temporários, apontam para a redução nos próximos 12 meses.  

Carvalho diz que o cenário econômico acaba sendo contaminado pelo político e isso tem atrapalhado os investimentos. "As empresas, nesse período, estão centrando esforços em prevenção. Elas vão se ajustar para poder sobreviver à crise, com corte de custos e de pessoal", afirma. 

O professor estima que deve levar mais tempo para que esse pessimismo diminua nas empresas. "Será preciso esperar o desemprego aparecer, o ajuste nos preços terminar e o relatório Focus parar de piorar as projeções, o que tem ocorrido a cada semana", conclui. 



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