São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Finanças

O que esperar dos preços de imóveis em 2015
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A estabilidade chegou em 2014, depois de anos consecutivos de aumentos acima da inflação. Recuperação do mercado virá somente após os ajustes na economia

Parecia que a escalada no valor do imóveis seria infinita. Mas depois de subir bem acima da inflação nos últimos anos, os preços desaceleraram em 2014, quando o ritmo de alta passou a acompanhar mais de perto a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira.

A perspectiva de especialistas do mercado imobiliário é de estabilidade no comportamento dos preços dos imóveis neste ano. Afinal, será um ciclo de aperto nos gastos do governo, de juros altos para segurar a inflação resistente, crédito restrito e um mercado de trabalho mais morno.

Por isso, em 2015 não se espera uma reversão forte nos preços em relação à inflação. Mas também não há no horizonte a perspectiva de uma queda acentuada. Tudo vai depender da condução das reformas aguardadas na economia, que devem trazer de volta o crescimento em 2016 e, no mais tardar, 2017.

“Não me surpreenderia com um ritmo de aumento abaixo da inflação este ano, mas ficaria surpreso com uma queda de preços”, diz Bruno Oliva, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O Índice FipeZap, que é uma média de imóveis residenciais anunciados em 20 cidades brasileiras, mostra que em 2014 o preço subiu 6,70%. 

O percentual ficou um pouco acima de 6,39%, que é a inflação estimada pela pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central com analistas do mercado financeiro. Um ganho real (descontada a inflação) no ano de 0,31%, praticamente estável em relação ao índice de preços.

 

 

Oliva diz que o resultado de 2014 foi influenciado por um mercado de trabalho pouco pujante. “Em 2015 esse fator continuará pressionando os preços dos imóveis e tudo vai depender da condução dos ajustes na economia. Há incerteza sobre o emprego e quando uma pessoa vê o colega sendo demitido e menos pessoas sendo contratadas na empresa em que trabalha pensa duas vezes antes de comprar um imóvel”, afirma Oliva. 

Para Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), a variação nos preços dos imóveis deve fechar em queda em 2014, apesar de a entidade ainda não ter os números finais. “E terá sido reflexo direto do desempenho da economia brasileira. Para 2015, temos algumas vantagens e desvantagens”, afirma.

Ele lista como positivo neste ano o calendário, que está livre de eventos como a Copa do Mundo e a eleição, que colaboraram para o desempenho ruim do mercado. Por outro lado, a economia terá de experimentar um “remédio amargo”, o que comprometerá o crescimento. “Mas se as medidas na economia forem adequadas, e na intensidade correta, podem provocar um efeito positivo para consumidores e investidores”, diz Bernardes.

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Na média, ele avalia que há uma tendência de estabilidade para os preços em 2015, ou seja, sem aumentos excessivos. 
Por um lado, o baixo crescimento da economia limitou a capacidade de pagamento do consumidor, que é um dos fatores que determinam a formação dos preços dos imóveis. 

Depois, houve um desequilíbrio entre oferta e demanda, já que há um excesso de estoque de imóveis novos à venda, que passou de uma média de 17 mil unidades para 25 mil, o que também influenciou diretamente o valor de lançamentos.

“No entanto, não vejo uma queda forte porque o custo de construção aumentou com o novo Plano Diretor, e as construtoras têm agora a obrigação de aplicar até 5% do custo do empreendimento para a execução de obras viárias”, afirma Bernardes. 

PATAMAR DE PREÇO AINDA É ALTO
O crescimento médio de 6,70% no preço do metro quadrado de imóveis prontos, apurado pelo Índice FipeZap, passa ao largo dos anos anteriores, quando a alta chegou a ser de dois dígitos. Para se ter uma ideia, em 2013, o índice teve uma variação de 13,74%. “Em meados de 2011, o preço do metro quadrado de imóveis prontos no Rio de Janeiro chegou a oscilar 45%”, lembra Oliva, da Fipe.

O fato é que o valor médio do metro quadrado em algumas capitais permaneceu alto em relação à média nacional das 20 cidades pesquisadas pelo FipeZap, que é de R$ 7.537. Em São Paulo, por exemplo, o valor médio do metro quadrado foi de R$ 8.351 em 2014, menor apenas do que o do Rio de Janeiro (R$ 10.983). 

A pesquisa mostra que em São Paulo o aumento médio do preço do metro quadrado do imóvel pronto foi de 7,33% no ano passado, acima da média nacional e do IPCA esperado. Os bairros nos quais o metro quadrado de imóveis prontos residenciais atingiu o maior valor foram Vila Nova Conceição (R$ 14.580), Jardim Europa (R$ 14.300), Jardim Paulistano (R$ 12.946), Itaim (R$ 12.205) e Ibirapuera (R$ 12.115). 

Quando se trata de lançamentos residenciais no município de São Paulo, o preço médio do metro quadrado por área útil subiu 6,08% de 2013 a outubro de 2014, segundo dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio). 

 

 

Mauro Peixoto, consultor da Embraesp, avalia que o mercado passa mesmo por um achatamento de preços, com possível tendência de decréscimo do valor real, em outras palavras, com crescimento abaixo da inflação. Ele avalia, ainda, que o cenário não é favorável nos próximos 24 meses por causa dos ajustes que devem ser feitos na economia.

“Vejo uma acomodação nos preços depois de um período de euforia. O crescimento do mercado, agora, será em velocidade de cruzeiro. As empresas do setor terão de racionalizar os custos para voltar a ter um momento de lucratividade daqui a três anos”, conclui.

 



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