Finanças

O que acontece com o rendimento da sua caderneta de poupança com a queda da Selic?


Com a diminuição dos juros básicos para 8,25% ao ano, a poupança passará a render 5,78% ao ano. Mas isso não significa que outras aplicações na renda fixa sejam melhores


  Por Agência Brasil 06 de Setembro de 2017 às 18:14

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A oitava redução seguida nos juros básicos da economia terá impacto sobre o bolso de quem investe as economias na mais tradicional aplicação financeira do país.

A queda da taxa Selic para 8,25% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (06/09) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mudou o cálculo do rendimento da poupança, que diminuirá.

Mesmo assim, a caderneta continuará rendendo mais que a inflação e a maioria dos fundos de investimento.

Pela regra em vigor desde maio de 2012, quando a Selic fica igual ou acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 6,27% ao ano (0,5% ao mês) mais a Taxa Referencial (TR), tipo de juro variável.

Abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta rende 70% da taxa Selic.

Com a diminuição dos juros básicos para 8,25% ao ano, a poupança passará a render 5,78% ao ano.

Mesmo com o rendimento menor, o investidor não perderá dinheiro porque a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 2,46% nos 12 meses terminados em agosto, no menor nível nessa comparação desde fevereiro de 1999.

Não necessariamente todo o saldo da poupança passará a ser corrigido pelo novo cálculo.

Os depósitos feitos até 3 de maio de 2012, data em que foi publicada a medida provisória que alterou os rendimentos da poupança, continuarão a render 6,27% ao ano mais a TR, independentemente da taxa Selic em vigor.

O correntista pode verificar, nos extratos bancários, a parcela depositada em cada um dos períodos.

COMPARE A RENTABILIDADE

Na ponta do lápis, o desempenho da poupança trará resultados inferiores aos verificados atualmente. Mas isso não significa que as demais aplicações de renda fixa, como o Tesouro Direto, CDBs e similares tornem-se mais atraentes.

Segundo os especialistas, antes de tomar uma decisão, o investidor precisa comparar a rentabilidade no final da operação.

Essa é opinião, por exemplo, do professor Joelson Sampaio, da Fecap. "A taxa de administração é que vai determinar se o investimento vai ficar ruim ou não", diz.

Sampaio explica que, com a incidência de Imposto de Renda e a taxa de administração, o investidor pode receber menos em produtos de renda fixa do que se deixasse na poupança, mesmo ela rendendo 70% da Selic mais a TR.

Ele diz que em um cenário de juros de 8,5%, apenas os fundos de renda fixa com taxas administrativas de 0,5% ganham da poupança.

Diante dessa realidade ruim para quem está nos fundos, o gatilho tende a baixar as taxas de administração desses investimentos, acredita Angela Nunes, planejadora financeira pela Planejar.

No caso do Certificado de Depósito Bancário (CDB), o professor de finanças da Saint Paul Escola de Negócios, Alan Ghani, aconselha olhar para os prazos para saber se a incidência de Imposto de Renda não irá comprometer muito da rentabilidade.

Ele explica que, para um prazo de seis meses, a poupança ganha do CDB que paga até 90% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), balizado pela Selic.

Para quem vai investir durante um prazo entre um e dois anos, o ideal é recorrer ao CDB que pague mais de 85% do CDI.

Já para o investidor que pretende deixar o dinheiro rendendo mais de dois anos, vale a pena um CDB com retorno acima de 83% do CDI. Caso contrário, melhor deixar na poupança.

A planejadora financeira Letícia Camargo lembra que as vantagens da poupança "antiga" também dependem das movimentações da Selic.

"Hoje ela possui bons rendimentos, mas quando a taxa básica de juros estava em 14%, por exemplo, a pessoa que tinha esse tipo de investimento perdeu dinheiro", explica.

Segundo ela, é preciso avaliar quanto foi perdido e quais os ganhos atuais para saber se o poupador está em uma situação realmente vantajosa a partir de agora.

Por mais que a caderneta possa ser mais atrativa em muitos casos, Angela Nunes alerta que não adianta sacar o dinheiro fora do aniversário da poupança, senão perde a rentabilidade.

Ou seja, se fizer uma aplicação dia 5 de abril e outra dia 15 de abril, a primeira terá rendimento no próximo dia 5 enquanto a segunda no próximo dia 15.

Aplicações menores que 30 dias, também não recebem nenhum retorno. Angela pondera que a poupança é um bom instrumento para aprender a poupar, principalmente pela facilidade. "Algum esforço é melhor do que esforço nenhum", diz.

Joelson Sampaio, da Fecap, lembra que o dinheiro também não pode ser esquecido na poupança. Caso os juros voltem a subir, elas se torna um mau investimento se comparado aos fundos de renda fixa.

Isso ocorre porque se a Selic estiver alta, os retornos nesses investimentos serão maiores, enquanto que a poupança volta a pagar na modalidade anterior, ou seja, 0,5% por mês mais a TR.

EQUILÍBRIO NOS INVESTIMENTOS

 

Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, em 2012, o governo precisou mudar o cálculo do rendimento da poupança para evitar um desequilíbrio no mercado financeiro.

Caso a poupança continuasse a render pela regra antiga, ninguém aplicaria nos fundos de investimento quando a Selic caísse abaixo de 8,5% ao ano.

Segundo Oliveira, como os fundos são um dos principais compradores de títulos públicos federais, o governo correria o risco de não conseguir vender os papéis no mercado e não conseguir dinheiro para rolar (renovar) a dívida pública.

De acordo com o diretor da Anefac, a baixa inflação e o fato de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxa de administração farão a poupança continuar atrativa.

Pelas simulações da entidade, mesmo com a mudança nas regras, a caderneta continuará a render mais que os fundos em quase todos os casos.

“Apenas nos casos em que a taxa de administração for inferior a 1%, os fundos serão mais atrativos”, calcula o diretor-executivo da Anefac.

De acordo com ele, as simulações mais recentes mostram que a poupança leva vantagem em todos os prazos de aplicação. Além da taxa de administração, os fundos cobram Imposto de Renda de 15% a 22,5% dependendo do prazo de aplicação.

FOTO: Thinkstock

Com informações de Estadão Conteúdo

Atualizado às 19h