São Paulo, 25 de Fevereiro de 2017

/ Finanças

Menos na poupança e mais nos fundos
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Enquanto aumenta a saída de recursos da caderneta, a captação líquida de fundos de investimentos melhora em maio

Desde janeiro passado, a captação líquida da poupança (diferença entre depósitos e retiradas) está negativa. Em maio não foi diferente. Segundo o Banco Central, os saques foram maiores do que as aplicações em R$ 3,2 bilhões no mês passado.

Com isso, nos primeiros cinco meses deste ano, as retiradas foram maiores em R$ 32,2 bilhões. Por outro lado, o mês passado foi de recuperação dos fundos de investimentos - principalmente os conservadores e de renda fixa. 

O que explica a fuga de recursos da poupança, na avaliação de Miguel de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade) é a maior atratividade de fundos de investimentos junto a um cenário no qual a renda das famílias está mais curta e, assim, falta sobra para poupar no fim do mês ou é preciso resgatar da poupança para honrar compromissos. 

De fato, com a taxa básica de juros a 13,75% ao ano e a volatilidade no mercado financeiro, o investidor voltou a olhar para outras alternativas na renda fixa que não só a poupança. A leitura é que ele adotou estratégias mais conservadoras em maio, segundo dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 

De acordo com a entidade, os fundos de investimentos voltaram a registrar captação líquida (a entrada de recursos descontada dos resgates) no mês passado em R$ 9,5 bilhões. No acumulado do ano, esse volume foi de R$ 22,2 bilhões. Desta forma, neste ano, os resgates só foram maiores do que as aplicações no mês de março. 

O resultado de maio deve ajudar o setor a superar os números mais fracos do ano passado. Nos primeiros cinco meses de 2014 a captação líquida dos fundos de investimentso foi de R$ 8,6 bilhões e, em 2014, de apenas R$ 2,2 bilhões. 

De acordo com a Anbima, a entrada de recursos se concentrou nos fundos Referenciados DI, que receberam R$ 16,2 bilhões nos primeiros cinco meses deste ano. Os fundos de Curto Prazo tiveram aplicações de R$ 13,5 bilhões no mesmo período e o fundo de Previdência, de R$ 14,5 bilhões. 

A média mensal de captação líquida dos fundos de Previdência neste ano foi de R$ 2,9 bilhões e já equivale à de 2012, ano de destaque na série histórica. Hoje, 96,1% desses fundos têm aplicações em renda fixa e 18% têm parcela das carteiras direcionadas a títulos privados. 

“Em momentos de incertezas macroeconômicas, os investidores se apegam a produtos que oferecem menos risco, liquidez e um retorno indexado a taxa de juros. A perspectiva para os fundos, no entanto, é positiva, com aumento da captação para o segundo semestre”, afirma Carlos Massaru, vice-presidente da ANBIMA.
 
Diante da maior volatilidade no mercado, as carteiras desses fundos vêm sendo direcionadas à aquisição de títulos públicos e operações compromissadas com esses títulos, o que reforça o caráter conservador das aplicações. 

RENTABILIDADES

Na renda fixa, porém, o fundo que obteve a maior rentabilidade bruta no mês passado, de 1,65%, foi o do tipo Índices (que tem na carteira os índices IMA, com carteiras atreladas a títulos de inflação). No ano, essa categoria já acumula ganhos de 6,81%. 

O fundo de renda fixa teve retorno bruto de 1,12% em maio e de 5,55% no acumulado do ano. O fundo Referenciado DI ofereceu rendimento bruto de 1% no mês e de 4,88% nos cinco primeiros meses deste ano. 

Segundo Oliveira, da Anefac, o rendimento já supera o ganho líquido de 0,62% da caderneta de poupança em maio. 

Os destaques, em outras categorias, foram para os fundos Multimercado Macro e Multiestratégia, com altas de 2,52% e 2,47%, respectivamente. 

Os ganhos destes fundos foram puxados, principalmente, pelo câmbio elevado, pois parte de seus investimentos são atrelados a moeda estrangeira e outros ativos do exterior. 

Todos os fundos de ações tiveram resultados negativos no mês passado, seguindo a queda de 6,17% e de 5,47% dos índices da bolsa - o Ibovespa e o IBrx, respectivamente. 

 



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