São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

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Juro do BNDES para investimento de longo prazo vai a 6% ao ano
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Aplicada em financiamentos pelo BNDES, Taxa de Juros de Longo Prazo passou de 5,50% para 6% ao ano. Medida faz parte do ajuste para arrumar as contas públicas

Com o objetivo de reforçar o ajuste fiscal para arrumar as contas públicas, o Conselho Monetário Nacional (CMN), do Banco Central, elevou a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para 6% ao ano nesta quinta (26/3).

A nova taxa será aplicada aos financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no período de 1º de abril a 30 de junho. 

Subsidiada pelo governo, a TJLP subiu 0,50 ponto percentual em relação à taxa em vigor até agora, de 5,50% ao ano. Com esta elevação, já subiu 1 ponto percentual neste ano, depois de ficar estacionada em 5% ao ano desde janeiro de 2013. 

O novo patamar é o mesmo verificado em abril de 2012. A alta faz parte da estratégia da nova política econômica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de aproximação da TJLP com a Selic, atualmente em 12,75% ao ano.

A TJLP é aplicada pelo BNDES em financiamentos ao setor produtivo, como o de infraestrutura e consumo. Praticamente ela representa um juro real (descontada a inflação) negativo quando a economia passa por um período com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 7,70% no acumulado de 12 meses até fevereiro.

Em outras palavras, uma forma de fomentar as atividades das empresas e consequentemente gerar empregos na economia.

João Rabelo, secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, disse após a reunião do CMN que há uma necessidade forte de reforçar o ajuste fiscal neste ano de transição. 

Isso implica, segundo ele, na necessidade de cortar subsídios."É um ano importante de ajuste para que possamos ter os próximos anos de crescimento adequado ao Brasil. Para isso, é necessário fazer ajustes na linhas subvencionadas pelo governo, pois elas geram impacto no resultado primário", diz.

Ele disse que é importante fazer isso para que o país continue sendo bem percebido pelos credores. Apesar disso, ainda não está claro o impacto fiscal, ou qual será a efetiva economia do governo, após o aumento da TJLP. 

"Isso depende da demanda que vai vir para a frente e das linhas que vão ser contratadas, tendo a TJLP como referência", diz Rabelo. 

A TJLP começou a valer em 1995, marcando 9,75% ao ano, e teve como maior pico histórico 26,01% em dezembro daquele ano.

JUROS PARA A COMPRA DE EQUIPAMENTOS TAMBÉM SOBE

O CMN aumentou os juros do programa Moderfrota de 4,5% para 7,5% ao ano. O programa do BNDES é voltado para a aquisição ou investimento em tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café. 

O percentual de 7,5% ao ano será aplicado ao financiamento de empresas com receita operacional ou renda de grupo econômico superior a R$ 90 milhões anuais.

Para as empresas com renda acima de R$ 90 milhões, o financiamento de equipamentos agrícolas subiu de 6% para 9% ao ano.

A mudança já valerá a partir de 1ºde abril. A última vez que o governo mexeu nas taxas do Moderfrota foi em julho do ano passado, no âmbito do Plano Safra 2014/2015, que destinou R$ 3,6 bilhões para o programa.

A elevação das taxas ocorre, portanto, faltando apenas quatro meses para o final do Plano Safra 2014/2015.

Rabelo disse que existe R$ 1,8 bilhão em estoque no Moderfrota para a tomada de crédito até julho. "A tendência é de que novas taxas permaneçam as mesmas no próximo Plano Safra", afirma.


*Com informações de Estadão Conteúdo



O valor, que deve ser restituído ainda este mês, compensa parte de um aporte de R$ 400 bilhões feito pelo Tesouro ao banco entre 2009 e 2014

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Em 12 meses, o resultado ficou em 6,99%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%

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