São Paulo, 25 de Julho de 2017

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Inflação reduz o retorno da maioria das aplicações
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Aplicações financeiras e ritmo de preço dos imóveis não acompanharam a alta dos preços em janeiro. No acumulado de 12 meses, só ouro, CDI e dólar ofereceram ganho real (acima da inflação) ao investidor

Além de reduzir consideravelmente o poder de compra, a inflação está devorando a rentabilidade de quem poupa e investe. 
Em janeiro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,24%, mais do que o rendimento da maioria das aplicações financeiras e do que o ritmo de aumento dos preços dos imóveis.

 Apenas quem investiu em ouro (no próprio metal físico ou em contratos negociados em bolsa) obteve retorno real (descontada a inflação). No mês passado, o ouro valorizou 7,50% e, assim, ao descontar a inflação, proporcionou um ganho real de 6,18%. 

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Segundo levantamento da consultoria Economatica, as demais aplicações financeiras perderam do índice de alta dos preços. 
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos), por exemplo, teve retorno nominal de 0,93% no mês passado. 

Se excluirmos a inflação de 1,24%, o CDI teve uma queda real de 0,31% em janeiro. A taxa é referência para o rendimento da maioria das aplicações de renda fixa.  

A caderneta de poupança rendeu nominalmente 0,59% em janeiro. Mas ao descontar a inflação, a aplicação mais popular do Brasil teve uma perda real de 0,64%. 

Esse foi o maior prejuízo da caderneta desde janeiro de 2003, quando a queda real de rentabilidade foi de 1,23%, segundo estudo da Economatica. 

Os maiores prejuízos, em termos reais, ocorreram em aplicações atreladas a moedas e na renda variável. No mês passado, a perda real do euro foi de 7,88%. Para quem estava posicionado em dólar, houve um prejuízo real menor, de 1%. 

Ao considerar o peso da inflação, a perda real de quem aplicou no Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado na bolsa de valores) foi de 7,35%. 

EM 12 MESES, GANHO REAL PARA OURO, CDI E DÓLAR 

Apesar de apenas o ouro ter oferecido rentabilidade real no mês passado, no período de 12 meses acumulados até janeiro o CDI e o dólar conseguiram gerar retorno acima da inflação, ainda que pequeno. 

Segundo levantamento da Economatica, nesse intervalo de tempo o ouro ofereceu a melhor rentabilidade nominal, de 12,85%. O ganho real, ou seja, descontado a inflação, foi de 5,33%. 

Depois do metal - que é muito procurado por investidores conservadores em tempos de incerteza na economia - o CDI ofereceu o segundo melhor retorno real, de 3,52%. Sem considerar a inflação, a taxa rendeu 10,91%. 

Quem tem aplicações atreladas ao dólar também teve retorno real de 2,42%, ante uma rentabilidade nominal de 9,73%. 

A poupança, neste período, empatou com a inflação, rendendo 7,14% em 12 meses e, desta forma, proporcionando nenhum ganho real. Os piores retornos em termos reais nesse período foram o do Ibovespa, com queda de 8,09%, e do euro, que gerou prejuízo de 14,16%. 

IMÓVEL: SEM PRESSA PARA COMPRAR

Quem gosta de investir na venda de imóveis também viu a rentabilidade encolher. Em janeiro, o aumento médio no metro quadrado de imóveis anunciados foi de 0,39%, segundo o índice FipeZap Ampliado, que abrange os preços anunciados em 20 cidades brasileiras. 

Em termos reais, ou descontando a inflação medida pelo IPCA de 1,24, o preço do imóvel teve uma queda de 0,84% no mês passado. No acumulado de 12 meses até janeiro, a alta nos preços dos imóveis foi de 6,29%, o que representa uma redução real de 0,79% no período. 

Isso porque a inflação acumulada em 12 meses até janeiro foi de 7,14%, bem acima do teto da meta estipulada pelo governo de 6,50% para o período de um ano.

Eduardo Zylberstajn, coordenador do FipeZap, diz que o comportamento dos preços dos imóveis neste começo de ano não é surpresa. “O cenário no mercado imobiliário não deve mudar no curto prazo porque não há espaço para aumentos. O ambiente é de incerteza na economia e a retomada da atividade deve demorar”, afirma.

Zylberstajn diz que a inflação alta piora a condição de quem quer comprar imóvel, pois diminui o poder de compra e afeta a confiança. “Há uma percepção de deterioração do mercado de trabalho e isso traz cautela ao consumidor, pois a decisão de comprar imóvel é relevante do ponto de vista financeiro”, diz. 

Para o coordenador, está difícil formular uma projeção para o comportamento dos preços de imóveis, mas ele diz não ver fôlego para a retomada de aumento dos preços. 

“Acredito que é possível que o preço tenha mais quedas reais e até mesmo nominais. Mas não será uma redução aguda, de 20% ou 30%. O fato é que os preços devem seguir comportados e quem quer comprar para morar não precisa ter pressa”, afirma. 

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