São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Finanças

Inflação alta corrói o rendimento da poupança
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Caderneta acumula perda de poder aquisitivo de 1,06% em 12 meses, até maio, o que é o pior resultado em 11 anos

A sequência de aumentos da taxa básica de juros Selic, atualmente em 13,75% ao ano, ajudou as aplicações em renda fixa a ter rendimento real (ganho acima da inflação) porque elas estão atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa que acompanha a Selic). 

Ainda assim, o ritmo de alta da inflação continua mordendo os rendimentos de algumas aplicações. E a que mais teve perdas neste contexto é a caderneta de poupança, que no período de 12 meses até maio teve o pior resultado em 11 anos, segundo levantamento da Economatica. 

Para se ter uma ideia, o rendimento líquido da caderneta foi de 0,62% no mês passado, mas o retorno real (descontado a inflação) ficou negativo em 0,12%. A consultoria diz que este é o sexto mês consecutivo que o poupador tem perdas. Nos último 50 meses até maio, a poupança teve perda de poder aquisitivo em 23 meses. 

Ao mesmo tempo, crescem os saques na caderneta de poupança. Só em maio, as retiradas superaram os depósitos em R$ 3,2 bilhões. 

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Apenas nos primeiros cinco meses deste ano, a perda do valor real do dinheiro na poupança foi de 2,15%. 

Se considerados os últimos 12 meses até maio, o poder aquisitivo de quem tem dinheiro na caderneta de poupança - ou seja, o rendimento descontado a inflação - caiu 1,06%. Segundo dados da Economatica, é a maior perda aquisitiva anualizada desde outubro de 2003, quando a rentabilidade anualizada teve queda de 1,90%. 

A inflação oficial medida pelo IPCA foi de 0,74% em maio, mas em 12 meses atingiu 8,47%. A caderneta teve perda de ganho real porque rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial). O que atrai os poupadores, no entanto, não é o retorno e sim a simplicidade dessa aplicação, que não incidência de Imposto de Renda (IR). 

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Emerson Marçal, coordenador do centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), avalia que a inflação realmente tem tornado o juro real não tão alto assim. "A inflação faz as famílias ficarem com o orçamento apertado e a cortarem gastos. O fato de o juro subir pode ajudar as aplicações no CDI, mas ainda assim, é melhor proteger os recursos da inflação", diz. 

A Economatica mostra que mesmo o CDI teve perda de rentabilidade real de 0,51% nos cinco primeiros meses deste ano. Em 12 meses até maio, porém, o retorno real do CDI foi de 2,83%. De dezembro de 2010 a maio deste ano, o ganho real foi de 13,45%. 

Entre os fundos de investimentos conservadores e atrelados ao CDI - o de renda fixa conseguiu oferecer ganho real de 0,38% em maio e de 0,20% no acumulado do ano. O rendimento bruto dessa categoria de fundo, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) foi de 1,12% em maio e de 5,55% no acumulado do ano até maio. 

Outro fundo que venceu a inflação foi justamente o de índices - categoria que acompanha índices formados com base nas carteiras de títulos indexados à inflação. O retorno, já descontado a inflação, foi de 1,09% em maio e de 1,59% nos últimos cinco meses. 

Em maio, os fundos DI e de curto prazo tiveram ganho real de 0,26% e de 0,24% respectivamente. A rentabilidade real foi pequena e ficou negativa no acumulado do ano. 

O fundo DI teve perda real de 0,44% e o de curto prazo, queda real de 0,53% nos cinco primeiros meses deste ano. Isso porque, a inflação no acumulado deste ano, de 5,34%, foi maior do que o retorno bruto oferecido por essas aplicações, de 4,88% e de 4,78%, respectivamente.

É importante lembrar que o cálculo da rentabilidade (ou retorno) real apenas desconta a inflação - e assim é bem diferente do rendimento líquido, que é aquele que também expurga as taxas de administração e impostos. 

"Boa parte das aplicações teve retorno real, mas é preciso descontar as taxas e impostos, que vão de 27,5% a 15% no caso dos fundos e títulos. A tendência dos próximos meses é que a renda fixa, os fundos DI e os títulos públicos consigam ampliar o ganho real porque o juro continua subindo", diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. 

Quem teve ganhos expressivos no acumulado deste ano é quem teve mais apetite ao risco de ativos como dólar, euro e ouro. São alternativas de forte volatilidade e, assim, podem valorizar e desvalorizar em curto espaço de tempo. No entanto, ao descontar a inflação da valorização desses ativos é possível observar retorno real. 

A maior rentabilidade real no acumulado do ano até maio foi o de investimentos que seguem a valorização do ouro, com 14,12%. 

No mesmo período, a segunda maior rentabilidade real foi a de aplicações atreladas ao dólar, de 13,61%. Na mesma base de comparação, o euro ofereceu retorno real de 2,79%.

Com volatilidade, os investimentos atrelados ao Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores) acumularam ganho real de 0,16% nos cinco primeiros meses deste ano. 

Estas aplicações, porém, tiveram perda de poder aquisitivo de 5,07% no período de 12 meses até maio. O levantamento da Economatica mostra que nos quatro anos e cinco meses do governo Dilma Rousseff, a bolsa teve perda de 43,11% se descontada a inflação do período. 

 



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