São Paulo, 25 de Abril de 2017

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Imóvel sobe menos que a inflação pelo quinto mês seguido
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No primeiro trimestre, os preços no mercado imobiliário em 20 cidades subiram 0,69%, ante a inflação medida pelo IPCA estimada em 3,91%

 

Os preços dos imóveis subiram menos que a inflação pelo quinto mês consecutivo em março, segundo o Índice FipeZap de Imóveis Anunciados, que acompanha o preço de venda em 20 cidades brasileiras.

No primeiro trimestre de 2015,os preços no mercado imobiliário subiram 0,69%, enquanto a inflação medida pelo IPCA para o período é estimada em 3,91%. Isso significa que o preço do metro quadrado teve queda real de 3,1% - tendência que deve se manter pelo resto do ano.

Ao considerar somente março, o índice registrou aumento de 0,14% em relação a fevereiro e de 5,34% ante o mesmo mês de 2014. Essas são as menores variações da série histórica e estão abaixo das expectativas de inflação de 1,4% para o mês e de 8,21% para o ano, segundo as estimativas do mercado financeiro divulgadas pelo Boletim Focus, do Banco Central.

O índice que acompanha o mercado imobiliário caiu pela terceira vez seguida na comparação anual e pela quinta vez na base mensal. Segundo o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn, isso representa uma tendência de arrefecimento dos preços por causa do aumento da oferta ante uma demanda cada vez mais receosa em assumir dívidas de longo prazo.

"O país está passando por uma queda na oferta de vagas no mercado de trabalho e aumento da inflação e dos juros, o que corrói o poder de compra. Tudo isso está prejudicando a confiança do consumidor", disse Zylberstajn.

Recife, Brasília, Curitiba e Niterói registraram queda nominal de preços em março, isto é, o metro quadrado ficou mais barato. Para Zylberstajn, é improvável que o preço de imóveis de outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, tenham variações negativas, já que as taxas de inflação estão elevadas.

Ainda assim, os preços dos imóveis no Rio - o metro quadrado mais caro do País - ficaram estáveis em março, o que mostra saturação em um mercado cuja expansão foi muito exacerbada, segundo Zylberstajn. Em São Paulo, os preços subiram 0,53% no mês.

ESTOQUES EM ALTA

Como reflexo da menor demanda em São Paulo, o estoque de imóveis residenciais bateu recorde em dezembro de 2014, alcançando 27.255 unidades não vendidas até três anos depois de seu lançamento. Em janeiro de 2015, o número caiu para 26.994, mantendo-se em patamar elevado. Desde o fim de 2013, o estoque aumentou quase 40%, segundo dados do Sindicato da Habitação em São Paulo, o Secovi.

Além do menor dinamismo da economia, a evolução do crédito está mais lenta. O volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis caiu quase 27% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2014, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). No mesmo período, houve queda de 37,7% na quantidade de imóveis financiados, somando 28,9 mil unidades.

 



As medidas econômicas adotadas pelo governo estão no caminho certo e não podem parar apesar da crise política, segundo o Boletim de Conjuntura Econômica da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

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A expectativa é de queda também para a Selic. De acordo com o Boletim Focus, a taxa básica de juros deve chegar a 8,5% ao ano

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Segundo o economista Hélio Zylberstajn, da Fipe, o emprego será o último a se recuperar. A boa notícia é que os reajustes salariais estão acima da inflação

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