Glossário do empreendedor: o que é break-even


Termo significa o momento em que uma empresa atinge o equilíbrio financeiro, deixa de dar prejuízo e está pronta para se tornar lucrativa


  Por Italo Rufino 13 de Outubro de 2016 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Saco vazio não para em pé. Empresa que não dá lucro também não. Em finanças corporativas há um conceito, batizado de break-even, que estima quando uma empresa deixa de dar prejuízo.

É o momento que o negócio sai do zero a zero e o empreendedor começa a ter retorno sobre o investimento inicial – e, consequentemente, lucro. 

O break-even, também conhecido como ponto de equilíbrio, acontece quando as receitas da empresa superam os custos fixos – gastos recorrentes e estáveis, como aluguel e folha de pagamento – e os custos variáveis, que oscilam conforme a produção, como compra de matéria-prima e armazenamento e distribuição. 

Saiba mais sobre o termo.

POR QUE ESTIMAR O BREAK-EVEN 

A análise de break-even é importante para mensurar os riscos da operação, definir metas de lucro e demonstrar para financiadores ou investidores que o negócio tem potencial para ser sustentável financeiramente em determinado período de tempo. 

O break-even pode ser mensurado em diversos estágios do negócio. A ocasião mais comum é na abertura da empresa – entre startups, atingir o break-even é um sinal de que o negócio consegue “andar com as próprias pernas”, o que o torna mais valioso para investidores. 

Ao abrir um novo canal de vendas, uma empresa também pode mensurar o seu break-even isolado. Por exemplo, uma varejista que desenvolve um ecommerce pode estimar o ponto de equilíbrio para saber quando o novo canal vai ganhar independência financeira do negócio de origem. 

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COMO CALCULAR

Para determinar o break-even, o empreendedor precisa reunir dados de custos fixos e variáveis e estimar o faturamento médio de terminado período. 

O cálculo consiste no valor dos custos fixos dividido pelo resultado obtido da divisão entre os custos variáveis e o faturamento menos 1. Veja o exemplo: 

• Custos fixos: R$ 10.000,00
• Custos variáveis: R$ 5.000
• Faturamento: R$ 50.000,00

• Fórmula: 10.000 / [1 – (5.000 / 50.000)] = 11.111

Sendo assim, o break-even é de R$ 11.111,00. Todas as vendas acima desse valor representarão lucro. Caso as vendas não atinjam o ponto de equilíbrio, a operação terá prejuízo. 

Numa startup, em que as vendas aumentam proporcionalmente conforme o tempo, o empreendedor pode fazer o cálculo para saber o quanto é necessário aumentar o volume de vendas para alcançar rapidamente o lucro. 

HUFFMAN, DA DAFITI: RECEITAS MILIONÁRIAS E CUSTOS MAIORES AINDA/ANDRÉ LESSA - ESTADÃO CONTEÚDO

CRESCIMENTO NÃO É SINÔNIMO DE LUCRO 

Embalada pela ascensão do comércio eletrônico e pelos investimentos milionários em marketing, a Dafiti teve crescimento exponencial em seus três primeiros anos – e atingiu receitas estimadas em R$ 800 milhões em 2014. 

No entanto, a companhia sempre operou no vermelho. No primeiro semestre de 2014, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de R$ 100,2 milhões negativos.

Na época, a empresa fez um comunicado em que afirmava que os números não eram preocupantes.

O importante mesmo era o crescimento do negócio, uma vez que a internet representava uma pequena parcela do varejo com grande potencial para atrair mais consumidores. 

A mesma estratégia da Dafiti foi adotada por outras empresas. A Netshoes, outra gigante do ecommerce, teve no mesmo ano prejuízo de mais de R$ 93 milhões. 

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Uma das poucas exceções do mar vermelho do varejo virtual de vestuário e calçados é a Kanui, loja de produtos esportivos de aventura, que pertence a Rocket Internet, mesma controladora da Dafiti. 

Em 2014, a Kanui atingiu o ponto de equilíbrio ao faturar R$ 202 milhões. 

A conquista fora da curva foi consequência da cultura de compartilhar dados financeiros com os funcionários. Mensalmente, eles conhecem o balanço financeiro da empresa e recebem metas individuais para os próximos 30 dias. 

Outra vantagem da Kanui é atuar num nicho de mercado, focado em consumidores que apreciam esportes como surf, skate e ciclismo – o que torna a operação menos complexa do que a da Dafiti. 

Na Dafiti, o panorama continua parecido até os dias de hoje. A empresa cresceu 23,8% no primeiro semestre deste ano – número cinco vezes maior que a média do e-commerce. Porém, mesmo com alta de 27 pontos percentuais no último ano, o Ebitda continua negativo, em -9,6%. 

Cinco anos após a fundação, em 2011, a Dafiti ainda não atingiu o break-even.

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