São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Endividamento e inadimplência afligem pequenas e micros
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Dois levantamentos evidenciam que dificuldades de caixa, aumento dos juros e carga tributária complicam a capacidade do segmento de pagar em dia e cumprir compromissos financeiros

Ainda sob o clima de incerteza do resultado eleitoral, os indicadores de outubro sobre endividamento e inadimplência deram mais uma prova do quadro de estagnação da economia. O endividamento com banco ou instituições financeiras atingiu 17%, o índice mais alto desde que teve início, em março de 2013, a pesquisa realizada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP).

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Dois indicadores acompanhados mensalmente pela Serasa Experian também evidenciam a piora no desempenho das empresas. A pontualidade de pagamentos das pequenas e microempresas em outubro, de 96%, representa um recuo em relação a setembro, que registrou 96,3%. Para cada 1.000 pagamentos realizados, 960 foram quitados à vista ou com atraso máximo de sete dias. As pequenas e microempresas do setor de comércio registraram a maior pontualidade de pagamento em outubro: 96,5%. Os níveis de pontualidade no mês foram puxados para baixo pelo setor de serviços (95,3%) e pela indústria (95,5%).

Em relação às empresas em geral, a inadimplência subiu 4,4% em outubro ante setembro, a mesma variação apresentada em outubro de 2013, de acordo com pesquisa Serasa.  No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, o indicador teve alta significativa de 7,1%.

CUSTO DO CRÉDITO

Por trás da dificuldade de cumprir os compromissos financeiros, de acordo com o Simpi, um dos fatores é o peso da carga tributária, um obstáculo às desenvolvimento das micros e pequenas indústrias de São Paulo. Essa queixa partiu de 58% dos entrevistados, o mais alto índice desde outubro/ 2013, quando a pergunta foi incluída no levantamento.

Para os economistas da Serasa Experian, a alta da inadimplência das empresas resulta da combinação perversa da estagnação econômica com o custo do crédito em ascensão. O atual quadro de estagnação da economia prejudica a geração de caixa das empresas; a situação foi agravada pela elevação de custo de crédito, causada pelo aumento das taxas de juros, e teve repercussão sobre as despesas financeiras. E, em especial para as micro e pequenas empresas, contribuiu a situação dos salários, que avançaram acima dos ganhos de produtividade.

No consolidado de janeiro a outubro de 2014, o valor médio dos títulos protestados teve alta de 11,9% no acumulado de, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O valor médio das dívidas não bancárias também cresceu, +6,7%. Já os valores dos cheques sem fundos e inadimplência com os bancos registraram queda de 5,1% e 5,8%, respectivamente. O indicador de inadimplência da Serasa considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições bancárias e não bancárias, em todo o Brasil.

 



De acordo com a CNC, 57,3% das famílias possuíam algum tipo de dívida no mês. O resultado é o menor desde julho de 2012

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De janeiro a outubro deste ano, as devoluções atingiram a média de 2,36%. Em sentido oposto, São Paulo apresentou o menor índice (1,8%), segundo a Serasa

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Avaliação é do economista Eduardo Giannetti da Fonseca (foto), que prevê crescimento de 1,5% a 2% da economia brasileira em 2017

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