São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Dólar, ouro e euro oferecem maior retorno no trimestre
Imprimir

Especialista recomenda ao investidor conservador continuar posicionado em aplicações que acompanham a alta dos juros

As tensões no cenário econômico e político brasileiro e internacional levaram as moedas internacionais e o ouro a ocuparem o topo do ranking de rentabilidade das aplicações do primeiro trimestre.

O levantamento, elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo, mostra que, nos primeiros três meses deste ano, o ouro subiu 21,1%. No mês, a valorização do metal também foi expressiva, de 10,43%. 

“É um ativo cotado em dólar e pouco negociado no Brasil”, diz Colombo. Ele atribui essa valorização à alta do dólar, que foi de 11,73% no mês e de 19,87% no acumulado do ano. O euro subiu 7,51% em março e de 6,55% no trimestre. 

As opções de aplicações atreladas a moedas e ouro, no entanto, são mais voláteis (sujeitas a altas e baixas bruscas) e, assim, passam longe da cesta do investidor mais conservador.

“Não tenho recomendado aplicações em dólar para este perfil. Acho que pode ser interessante se a cotação voltar ao patamar de R$ 2,80. O pequeno investidor deve se informar muito bem sobre como o dinheiro vai render em moeda estrangeira, caso queira aplicar em um fundo que tenha esse tipo de diversificação”, explica Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Corretora.

Como a cotação depende de muitas variáveis, entre as quais o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, que é esperada pelo mercado para este ano, é difícil prever o quanto a moeda norte-americana ainda pode subir.

Diante das incertezas, Magliano Neto tem recomendado as aplicações de renda fixa com rentabilidade atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos). 

“O fato é que poucas aplicações poderão oferecer uma rentabilidade de 13% ao fim deste ano, que é o que se espera para a taxa básica de juros. Por isso, tenho recomendado ficar fora da bolsa por enquanto”, explica.

 

 

 

Em março, a bolsa de valores ficou na lanterna, em queda de 0,84%. No ano, a variação ainda é positiva em 2,29%.

Segundo Colombo, o que ainda vai afetar os preços de bolsa, moedas internacionais e ouro, em abril, será a evolução do debate sobre o aumento de juros nos Estados Unidos, além de dados das economias chinesa, americana e europeia, do lado externo. 

Na economia doméstica, os investidores devem acompanhar a discussão sobre a aprovação do pacote de ajuste fiscal do governo pelo Congresso, além dos indicadores da economia brasileira. Outra divulgação esperada é a do balanço da Petrobras, que também ditará os rumos do papel da estatal na bolsa.

ATENÇÃO AOS JUROS

Segundo o ranking, os títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ofereceram rentabilidade média bruta de 1,80% a 1,95%, dependendo do prazo de vencimento. No ano, o retorno indicativo é de 5,33% para este título. Esses papéis costumam pagar uma taxa prefixada e mais o IPCA do período e têm vencimento longo (de 2019 a 2050).

Magliano Neto explica que a taxa de juro que estes títulos pagam ao investidor pode passar por oscilações por causa da trajetória de aumento da taxa Selic, hoje em 12,75% ao ano.

“Há um risco nesse sentido. O investidor pode comprar um título que hoje paga a inflação e mais 6,40%. A Selic pode subir mais e a taxa mudar para 8% mais IPCA. Esse tipo de oscilação já aconteceu. Se a pessoa vender o título num momento de aumento da taxa perde rentabilidade”, afirma. 

Ele diz que, para quem investir em títulos do Tesouro, a melhor opção são os papéis que acompanham a variação da Selic. 

A melhor alternativa para quem tem um montante a partir de R$ 100 mil para investir e pode ficar sem lançar mão do recurso por um ano, segundo Magliano Neto, são as LCIs (Letras de crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), isentas de Imposto de Renda (IR).

Em ano de crise e, portanto, de maior chance de precisar resgatar o dinheiro para imprevistos, ele recomenda a aplicação em fundos de renda fixa que ofereçam retorno de 98% do CDI. “No entanto, a taxa de administração não pode passar de 1,5% para que a alternativa seja vantajosa”, diz. 

Se o retorno for menor que 70% e a taxa de administração maior, a recomendação é sair do fundo. Neste caso, explica, vale a pena comprar título do Tesouro atrelado à Selic. 

O ranking mostra que os fundos de renda fixa e os fundos DI chegaram ao fim deste mês com rendimento bruto na faixa de 0,95% a 1,10%, dependendo da taxa de administração da aplicação. 

No ano, o retorno médio dos fundos DI foi de 2,86%, menor do que o oferecido pelo fundo de renda fixa, de 3,14% no período. 

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) ofereceram um desempenho similar, na faixa de 0,90% a 1,05%, dependendo do valor investido e do risco de crédito do banco. No ano, o desempenho ficou em 2,74%.

Ainda assim, o resultado foi melhor do que o da poupança, que teve rendimento líquido de 0,63%. No ano, a caderneta teve um retorno muito baixo, de 1,75%, e perdeu da inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que no acumulado do ano foi de 2,02%. 



Redução maior foi discutida na reunião do Copom, mas ainda depende da queda na resistência de alguns componentes do índice de preços, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BC

comentários

Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

comentários

No acumulado de 11 meses deste ano, os saques superam os depósitos em R$ 51,370 bilhões

comentários