São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Finanças

Dólar atinge R$ 3,26 e tem maior alta em quase 12 anos
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Cotação sobe 3,36% nesta sexta (13), marcada por tensões internas e expectativas sobre economia dos Estados Unidos

Ao atingir a cotação de R$ 3,26, nesta sexta-feira (13/3) o dólar comercial negociado no mercado de balcão teve a maior alta desde 2 de abril de 2003. A moeda norte-americana subiu 3,36% e, ao longo do dia, chegou a bater R$ 3,28. O dólar turismo encerrou o dia em R$ 3,38, com valorização de 3,46%. 

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Uma declaração de uma fonte do Ministério da Fazenda à Reuters teria sido um dos principais responsáveis por esse enfraquecimento do dólar. Segundo a agência, essa fonte – cujo nome não foi revelado – teria dito que o governo brasileiro não considera usar suas reservas internacionais nesse momento para conter a forte alta do dólar ante o real.

Ao que parece, a Fazenda não considera que esse movimento de alta da moeda seja resultado de fuga de capitais – o que descarta a necessidade de usar reservas neste momento. 

O avanço do dólar também é reflexo das preocupações com a economia brasileira, com a crise política nacional e com o cenário externo. Lá fora, a moeda norte-americana também subiu em meio à avaliação de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) está próximo de elevar sua taxa de juros. 

Logo na abertura das negociações, pela manhã, as tensões internas, amplificadas pelo retorno das manifestações em várias cidades do país, abriram espaço para a busca de dólares. Mais cedo, às 9h27, a moeda havia marcado a mínima de R$ 3,18 (+0,89%).

Pouco depois do fechamento do mercado, perto das 16h30, fontes do governo disseram que o Banco Central tem procurado mostrar que o ajuste no câmbio tem de ser suave. Para o BC, há claro exagero na alta do dólar no Brasil.

Ainda segundo as fontes, a autoridade monetária avalia que o movimento do dólar hoje reflete olhar de curto prazo, devido à reunião do Federal Reserve na próxima semana. 

REDE DE PROTEÇÃO 

Os programas de leilões de contratos (swaps) de dólar no mercado futuro não estão mais surtindo efeito, já que se trata de uma troca de juros por variação cambial, pagas em reais, em data futura. Assim, apenas a venda de dólar pelo governo à vista, utilizando as reservas internacionais, poderia conter o avanço da moeda. A avaliação é de Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Ao não fazer mais swaps, o governo sinaliza que quer ajudar as exportações do país e desestimular as importações. Assim, ele equilibra a conta-corrente externa e o resultado da balança comercial e de serviços”, diz Alfieri. 

No entanto, o movimento de alta do dólar sobre as exportações deve levar mais tempo para surtir efeito porque as vendas são programadas com antecedência. 

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A grande questão é qual seria o teto de cotação para a moeda. O economista da ACSP diz acreditar que possa ser de R$ 4, uma espécie de limite testado em outras épocas, como em 2002, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso e durante as eleições que deram a vitória para Luiz Inácio Lula da Silva. 

Alfieri lembra que o limite de R$ 4 também foi testado na crise de 1998, quando o país não tinha reservas internacionais tão polpudas quanto as de hoje, que estão na casa dos US$ 370 bilhões. 

“O principal efeito colateral do dólar alto pesaria sobre a inflação. Mas, por enquanto,esse repasse não foi forte. Isso porque os índices de inflação IGP-M e IGP-DI, que monitoram preços de atacado, não mostraram aceleração no último mês. O preço menor das commodities tem ajudado neste sentido”, afirma.

Para Alfieri, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) está acelerando graças ao aumento dos preços administrados. 

“O Banco Central sinalizou que a inflação só volta para a meta em 2016. Se houver pânico no mercado, com uma disparada mais forte do dólar acima de R$ 4, o governo tem a opção de vender no mercado à vista”, conclui. 

A avaliação é que hoje o Brasil tem uma rede de proteção maior, por causa de suas reservas internacionais, em uma situação extrema. Candido Bracher, diretor geral de atacado do Itaú Unibanco, disse que o atual patamar do câmbio é saudável e possibilita às empresas brasileiras serem mais competitivas. "Naturalmente, essa desvalorização tem de ocorrer num ritmo não muito volátil", diz.

No entanto, a tendência de alta do dólar já fez o Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco – dirigido pelo economista e ex-diretor do Banco Central Ilan Goldfajn – revisar suas projeções em relatório enviado aos clientes hoje.  

A equipe elevou a projeção para a taxa de câmbio de R$ 3,10 por dólar no fim de 2015 e para R$ 3,40 por dólar no fim de 2016. A avaliação, segundo o documento, é a de que as perspectivas de financiamento do déficit em conta corrente se tornaram piores neste início de ano. "As incertezas quanto ao cenário econômico e político requerem um ajuste mais rápido no balanço de pagamentos”, informou. 

* Com Rejane Tamoto



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