São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Finanças

Crédito será ainda mais restrito no segundo trimestre
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Projeções do Banco Central mostram que a oferta de recursos tanto para empresas quanto para o consumo vai se retrair. Também a aprovação de empréstimo habitacional deve ficar mais difícil

A oferta de crédito deve encolher ainda mais no segundo trimestre de acordo com informações divulgadas nesta sexta-feira, 15, pelo Banco Central (BC) em seu boletim regional.

A tendência de queda já vinha se desenhando desde o início do ano, inclusive para financiamento habitacional, que nos últimos anos se manteve em patamar positivo.

O BC usa um indicador que varia de -2 a +2, significando menos ou mais concessões. Para o caso do crédito para o consumo o indicador aponta -0,41 na projeção para o segundo trimestre, após mostrar -0,18 nos primeiros três meses do ano. A demanda do consumidor por empréstimo segue essa mesma lógica de recuo, passando de -0,39 no primeiro trimestre para  -0,57 no segundo.

Para Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o mercado de crédito está acompanhando a conjuntura econômica. “A produção está em queda, o consumidor está mais cauteloso. Por outro lado, os juros subiram. Se ao menos a taxa de juros estivesse mais baixa o mercado de crédito poderia estar mais aquecido”, diz Solimeo.

As perspectivas de disponibilidade de recursos para empresas também não são boas. O levantamento do BC mostra que a percepção de oferta de crédito para as micro, médias e pequenas empresas é negativa, com o indicador em -0,94 para o segundo trimestre, após registrar -0,79 no primeiro. Já a demanda por financiamento cresce nos próximos meses, com o indicador saindo de -0,52 para -0,30.

O crédito habitacional é outra grande preocupação para os próximos meses. A aprovação de empréstimo para este fim, que vinha se mantendo em patamar estável (em zero na escala do BC) nos últimos meses, passou a ter uma projeção negativa para o próximo trimestre, com o indicador em -0,56.

A perspectiva para oferta de crédito habitacional entre abril e junho ficou em -0,78, após marcar -0,22 no primeiro trimestre. Quanto à demanda, que também estava em -0,22% nos primeiros três meses do ano deve recuar pelo indicador do BC, que marca -0,56 no segundo trimestre.

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O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, disse nesta sexta-feira, 15, durante divulgação do Boletim Regional, que a perspectiva é de que o Brasil cresça abaixo do potencial neste ano, em meio aos ajustes que estão sendo promovidos na economia.

Mesmo assim, ele argumentou que as percepções internacionais sobre o Brasil estão evoluindo, como consequência dos ajustes. "Não houve um tempestade perfeita, mas é imprescindível continuar com o ajuste, reforçar o arcabouço de políticas econômicas e manter os fundamentos sólidos."

Segundo Awazu, apesar de a taxa de crescimento tender a ser baixa, um processo de melhora da confiança a partir do segundo semestre deve promover uma retomada da atividade. Ele apontou que, sob o âmbito da demanda, os investimentos têm se retraído, "influenciados em parte por eventos não econômicos".

Também há sinalização de arrefecimento do consumo governo, mas a expectativa é que o cenário de maior crescimento global ajude a economia brasileira, pelo lado da demanda externa.

"O quadro da confiança ainda é desafiador. A recuperação, a nível setorial e de expectativas, tende a ainda conter elementos que necessitam da continuidade do processo de ajuste econômico em 2015, para que se possa pensar em melhora do clima de confiança para todos os agentes na segunda metade do ano", explicou.

O diretor do BC afirmou também que o mercado de trabalho, devido ao ciclo econômico atual, dá sinais iniciais de distensão, tanto em função da retomada da taxa de participação como por conta da moderação dos indicadores de renda e criação de emprego. "Os rendimentos reais têm se moderado e temos tido reflexo de moderação também nas convenções coletivas de trabalho", acrescentou.



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