Finanças

Crédito para capital de giro registra queda de 14% neste ano


Sem o crédito, as empresas são obrigadas a recorrer ao próprio fluxo de receita e, no limite, a fechar as portas. A situação é mais preocupante para os pequenos negócios


  Por Estadão Conteúdo 16 de Setembro de 2017 às 11:00

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Modalidade de crédito mais procurada pelas empresas, o capital de giro segue travado.

Apesar da melhora recente no ambiente econômico, as concessões de capital de giro já caíram 14% em 2017 nas operações com recursos que os bancos podem usar livremente e despencaram 43,2% no caso do crédito com dinheiro do BNDES.

Apenas em julho, o tombo foi de 32,9% e 25,3%, respectivamente, o que indica que o fundo do poço não foi atingido.

Cerca de 43% do saldo total das operações de crédito para empresas no País, no caso dos recursos livres (fora poupança e BNDES), são de capital de giro. Hoje isso equivale a cerca de R$ 300 bilhões, mas no fim de 2014 - antes da recessão - valor chegou a R$ 375 bilhões.

Com o capital de giro, as empresas podem tocar as operações no curto prazo, pagando fornecedores, contas de luz, água, telefone e salários, entre outros itens. Sem o crédito, elas são obrigadas a recorrer ao próprio fluxo de receita e, no limite, a fechar as portas.

Os dados mais recentes sugerem recuperação nas linhas para as famílias, em sintonia com a melhora da atividade e a baixa da inflação, mas as empresas seguem enfrentando problemas.

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"O tombo para pessoas jurídicas no período recente é mais prolongado. No capital de giro, as concessões continuam caindo de forma acentuada", disse o economista João Morais, da Tendências Consultoria.

Em julho, segundo dados do Banco Central, os bancos liberaram apenas R$ 10,77 bilhões em capital de giro para empresas. Em dezembro de 2014, concessões somaram R$ 30,89 bilhões.

A dificuldade atinge empresas de todos os portes, mas é mais preocupante para as menores.

"O acesso ao crédito da imensa maioria das micro e pequenas empresas está vedado", disse o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. "Percebemos que elas buscam alternativas para não pegar dinheiro em bancos, pois a percepção delas é de 'pegar e morrer'."

Uma das explicações é o custo das operações, ainda muito alto. O juro médio de uma operação de capital de giro com recursos livres está em 21,2% ao ano. No melhor momento da série histórica, em 2012, chegou a 15,9% ao ano.

"Os pequenos empresários estão evitando pegar dinheiro novo. Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça", diz Afif.

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