São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Consumidor paga mais com cartões e faz uso de forma consciente
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É que mostram dois levantamentos. As transações nas funções débito e crédito continuam crescendo, mesmo com a economia desaquecida

Mesmo com o crescimento mais fraco das vendas do comércio, os cartões de crédito e de débito são meios de pagamento que estão crescendo na preferência dos consumidores. 

Pesquisa da Boa Vista Serviços SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) revela que o cartão de débito está sendo utilizado mais frequentemente pelos consumidores da classe C, que também fazem do dinheiro de plástico uma ferramenta de apoio de controle do orçamento.

Segundo levantamento da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), esses meios de pagamento já representam 29,5% do total do consumo das famílias brasileiras, de acordo com dados do terceiro trimestre apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No ano passado, as transações com cartões somaram R$ 978,8 bilhões, um aumento de 14,8% sobre 2013. O crescimento ficou dentro do intervalo projetado pela entidade para o ano, de 14,5% a 15,5%.

Do valor movimentado em 2014, as compras no cartão de crédito corresponderam a R$ 625,5 bilhões, 13,1% superior a 2013. As despesas pagas com cartões de débito totalizaram R$ 353,3 bilhões, uma elevação de 17,8%. 

Para 2015, a projeção da Abecs é que os cartões movimentem R$ 1,101 trilhão, uma elevação de 12,5%, considerando uma estimativa de crescimento nominal de 7,4% para o consumo no comércio.

Para Marcelo Noronha, presidente da Abecs, os cartões estão substituindo outros meios de pagamento, como o cheque e o dinheiro. 

“Em 2014, o Banco Central contabilizou 377 milhões de cheques. A relação entre cheques trocados e devolvidos é de 8%, em média. Em outras palavras, esse é o percentual de inadimplência gerado por este meio de pagamento”, diz Noronha.

Em termos de transações realizadas com ambos os cartões, foram realizadas 10,3 bilhões, ou 11% a mais que em 2013. Foram 4,9 bilhões de operações na função crédito (com alta de 8,1%) e de 5,4 bilhões no débito, um incremento de 13,7%. 

Segundo Ricardo de Barros Vieira, diretor-executivo da Abecs, os valores médios transacionados nos cartões de crédito e de débito estão caindo ano a ano. 

No segundo semestre de 2014, o valor médio deflacionado de operações realizadas no cartão de crédito foi de R$ 86,9, contra R$ 87,7 um ano antes. O tíquete médio deflacionado nas operações de débito caiu R$ 44,70 para R$ 42,80 no mesmo intervalo. 

DÉBITO: ADORADO PELA CLASSE C

Outro levantamento mostra que os consumidores da classe C estão preferindo usar mais o cartão de débito na hora de pagar as contas do dia a dia. A pesquisa Hábitos do Consumidor da Classe C, realizada pela Boa Vista SCPC e o programa Finanças Práticas da Visa do Brasil, mostram que 42% de uma amostra de mil entrevistados preferem usar o cartão de débito. 

Do total, 29% disseram preferir pagar em dinheiro, enquanto 28% utilizam mais o cartão de crédito. Apenas 1% disse gostar mais de pagar com cheques. A maioria dos entrevistados (96%) tem conta em banco. 

“O consumidor usa o cartão para despesas menores, com a facilidade de não ter de pegar e carregar o troco em moedas. Isso acaba se tornando um hábito mesmo, ainda mais agora que o cartão é aceito em feiras e táxis”, afirma Fernando Cosenza, diretor de marketing e sustentabilidade da Boa Vista SCPC. 

Ao todo, 59% dos entrevistados disseram que usam o cartão de crédito para centralizar as despesas pessoais e 83% observam a fatura antes de efetuar o pagamento. 

O levantamento mostra que 32% dos consumidores usam o cartão como uma ferramenta de controle de gastos e apenas 21% o utilizam apenas em situação de emergência. 

A boa notícia da pesquisa, porém, é que 77% dos entrevistados evitam pagar o valor mínimo do cartão de crédito, ou seja, o crédito rotativo.

“O cartão já foi usado com desequilíbrio no passado. Mas o fato é que esse meio de pagamento não é vilão, e a pesquisa mostra que o bom uso cresceu. O cartão é uma ferramenta de planejamento e de controle, principalmente quando o consumidor paga os parcelamentos sem juros”,  diz Cosenza. 

Outro levantamento da Abecs realizado pelo Instituto Datafolha mostra que 84% dos usuários dizem que o valor da fatura está de acordo ou abaixo do orçamento do mês, ou seja, o percentual de descontrole dos gastos está baixo. 

O levantamento mostra que 73% dos pesquisados não deixaram de pagar a fatura – o valor integral ou mínimo – na data de vencimento nos últimos 12 meses.

MENOS ROTATIVO E MAIS PARCELAMENTOS

Noronha diz que um estudo do Banco Central ainda mostra que aqueles que entram no rotativo (pagamento mínimo) ficam nessa situação, na qual os juros são mais altos, por um período médio de 18 dias. 

“O rotativo representa pouco, ou 2% do estoque de crédito. Não há capacidade matemática para endividar o brasileiro nessa linha. O consumidor não fica mais do que 12 meses no rotativo”, afirma. 

Entre as linhas de crédito, o cartão representa a quarta maior carteira, com 11,5% do total, atrás de veículos (13%), crédito pessoal (25%) e imobiliário (30,6%). 

O índice de inadimplência nos cartões atingiu 7,4% em dezembro passado, enquanto o índice geral, medido pelo Banco Central, foi de 6,5%. 

O levantamento da Abecs mostra que o parcelamento sem juros corresponde a 74% do volume transacionado nos cartões de crédito, com um tíquete médio de R$ 223 em 2014.  

O crediário, ou parcelamento com juros, correspondeu a 25,6% do total. Atualmente, a entidade trabalha na padronização das maquininhas de cartões para oferecer a modalidade de crediário, na qual o consumidor poderá comparar, no ato da compra, as taxas oferecidas por cada instituição, de acordo com o prazo de pagamento escolhido. 

No ano passado foram liberados R$ 220,5 bilhões em crédito parcelado com e sem juros no ano passado, valor que representa 53,1% da carteira de crédito para pessoa física com recursos livres. 

O valor refere-se a parcelamentos a partir de duas vezes e de, em média, de 10 a 12 vezes. Esse montante deve chegar a R$ 400 bilhões neste ano, de acordo com estimativa da entidade. 

 



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