São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

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Como sua empresa pode tirar partido do jogo dos juros
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O aumento da taxa Selic eleva o custo do crédito mas é também uma oportunidade para quem quiser aplicar recurso extra de fim de ano

Depois do último ajuste de 2014 na taxa básica de juro (Selic), para 11,75% ao ano, ficou claro que daqui para frente aumenta o custo do crédito e do rendimento das aplicações de renda fixa. Especialistas em finanças recomendam ao empresário, mesmo aquele que tem pouco tempo para fazer a gestão do recurso que sobra no caixa, que pesquise as melhores condições e taxas de fundos de investimentos e aplicações que acompanham a Selic e o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre instituições financeiras). Afinal, dinheiro parado na conta corrente não “trabalha” e não cresce. E na caderneta de poupança da conta de pessoa jurídica é tributado e rende pouco. 

Este é o momento de aproveitar o incremento nas vendas de fim de ano e separar uma parte do caixa para preservá-lo. Para isso, será preciso ser conservador com os recursos da empresa e privilegiar a liquidez, o que na prática corresponde à possibilidade de resgatar rapidamente o dinheiro de uma aplicação sem que ele tenha perdido o valor.

“Isso garantirá uma passagem de ano tranqüila, porque 2015 será um ano delicado, com um nível de atividade parecido ou até pior do que o deste ano. Será preciso ter liquidez para preservar a capacidade de pagamento nesse período sem ter de recorrer tanto ao crédito, que terá um custo maior”, afirma Silvio Paixão, professor de cenários econômicos da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

Entre as medidas de ajustes nas contas públicas do governo, há também a discussão sobre um possível aumento de impostos. “Mais uma razão para se preparar. Porque mais imposto significa menos recurso em caixa”, afirma.

Especialistas acreditam que a tendência de alta da Selic persistirá em 2015

Para aplicar o dinheiro da empresa neste cenário, as opções que precisam ser avaliadas são o fundo DI e o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Paixão recomenda que empresários comparem as taxas de administração de fundos de investimentos referenciados DI e de renda fixa porque elas acabam consumindo parte da rentabilidade. O professor diz que, se o empresário optar pelos fundos, deve estudar o regulamento da aplicação para ver se assume muito risco de crédito.

Uma dica é apurar o rendimento líquido do fundo escolhido e verificar se é melhor do que a remuneração oferecida na modalidade CDB DI, que garante o direito de resgate em caso de necessidade. É importante lembrar que o CDB, na prática, é um empréstimo que o aplicador faz ao banco. Por isso, pesquise bem a qualidade do banco, mesmo que esta opção seja assegurada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que devolve ao aplicador até R$ 250 mil por CNPJ e CPF em caso de quebra da instituição financeira. 

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Nas duas aplicações há a incidência de Imposto de Renda (IR), para a qual é utilizada a tabela regressiva, ou seja, o poupador paga 22,5% sobre a rentabilidade se fizer o resgate em até 180 dias (seis meses). O percentual cai se o dinheiro permanecer por mais tempo na aplicação, chegando a 15% se o resgate for feito a partir de 720 dias (dois anos).

Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, lembra que os fundos de investimentos têm o come-cotas, uma espécie de antecipação da cobrança do IR que é descontada automaticamente da conta dos cotistas nos meses de maio e novembro. 

Calil diz que, com um capital mínimo de R$ 10 mil, é possível encontrar boas alternativas no CDB com liquidez diária. “Tem bancos que pagam 100% do CDI ou mais. É importante lembrar que, se não houver resgate em 30 dias, o aplicador não paga o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)”, comenta.  

O especialista diz que o empresário deve privilegiar a rentabilidade do seu negócio e aplicar os recursos para atravessar um 2015 mais austero e até recessivo. “Será preciso ter prudência até março, quando ocorrerá a revisão da nota de classificação de risco do Brasil pelas agências internacionais. Dependendo dessa revisão, o juro pode subir mais e a atividade ficar mais fraca”, comenta Calil. 

PÓS-FIXADOS

Quem defende que o empresário pesquise bem os fundos e opções de CDB é Rubens Machado, sócio e responsável pela mesa de negociação de crédito privado da XP Investimentos. “Os bancos grandes reduziram o crédito e o apetite por dinheiro para emprestar e, por isso, estão remunerando menos. As empresas devem observar os fundos com atenção”, afirma.

No CDB, ele diz que uma estratégia comum é aplicar R$ 250 mil (limite assegurado pelo FGC) em cada banco, como forma de conseguir diversificação e taxas maiores. Ele afirma que nas instituições médias, é possível conseguir uma taxa de 100% a 105% do CDI em um CDB com liquidez, ante uma remuneração de 95% em um banco grande.  

De uma forma ou de outra, é preciso buscar aplicações pós-fixadas, ou seja, cujo rendimento é definido no futuro, geralmente atrelado a algum índice (Selic ou CDI). Se estes índices subirem, o aplicador garante uma remuneração equivalente. Pelo menos para este começo de 2015 as aplicações prefixadas (cujo rendimento futuro é informado no ato da aplicação) estão mais arriscadas, já que a tendência é que a Selic continue subindo ao longo do período. 

Especialistas dizem que em 2015 o patamar de juro pode até passar de 12,5% ao ano, mas na mais recente pesquisa Focus do Banco Central (realizada com analistas de instituições financeiras), a projeção era que o juro chegasse a 12% no ano que vem. Mas é claro que essa estimativa foi feita antes do aumento de 0,50 ponto percentual na taxa Selic ontem.  

“O importante é evitar dívidas que não sejam prioritárias. É seguir o discurso do governo de gastar menos. Se o ajuste nas contas públicas der certo, em dois anos, o empresário aproveitou para ganhar com as aplicações”, diz Ricardo Humberto Rocha, professor de finanças da FIA. 



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