São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Finanças

Cadastro Positivo depende da adesão dos lojistas
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O banco de dados do Cadastro Positivo pode levar a um mercado de crédito mais saudável -e até à redução da taxa de juros. Mas ele ainda é incipiente. Opera com 1% do potencial

Até pouco tempo atrás o varejista decidia se venderia a crédito para determinado cliente baseado em uma informação bem básica: ele está inadimplente, sim ou não? A resposta era fornecida pelos serviços de proteção ao crédito. Mas a objetividade desse sistema talvez não fosse adequada à complexidade do comportamento financeiro do consumidor, que poderia estar inadimplente, mas tinha possibilidade para sair dessa situação; ou então apresentar as contar em dia, embora estivesse prestes a se tornar um superendividado.

Hoje, o acesso a esse mapa do comportamento financeiro do cliente já é possível por meio do Cadastro Positivo. Ele permite ao lojista enxergar todos os empréstimos abertos pelo consumidor, detalhando quais foram quitados, aqueles que estão atrasados, os gastos mensais com água, luz, telefone, entre outras informações. É um registro preciso que possibilita - mais do que conceder ou negar um crediário com segurança-, moldar o tipo de financiamento que melhor cabe no orçamento do cliente, adequando prazos ou valores do parcelamento, por exemplo.

De maneira sintética, para o lojista, o Cadastro Positivo permite a concessão de crédito mais seguro, o que pode diminuir a inadimplência entre seus clientes. Para o consumidor, a vantagem é o possível acesso a um financiamento mais adequado ao seu orçamento. Esses benefícios pontuais, no médio prazo, poderiam moldar um cenário geral de crédito mais saudável, refletindo até na redução da taxa de juros. É que a inadimplência responde por quase 20% da composição dos juros. Se ela diminuir entre os clientes de várias lojas, pode refletir positivamente na formação das taxas.

LOJISTAS NA LINHA DE FRENTE

Para promover um impacto global na economia o Cadastro Positivo precisa ganhar corpo. Criado em 2011, foi regulamentado em 2012. Sucede que sua penetração junto ao público potencial ainda é baixa. O banco de dados do Cadastro armazena hoje informações de aproximadamente 1,5 milhão de consumidores, em um universo de 120 milhões de brasileiros que formam a população economicamente ativa. Ou seja: funciona com 1% do seu potencial.

Quem pode ajudar a dar impulso a essa ferramenta são os lojistas. São eles que lidam diretamente com os consumidores e, assim, têm melhores condições de trazê-los para essa realidade.

Para que um consumidor seja incluído no banco de dados do Cadastro Positivo é preciso que ele autorize o acesso às suas informações financeiras. Essa autorização é feita por meio do preenchimento de uma ficha, que poderia estar disponível em todas as lojas do país. Alguns grandes varejistas, como Casas Bahia e Riachuelo, fazem parte dessa linha de frente. Mas não é o bastante. “Toda loja tem seu balcão de análise de crédito. Gastando mais cinco minutos é possível que um atendente ajude o consumidor a preencher os dados para se registrar no Cadastro”, sugere Dirceu Gardel, Diretor Jurídico da Boa Vista-SCPC.

Há, atualmente, três birôs de crédito administrando o Cadastro Positivo. A Boa Vista-SCPC, o Serasa Experian e o SPC-Brasil. O lojista pode imprimir a ficha para que seus clientes se cadastrem a partir dos sites dos birôs, ou retirá-las em postos físicos dos mesmos. 
As fichas preenchidas devem ser encaminhadas aos birôs de crédito. “Por uma questão de segurança, já que estamos lidando com informações pessoais dos consumidores, é importante que os lojistas contatem o birô para combinar como será o processo de coleta dessas fichas”, explica Fernanda Monnerat, gerente de Cadastro Positivo do Serasa Experian.

Mesmo antes de se atingir a massa crítica necessária para trazer mudanças significativas na economia - como a redução das taxas de juros - o processo de aumento do volume de consumidores inclusos no Cadastro Positivo tende criar um ambiente de crédito mais saudável. 

A massificação do Cadastro irá possibilitar a criação de ferramentas estatísticas confiáveis para elaborar, por exemplo, o chamado score de crédito, usado para indicar a probabilidade de inadimplência em determinado grupo ou perfil ao qual um consumidor específico se insere.

COMO FUNCIONA

O Cadastro não traz exatamente novas informações. O fato é que o histórico de crédito de um consumidor já está por aí, mas de maneira pulverizada. Os gastos mensais com energia elétrica já estão nas mãos das distribuidoras de energia. As parcelas restantes para quitar financiamentos habitacionais, com os bancos. E assim vai. O que o Cadastro Positivo faz é agrupar essas informações em um único banco de dados.

O acesso a esse conjunto de informações dos consumidores só poderá ser realizado por empresas associadas a um dos birôs de crédito autorizados a manter o Cadastro. Essas informações poderão ser compartilhadas entre os birôs, ou seja: lojistas associados à Boa Vista-SCPC, por exemplo, poderão ter acesso às informações de consumidores capturadas pela Serasa Experian.

Gardel lembra que lojistas ou instituições financeiras poderão acessar as informações dos consumidores quando desejarem. Assim, lojistas podem traçar o perfil financeiro dos seus clientes; e financeiras podem prospectar potenciais tomadores de crédito. “Mas isso de maneira restritiva, não massificada, pois a lei proíbe essa forma de pesquisa”, diz o diretor da Boa Vista-SCPC.

É importante lembrar que os dados aos quais os lojistas terão acesso são relativos ao comportamento financeiro do consumidor. Aqui entram seus gastos com financiamentos e compromissos fixos, como aqueles com tv a cabo,  telefone ou água, entre outros. Não haverá acesso algum a informações da conta bancária do consumidor, ou aplicações financeira.

Os dados dos consumidores poderão ser mantidos no Cadastro Positivo por um período de até 15 anos. Mas a qualquer momento, se assim desejar, o consumidor poderá pedir a exclusão das suas informações do Cadastro, o que terá de ser feito, pelos birôs, em até sete dias.  

No momento atual da economia é importante que uma ferramenta como essa seja massificada. Estima-se que nos últimos 10 anos entre 20 milhões a 30 milhões de novos consumidores tenham ingressado no mercado de crédito. São pessoas que não têm experiência em lidar com empréstimos e, portanto, ficam mais suscetíveis ao superendividamento. O Cadastro Positivo entraria como medida preventiva para evitar isso ao criar meios para a concessão mais direcionada e saudável dos recursos. 



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