São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Brasileiros estão entre os mais otimistas em suas finanças pessoais
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Um levantamento internacional mostra que, apesar disso, enxergam riscos em relação ao seu futuro financeiro. As causas são o desempenho da economia, o alto custo de vida e a inflação

Apesar do ambiente de baixo crescimento econômico no país, os brasileiros figuram entre os mais otimistas em todo o mundo em relação às tendências para suas finanças pessoais. A constatação emerge da pesquisa da gestora de recursos BlackRock, após coletar dados sobre hábitos financeiros e intenções de investimentos de pessoas de diferentes níveis de renda em 20 países.

Segundo o levantamento, 77% dos brasileiros são otimistas em relação ao seu futuro financeiro, patamar acima da média global, que é de 56%. O resultado também é o segundo maior entre os quatro países da América Latina integrantes da pesquisa (Brasil, Colômbia, Chile e México). Os colombianos são os mais otimistas na região, com 88%.

Apesar do otimismo, os brasileiros afirmaram enxergar riscos em relação ao seu futuro financeiro. Dentre essas preocupações, o desempenho da economia do País foi mencionada por 57% dos entrevistados. Em seguida vieram o alto custo de vida (55%) e a inflação (47%). Praticamente metade dos entrevistados no Brasil (49%) acreditam que o cenário econômico do País irá piorar nos próximos 12 meses.

"O nível alto de otimismo e de visualização de riscos pode parecer contraditório", afirmou Karina Saade, diretora operacional do BlackRock no Brasil. "Talvez isso possa ser explicado porque, apesar do baixo crescimento da economia, os salários continuaram crescendo nos últimos anos. E isso aconteceu principalmente entre a população de baixa e média renda, o que reforça o otimismo", disse. "Outra coisa é que os brasileiros respondem às perguntas com um otimismo acima da média", acrescentou Bruno Stein, diretor de negócios da gestora.

O estudo realizado pela BlackRock englobou um total de 27,5 mil pessoas, dos quais 1 mil são brasileiros. Os entrevistados têm entre 25 e 74 anos e responderam ao questionário entre os meses de agosto e setembro do ano passado. No estudo, não foram usadas classificações de renda nem de ativos. Os países analisados foram: Alemanha, Itália, França, Reino Unido,, Holanda, Suécia, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, México, Colômbia, Brasil, Chile, China, Índia, Japão, Taiwan, Hong Kong e Cingapura.

Pela primeira vez, o Brasil foi incluído na pesquisa, que é anual. O diretor da BlackRock para América Latina, Armando Senra, disse enxergar novas oportunidades de negócios no País e mencionou que a companhia planeja trazer gradualmente para cá novos serviços de consultoria financeira, gestão de risco e identificação de produtos financeiros adequados ao perfil de retorno desejado pelos investidores brasileiros. "Nós vemos que há uma montante significativo de dinheiro não investido, que pode migrar para o mercado de equity", afirmou.

A pesquisa da BlackRock apontou que, dentre as prioridades financeiras, 49% dos brasileiros afirmaram que buscam economizar dinheiro, 47% falaram em aumentar o seu patrimônio, e 44% em investir em uma aposentadoria confortável.

Dentre os brasileiros que investem, as aplicações de liquidez imediata são as preferidas, mas há sinais de que muitos estão à procura de novas oportunidades. Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados afirmam investir e 22% dizem economizar metade de sua renda global.

O investimento preferido é o de alta liquidez, como poupança e CDB (64%), seguidos de imóveis (11%), títulos (7%) e ações (4%). O foco, portanto, são os investimentos de alta liquidez, que garantem a sensação de maior segurança para os investidores. No entanto, 45% dizem ter maior propensão em investir em ações hoje do que cinco anos atrás, o que indica um interesse por novas opções de aplicações.

No caso da aposentadoria, há sinais de contradição entre os objetivos futuros e as iniciativas presentes. Apesar da boa intenção com relação ao planejamento da aposentadoria, apenas 57% disseram que já começaram a economizar com esse objetivo. O nível está abaixo da média global, que é de 62%.

Os motivos para não estar economizando e investindo de olho na aposentadoria, segundo 47% dos entrevistados, é o custo de vida elevado no Brasil. Outros 36% disseram que é a renda insuficiente, 29% citaram despesas não planejadas e 21%, dívida alta no cartão de crédito.

Para conquistar novos clientes, Senra frisou ser necessário que pessoas de renda menor tenham a possibilidade de acesso a produtos mais sofisticados que a poupança, mas com volatilidade moderada. "É preciso desenvolver produtos para que não se sintam desconfortáveis nas suas aplicações", disse. Ele também citou que há potencial para desenvolver produtos com retorno no longo prazo, destinados à aposentadoria.

"O problema é que as pessoas, de fato, economizam pouco. E quando economizam, o dinheiro é aplicado em investimentos que não são adequados para garantir o retorno desejado para seus objetivos, como a aposentadoria. Não se pode, por exemplo, economizar para o futuro apenas no futuro", observa Senra.



É curioso notar que a maioria dos entrevistados que manifestaram confiança no desempenho da economia não sabe explicar a razão das expectativas positivas

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