Finanças

Bolsa encerra em queda no primeiro mês de 2015


Desdobramentos dos escândalos na Petrobras continuam a puxar o índice de ações para baixo. Ouro e renda fixa ofereceram maior retorno


  Por Rejane Tamoto 30 de Janeiro de 2015 às 00:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Apesar de ter começado com muitos ajustes na economia, 2015 ainda não está tão diferente do ano passado. Pelo menos no que se refere ao rendimento das aplicações financeiras. 

A bolsa de valores, que fechou 2014 na lanterna, continua com retorno negativo na comparação com outros ativos e encerrou janeiro em queda de 6,20%. 

O que continua a puxar para baixo o Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas e de maior valor de mercado na bolsa) são os escândalos na Petrobras, que começaram no ano passado e continuam repercutindo no mercado neste início de 2015.

Hoje, a ação PN (preferencial, sem direito a voto) da Petrobras caiu 6,51%, acumulando no mês uma queda de 18,36%. 

O mau humor do mercado em relação ao papel piorou com o rebaixamento da nota de classificação de risco de crédito da estatal para BAA3 pela agência internacional Moody’s, na madrugada. A agência ainda deixou clara a possibilidade de novos rebaixamentos na nota, o que na prática significa que aumentou o risco de calote da empresa. A medida foi tomada após a Petrobras divulgar um balanço não auditado.

Além disso, os resultados do setor público (governos federal, estadual e municipal), divulgados hoje, mostram um déficit primário de R$ 12,894 bilhões em dezembro, o pior resultado para o mês desde 2001. 

Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que outras notícias também não ajudaram a bolsa, começando pelos ajustes efetuados pela nova equipe econômica, que resultaram em aumento de impostos, e a perspectiva de que a inflação e os juros continuarão altos, enquanto a projeção de crescimento só diminui. Soma-se a isso a possibilidade de racionamento de água e de energia, que refletirão no desempenho da economia.

Ele avalia que, ao mesmo tempo que esses dados afugentam o investidor estrangeiro de papéis da Petrobras e de outras ações na bolsa brasileira, dados da economia internacional mostram aumento da confiança nos Estados Unidos e incentivos à economia da Europa, como início do programa de compra de títulos pelo Banco Central europeu neste mês. 

O programa de estímulos na Europa, no qual a autoridade monetária local vai injetar dinheiro na economia, fizeram o euro se desvalorizar frente ao dólar e, consequentemente, em relação ao real. A moeda europeia fechou em queda de 6,31% em janeiro. 

Esse movimento, na opinião de Colombo, também explica em parte a valorização do ouro no mês, que foi de 7,50%. “Com os juros baixos na Europa, os investidores tendem a migrar para ativos reais como o ouro. A alta do metal também está relacionada com a valorização do dólar, já que ele é cotado nesta moeda”, afirma.

O dólar, que acumulava desvalorização até ontem, voltou a subir hoje e encerrou o mês com valorização de 1,01%. “O ministro Joaquim Levy disse hoje que não fará força extra para segurar a cotação do dólar, o que fez a moeda subir. Isso pode beneficiar empresas que exportam, mas ainda há a preocupação com a inflação. É difícil falar sobre uma tendência para a moeda porque ainda há a possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos, o que influencia a taxa de câmbio de todos os países”, diz o administrador. 

RENDA FIXA E OS JUROS
Com o aumento da taxa de juros Selic neste mês para 12,25% ao ano, a renda fixa acumulou bons resultados. Na opinião de Colombo, a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, mostra que ainda há tendência de aumento da Selic. 

Isso porque a inflação deve demorar a dar sinais de queda neste começo de ano. A projeção de Colombo para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro é de 1,24%. O índice oficial será divulgado na semana que vem.  

Com isso, os títulos públicos indexados ao IPCA devem encerrar o mês com rentabilidade de 1,60% a 1,75% e, ao longo do mês de fevereiro, a tendência é que continuem oferecendo um bom retorno.  

Os fundos de renda fixa podem apresentar resultados voláteis em fevereiro por causa da marcação a mercado dos títulos (a atualização diária da carteira a valor de mercado). Nessa atualização, o valor leva em consideração os juros futuros, que favoreceram a aplicação neste mês. O rendimento dos fundos de renda fixa em janeiro foi de 1,10% a 1,25%, dependendo da taxa de administração.

Segundo Colombo, os fundos DI devem continuar com bom desempenho em fevereiro por causa da alta dos juros. Neste mês, renderam de 0,85% a 1%, dependendo da taxa de administração do fundo.   

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que ofereceram retorno de 0,80% a 0,95% em janeiro, de acordo com o valor investido, devem ter desempenho similar aos fundos DI em fevereiro, com remuneração indicativa de 85% a 110% do rendimento do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos). 

Na renda fixa, apenas a poupança ofereceu retorno abaixo da inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). A caderneta com aniversário no dia 1° de fevereiro rendeu 0,59%, menos do que o IGP-M de 0,76% de janeiro. “Só é interessante para investidores que não têm acesso a outras aplicações na renda fixa”, diz Colombo.