São Paulo, 22 de Julho de 2017

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Alta na renegociação de dívidas pode sinalizar piora da inadimplência
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Aumento no volume de dívidas renegociadas pode ameaçar o índice de inadimplência, por enquanto estável

O volume de renegociação de dívidas - que aparece nos dados sobre crédito divulgados nesta terça-feira (23/06) pelo Banco Central (BC) - chamou a atenção de José Francisco de Lima Gonçalves, economista do Banco Fator. Para ele, a retomada do crescimento desse indicador pode sinalizar uma piora da inadimplência nos próximos meses.

De acordo com dados do BC, o volume de crédito que foi renegociado pelos consumidores em maio subiu 2,6% ante abril, para R$ 23,4 bilhões. 

A marca de R$ 23 bilhões não era vista desde dezembro de 2013. Entram nessa conta as operações de empréstimos às pessoas físicas associadas à renegociação ou composição de dívidas vencidas. 

No final do ano passado, o montante dessas operações estava em R$ 21,9 bilhões, mas desde fevereiro de 2015 vem mostrando elevação, todos os meses.

"Isso pode mostrar que o mercado caminha rapidamente para uma situação de piora de inadimplência", diz o economista. 

O nível de calote ficou praticamente estável no mês passado, em 4,7% ante taxa de 4,6% vista em abril. 

A inadimplência do consumidor com os bancos passou de 5,3% em abril para 5,4% em maio. O índice de calote das empresas teve o mesmo comportamento, passando de 3,9% para 4% de um mês para o outro. Desde o início do ano, verifica-se uma certa estabilidade no volume de calote ao sistema financeiro.

A inadimplência do crédito direcionado (com recursos subsidiados) ficou estável em 1,2% entre abril e maio. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 3% em maio ante mesmo número em abril.

A situação ainda é vista como confortável pelo BC. "As dívidas renegociadas das famílias vinham caindo, mas podem sinalizar uma prévia de inadimplência. O próximo passo, se continuar piorando, é de que vá em frente", afirma. 

No passado, o BC avaliou que o aumento dessas renegociações estava relacionado a uma tentativa do consumidor de troca de taxas elevadas de financiamentos por outras mais baixas. Agora, no entanto, o momento é de alta dos juros em praticamente todos os segmentos de crédito.

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Foto: Thinkstock



O indicador acusou superávit de US$ 715 milhões de janeiro a junho, contra déficit de US$ 8,487 bilhões no mesmo período de 2016, de acordo com o Banco Central

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