São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Finanças

5 maneiras de sobreviver ao ajuste fiscal
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O governo precisa arrumar as contas públicas com aumento de receitas e corte de gastos. A tarefa já começou com elevação de impostos e de juros. Saiba atravessar esse período sem perder o rumo do seu orçamento

Parece só um saco de maldades, mas não é tão simples assim. O fato é que as medidas para o governo arrumar as contas públicas – o tão comentado ajuste fiscal – serão duras neste ano, mas necessárias. Nesse período, o jeito é se adaptar e seguir a mesma palavra de ordem: economizar. Especialista dá cinco dicas para sobreviver a esse período.

O fato é que o conjunto de medidas tem o objetivo de aumentar a economia do governo, o chamado superávit primário, e atingir um total de 1,2% do Produto Interno Bruto (soma de todos os bens e serviços produzidos pela economia) neste ano. 

Isso vai ajudar a reduzir a dívida pública em uma equação que, no longo prazo, promete trazer de volta a inflação a níveis razoáveis e os juros para um patamar reduzido. 

Mas nesse momento, o governo precisa arrecadar mais. E por isso trouxe de volta impostos e contribuições que não estavam sendo cobrados para incentivar setores da economia. Para ilustrar isso, basta verificar a volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de automóveis e o retorno da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que fez subir o preço da gasolina. Além disso, aumentou a alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de empréstimos para pessoas físicas. 

Os ajustes em preços aceleraram a inflação neste começo de ano, que já passou da casa dos 7% no acumulado de 12 meses. 

Para segurar essa escalada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central continuou a subir a taxa básica de juros da economia (Selic) neste começo de ano. A Selic está em 12,25% ao ano e a próxima reunião, na qual o comitê define se essa taxa sobe ou permanece no mesmo patamar, terminará na próxima quarta-feira (04/03). 

Mas o que tudo isso tem a ver com o bolso? Tudo. É o que diz o especialista Ricardo Figueiredo, consultor do Programa Vida Investe, iniciativa de educação financeira da Funcesp (Fundação Cesp). 

Ele listou cinco dicas para adequar as finanças pessoais ao ajuste fiscal. 

 

 

Não importa se o empréstimo ou financiamento é de curto, médio ou longo prazos. Antes de entrar em um é preciso parar e pensar. Ou seja, agir com cautela, já que os bancos ajustaram as taxas de juros de diversas linhas, de acordo com o atual cenário.

Assim, nem mesmo os juros do financiamento imobiliário, até então mais baixos que as linhas voltadas ao consumo, escaparam dos ajustes. 

Figueiredo diz que o custo do crédito subiu por causa dos juros, mas não foi só isso. “O governo aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de empréstimos para pessoa física. Quem puder postergar a tomada de crédito deve fazer isso. Quem precisar muito, deve pesquisar bastante para encontrar a melhor condição”, diz. 

Ele recomenda controle ao usar cartão de crédito e cheque especial, para evitar o endividamento excessivo. 

 

Apesar da oferta de parcelamentos sem juros na hora de comprar um produto, pode ser um bom momento de evitar o comprometimento com prestações. 

Quem não precisa de um determinado bem de imediato pode recorrer ao autofinanciamento, ou seja, poupar para ganhar com os juros. E, no futuro, comprar o produto por um preço melhor. 

A ideia também é que nesse momento de aperto o consumidor tenha uma poupança para realizar um projeto futuro e não tenha problemas com imprevistos. 

Pesquisa da Boa Vista Serviços SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) em parceria com o programa Finanças Práticas, da Visa do Brasil, mostra que 43% de um total de mil entrevistados da classe C guardam dinheiro para emergências e imprevistos. O segundo maior objetivo, de 26% dos entrevistados, é a compra da casa própria. 

 

Longe da polêmica de desestímulo ao uso do automóvel, como a que gerou a ciclofaixa, rever o uso do carro pode ajudar a preservar o orçamento. 

O aumento no preço dos combustíveis pode ser uma oportunidade de pensar nisso. E não é só por isso que a pessoa precisa, necessariamente, deixar o carro na garagem.

“Uma dica é programar um esquema de caronas com vizinhos ou colegas de trabalho que morem na mesma região. Isso pode ajudar a diluir o aumento das despesas com gasolina ou etanol no orçamento", afirma.  

Figueiredo também diz que dá para aproveitar e considerar deixar o carro na garagem uma vez ou outra, especialmente se a pessoa não for percorrer longas distâncias. Exemplo é na hora de comprar o pãozinho, por exemplo. 

 

Essa vai para quem já tem um dinheiro guardado. Talvez a única boa oportunidade desse período de ajuste fiscal seja o retorno oferecidos pelas aplicações de renda fixa. Há boas opções que pagam o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos) ou mesmo a Selic. 

“São aplicações com um retorno acima da inflação. Na hora de escolher, é bom ficar atento ao planejamento do prazo de resgate”. 

Segundo o consultor, no curto prazo há a opção de aplicar em fundos mas também em títulos públicos do Tesouro Nacional que são pós-fixados, ou seja, acompanham a variação da Selic. São as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro). O ideal é observar o prazo, já que sobre essa aplicação incide Imposto de Renda, cobrado de forma regressiva. Quanto mais tempo o dinheiro fica na aplicação, menor é a alíquota. 

“A LFT pode ser boa opção para este ano porque o mercado ainda acredita que o ciclo de juros altos não acabou”, diz.

Para se ter uma ideia, analistas que participam do relatório Focus do Banco Central estimam que o juro básico fique em 12,75% até o fim deste ano. Uma nova reunião para definir o rumo da Selic está marcada para os dias 3 e 4 de março. 

Para quem tem mais tempo para guardar dinheiro, Figueiredo diz que uma opção é a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B), um título público que paga um cupom de juros mais a inflação.

“No entanto, o ideal é ficar com ele até o vencimento, que costuma ser por um prazo longo. Isso porque a taxa paga nesses títulos muda diariamente, de acordo com as expectativas da economia. Quem sai da aplicação (vende o título) antes do vencimento pode ter um retorno desfavorável”, diz.

 

As ações negociadas na bolsa de valores são investimentos de longo prazo e quem já tinha aplicações deve decidir se espera uma recuperação ou se sai. Pode não ser fácil, mas para quem não está na bolsa – e não tem lá muita noção do que comprar – talvez seja melhor ficar de fora por enquanto. 

A recomendação de Figueiredo é cautela para esse investidor, já que é difícil saber qual é o melhor ponto de entrada e o de saída no mercado de ações. “Quem quer participar desse universo deve se aprofundar no assunto, fazer cursos e descobrir se aguenta a volatilidade”, afirma.

Apesar de um cenário mais bonito para 2016, de colheita de tudo que está sendo plantado na economia pelo governo neste ano, o investimento em ações é naturalmente mais arriscado e de maior retorno. E isso deve ser considerado pelo aplicador mais conservador.  



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Em relação ao Regime Próprio de Previdência, que paga as aposentadorias dos servidores públicos, excedente será de cerca de R$ 60 bilhões em 10 anos

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