São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Economia

Varejo começa a sair da crise, mas cenário político preocupa
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Para Alencar Burti, presidente da ACSP, é preciso esperar mais alguns meses para saber se a economia se descolou da política

Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), em maio, as vendas do varejo restrito (que não considera veículos e materiais de construção) e ampliado (que inclui todos os segmentos) aumentaram, sobre o mesmo mês de 2016, 2,4% e 4,5%, respectivamente.

Na comparação mensal, contudo, livre de efeitos sazonais, houve queda no volume comercializado de 0,1%, para o restrito, e 0.7% para o ampliado.

Na opinião de Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o crescimento de 4,5% do varejo ampliado aponta que as quedas da Selic e a liberação do FGTS podem ter estimulado vendas parceladas de produtos de maior valor, mais dependentes de crédito, como veículos, móveis, eletrodomésticos e material de construção.

“Numa visão geral, os dados de maio são bons, mas o cenário é nebuloso. Precisamos aguardar os números dos próximos meses para sabermos se realmente a economia se descolou da política”, afirma Burti.

Já a variação negativa de 0,7% na passagem de abril para maio, segundo Burti, “pode ser indício de que a confiança do consumidor está sendo afetada pelas incertezas que a turbulência política gera.”

Nos resultados acumulados em 12 meses, que permitem apreciar de forma mais clara a tendência das vendas, os varejos restrito e ampliado mostraram contrações de 3,6% e 5,2%, respectivamente. 

Essas contrações continuaram a perder intensidade em relação a abril, mantendo-se a mesma base de comparação (-4,6% e -6,3%), o que segue sugerindo que o setor está se recuperando, porém de forma bastante lenta.

Na comparação com igual mês do ano passado, foi o segundo mês consecutivo de crescimento das vendas do varejo restrito. 

É importante notar que, em relação a maio de 2016, praticamente todos os segmentos do varejo apresentaram aumento das vendas, à exceção dos supermercados, onde houve estabilidade. Os destaques estiveram por conta de bens de maior valor, tais como móveis e eletrodomésticos (13,8%), material de construção (9,3%), equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação (8,8%) e veículos (4,5%).

Para os economistas da ACSP, há uma indiscutível recuperação das vendas após dois anos consecutivos de quedas, que enfraqueceram a base de comparação. Para eles, a recuperação continua lenta, mas já parece estar delineada nos resultados acumulados em 12 meses.

IMAGEM: Thinkstock



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