São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Economia

Supermercados têm queda de 1,3% no primeiro trimestre
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IBGE mostra que as vendas no varejo caíram 0,9% entre fevereiro e março. Alencar Burti, presidente da Fapesp e da ACSP, alertou o Banco Central para que não desacelere ainda mais a economia por meio de juros maiores

Diante do orçamento mais comprometido e do menor avanço da renda os consumidores estão pensando duas vezes antes de fazer a lista de supermercado. Bens que não são essenciais estão sendo limados do roteiro de compras, o que tem provocado baixa nas vendas do setor. 

Na passagem de fevereiro para março as vendas dos supermercados recuaram 2,2%. No primeiro trimestre a queda acumulada é de 1,3%, segundo divulgou nessa quinta-feira, 14, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Alendar Burti, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), disse que essas informações reafirmam a tendência de desaceleração das vendas, que deve se estender ao longo do ano.

Ele alerta o Banco Central sobre os efeitos ruins na economia de novas altas de juros. "Um novo aumento da Selic iria agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas atualmente pelo comércio", afirmou.

Para Juliana Paiva Vasconcelos, gerente da Coordenação de serviços e Comércio do IBGE, "as famílias estão cortando os bens que não são essenciais da lista de supermercado. É a primeira coisa que se faz quando se está com restrição orçamentária",

Além do menor avanço da renda, outros fatores têm afetado a decisão de compras das famílias brasileiras. "Há um arrefecimento do consumo de forma geral, mas algumas atividades têm sido mais impactadas do que outras. O crédito está crescendo menos, assim como a renda, e a inflação está elevada", disse Juliana.

Segundo a gerente, um dos setores mais afetados pelo crédito é o de veículos, cujas vendas cederam 4,6% em março, na comparação com fevereiro. Nos primeiros três meses do ano as vendas de veículos já acumulam queda de 14,8%. 

"O segmento vinha recebendo muitos incentivos do governo para as vendas, e agora há redução do ritmo bem clara. Com a retirada do desconto no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a conjuntura econômica desfavorável, a restrição ao crédito e a menor renda, é normal que as famílias coloquem o pé no freio no consumo desse bem", afirmou Juliana.

O resultado para o segmento de materiais de construção foi positivo na comparação entre março deste ano e do ano passado, com alta de 2,8%. Entretanto, no primeiro trimestre esse segmento acumula queda de 4,4% nas vendas. 

"Houve uma pequena retomada de reformas em casas o que ajudou essa agenda de material de construção", explicou Juliana. O segmento também foi influenciado pelo maior número de dias úteis em março deste ano, já que, em 2014, o Carnaval foi celebrado no terceiro mês do ano.

DESEMPENHO DO VAREJO

As vendas do varejo brasileiro caíram 0,9% na passagem de fevereiro para março. O resultado, que diz respeito ao varejo restrito - não incluí vendas de veículos e materiais de construção -, é o segundo negativo do ano. Já havia recuado 0,4% entre janeiro e fevereiro. Na comparação com março do ano passado houve alta de 0,4%.

As informações são do IBGE. O instituto traz ainda que no primeiro trimestre as vendas recuam 0,8%. Já no acumulado em 12 meses ainda se mantêm positivas, com alta de 1%.

No caso das vendas do varejo ampliado – que incluem materiais de construção e veículos – a queda observada em março, contra fevereiro, foi ainda maior, de 1,6%. Comparadas com março de 2014 o recuo foi de 0,7%. No trimestre acumulam queda de 5,3% e em 12 meses, de 3,4%.

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