São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Economia

Serviços têm pior resultado desde 2012
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A receita do setor cresceu apenas 1,6% em janeiro passado. A desaceleração no ritmo de alta foi puxada por cortes de empresas e governo

Setor que geralmente pressiona a inflação oficial e que corresponde a 60% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos pelo país), os serviços registraram um crescimento menor na receita em janeiro, de apenas 1,6% na comparação com igual mês do ano passado, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em São Paulo, o crescimento da receita foi ainda menor, de 0,4%. A desaceleração, segundo o instituto, tem sido puxada pelo corte de gastos do governo e de empresas privadas.

O resultado geral reflete a demanda e o mercado de trabalho mais fracos, além do crédito mais caro e o nível de confiança dos consumidores e empresários baixos, avaliou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada.

"Tem um movimento de desaceleração em serviços e, quando deflacionamos, o resultado migra para uma queda. É intensificação do processo de recuo da receita em termos reais", diz Bacciotti.

Avaliação parecida do recuo fez Fábio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados. Para ele, o resultado desastroso do setor de serviços em janeiro é reflexo do enfraquecimento do setor industrial e das exportações iniciado há mais de um ano.

"O setor de serviços não é independente do resto da economia. A queda de renda e o desemprego do setor industrial e o enfraquecimento da atividade exportadora começam a propagar seus efeitos para o comércio e serviços", diz.

Silveira diz que a perspectiva para o setor de serviços é ruim. Um dos motivos é a desaceleração dos investimentos, promovida tanto pelo setor público, com o ajuste fiscal em curso, quanto pelo setor privado, a reboque do escândalo na Petrobras, da paralisação das empresas envolvidas na Operação Lava Jato e da quebra de confiança do empresariado.

Segundo o IBGE, a alta de apenas 1,6% em janeiro foi o pior resultado da série histórica iniciada em 2012. Para se ter uma ideia, a alta em dezembro do ano passado foi de 4,2%. Já em janeiro de 2014 sobre o mesmo mês de 2013, havia sido de 9,3%.

Se descontada a inflação do setor de serviços, que compõe o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a queda real de receita foi de 6,6%. 

 “O setor iniciou o ano com mau presságio e mostra que pode haver recessão. Os serviços estavam segurando o PIB e o emprego, na comparação com a indústria e o comércio. O único ponto positivo dessa desaceleração, porém, é que ela deve diminuir a pressão sobre o IPCA”, diz Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O economista afirma que enquanto o IPCA estava em 7,14% em janeiro no acumulado de 12 meses, a inflação de serviços dentro do mesmo índice estava em 8,76% no mês.

Apesar disso, a maior pressão sobre o IPCA neste começo de ano foi causada pelo aumento dos preços administrados (energia, transportes e combustíveis). 

O menor crescimento da receita nominal do setor de serviços foi decorrente do corte de gastos do governo e de empresas privadas, sobretudo com serviços avançados, segundo Roberto Saldanha, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

"Nós identificamos no mês de janeiro uma retração bastante significativa no setor de informação e comunicação. Tanto as empresas quanto o governo reduziram seus gastos em contratações, principalmente de serviços de informática. Foi um corte muito forte", afirma Saldanha.

Ele diz que os contratos não estão sendo renovados, e sim adiados. Segundo o técnico, as empresas privadas também estão cortando gastos em serviços avançados, que incluem serviços de telecomunicação, informática e serviços técnico-profissionais, incluindo consultoria, publicidade e propaganda, e engenharia e arquitetura.

"Essa desaceleração no índice foi basicamente em função da redução na demanda por serviços avançados, tanto tecnologicamente quanto em termos de conhecimento", justificou o pesquisador.

O IBGE aponta que estão sendo mantidos os gastos com serviços administrativos e complementares, considerados básicos. "São aqueles que as empresas têm de manter, como os de portaria, limpeza e segurança. O que pode ser cortado ou adiado, as empresas estão cortando", diz.

SÃO PAULO: CORTE DE GASTOS 

São Paulo, que responde por quase um terço da pesquisa do IBGE, foi responsável por uma alta de apenas 0,4% na receita de serviços em janeiro. O Estado foi atingido, principalmente, pelo corte de gastos de empresas privadas.

"São Paulo tem a maior concentração empresarial, e é por isso mesmo que tem o maior peso dentro do setor de serviços. As maiores empresas que reduziram essa contratação de serviços estão em São Paulo”, diz Saldanha. 

Os subsegmentos mais atingidos pelos cortes em São Paulo foram os serviços de informática, telecomunicações e serviços técnico-profissionais como um todo.

Já os destaques de alta, segundo o IBGE, foram Rio Grande do Norte (9,2%), Ceará (7,2%) e Pará (6,6%). Essas regiões, no entanto, foram impulsionadas pelo setor de turismo no mês de janeiro.

O crescimento foi bem mais modesto nos locais com peso maior na pesquisa, como Rio de Janeiro (2,5%), Minas Gerais (2%) e Distrito Federal (2,8%).

Os Estados com retração nos serviços em janeiro foram Alagoas (-7,4%), Amapá (-4,7%), Roraima (-4,1%), Piauí (-3,2%), Sergipe (-3,1%), Acre (-1,6%) Maranhão (-0,8%) e Paraíba (-0,3%). O Amazonas não apresentou variação em janeiro de 2015 em relação a janeiro de 2014. 

* Com Rejane Tamoto, do Diário do Comércio



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