São Paulo, 29 de Maio de 2017

/ Economia

Resultado fiscal de janeiro sinaliza o que será 2015
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Além do expressivo corte de despesas do Orçamento, que incluirá os gastos com investimentos federais, o governo continua a avaliar aumentos de impostos

Marcado por várias turbulências, o primeiro mês do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff foi um "aperitivo" do que pode ser esperado ao longo de 2015. Uma dramática situação fiscal, que eleva a dívida pública, inflação e taxa de juros em alta, risco de racionamento de energia e água e baixo ritmo de crescimento econômico. Embora o termo "recessão" esteja proibido no Palácio do Planalto, a nova equipe econômica tem consciência de que, diante da variedade de problemas, dificilmente o PIB vai reagir neste ano.

O jornal "O Estado de S. Paulo" apurou que, além do expressivo corte de despesas do Orçamento, que incluirá os gastos com investimentos federais, o governo continua a avaliar aumentos de impostos. Outra saída em estudo, mas ainda embrionária, é reduzir a meta fiscal de 2015 - que ficou mais distante depois do buraco de R$ 32,5 bilhões aberto em 2014.

O ano passado terminou com o primeiro déficit fiscal das séries históricas do Tesouro Nacional e do Banco Central. O rombo primário de R$ 32,5 bilhões no setor público consolidado (União, Estados e municípios) fez a dívida bruta chegar a 63,4% do Produto Interno Bruto (PIB) - um salto de 6,7 pontos porcentuais, como proporção do PIB, em apenas 12 meses. Isso elevou o déficit nominal a níveis estratosféricos: 6,3% do PIB, o maior nível da história.

Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal indicador de inflação do País, deve ter registrado uma alta de 1,1% no mês passado, segundo estimativa interna do Ministério da Fazenda. Se confirmado, será o pior mês de janeiro, de uma perspectiva inflacionária, em 12 anos. Com mais inflação, a renda disponível para o consumo das famílias é menor.

"Perto dos desafios de hoje, a missão ingrata que tivemos em 2003 é fichinha", disse o economista Alexandre Schwarstman, diretor do BC entre 2003 e 2006. "Os números fiscais são horrorosos e vão exigir foco total ao longo de todo o ano e também de 2016 e 2017. As medidas tomadas vão no caminho certo, mas todos continuam céticos: será que o governo terá pulso firme durante todo o tempo necessário?", disse Schwartsman.

SINAIS POSITIVOS
Como a nova equipe econômica sinalizou que a situação deve "piorar antes de melhorar", o mercado tem percebido sinais positivos em decorrência dos ajustes que já começaram a ser feitos nas contas públicas. Além da queda dos juros de longo prazo, negociados diariamente pelo mercado financeiro, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, aponta que a confiança na indústria começou a apresentar melhoras desde novembro do ano passado. "Em parte é um ‘efeito Joaquim Levy’. Além disso, certamente o real estaria ainda mais desvalorizado hoje não fossem as medidas de busca da credibilidade perdida na área fiscal", disse Vale.

Os economistas consultados pela reportagem avaliam que o PIB deve registrar uma retração neste ano. A tão negada "recessão", portanto, parece irreversível. "O PIB deve ter crescido 0,1% em 2014. Como alguém pode imaginar que, com todo o aperto fiscal e monetário conduzido pelo governo, e o risco real de racionamento, ele poderá ser melhor em 2015? Qualquer coisa pior, portanto, já indica recessão. É até meio óbvio", disse Schwartsman.

Ex-presidente da Sabesp, o economista Gesner Oliveira, da consultoria GO Associados, calculou os efeitos de um eventual racionamento sobre o crescimento econômico. No melhor cenário, a economia ainda conseguiria crescer 0,5%. Mas, dependendo do número de dias úteis afetados pelo racionamento, o desempenho piora. No quadro mais pessimista, a projeção chega a uma queda de 3,5%.

 



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