São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Economia

Projeções para a inflação e a recessão pioram
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Economistas elevam a expectativa para a inflação e a retração da economia. Organizações do Brasil e do exterior esperam enfraquecimento da economia do país

Semanalmente os economistas de instituições financeiras que participam do relatório de mercado Focus pioram as projeções para a economia brasileira. Nesta segunda-feira (08/06) não foi diferente.

Além disso, prognósticos negativos foram divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e entidades setoriais. 

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou que espera queda de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços do país) neste ano. A entidade também diz que o IPCA deve encerrar 2015 entre 8,8% e 8,9%. 

No relatório Focus, os economistas elevaram a projeção para a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao fim de 2015 para 8,46% ante expectativa de 8,39% da semana anterior. 

Os economistas elevaram a expectativa para a inflação pela oitava semana consecutiva. No acumulado de 12 meses até abril, o índice ficou em 8,17% e a divulgação para o resultado de maio ocorrerá na próxima quarta-feira (10/06). 

Para maio e junho, as previsões foram mantidas em, respectivamente 0,55% e 0,40%, como na semana anterior. Há um mês estavam em 0,50% e 0,30%.

A projeção de 5,50% para o IPCA no fim de 2016 ficou inalterada pela terceira semana consecutiva.

O grupo dos economistas que mais acertam as previsões, o Top 5, também manteve a expectativa para a inflação inalterada, ou em 6%, pela quarta semana seguida. Para o fim deste ano, o grupo espera que o IPCA fique em 8,88%. 

Parte da piora da expectativa está relacionada ao avanço dos preços administrados (controlados pelo governo), para os quais a projeção é de elevação de 13,94%. Há um mês, a expectativa era de 13,20%. 

O próprio Banco Central espera que que esse conjunto de preços tenha maior peso sobre a inflação neste ano. A mais recente ata do Copom (Comitê de Política Monetária) mostra que a alta dos preços administrados em 2015 será de 11,8%, e não mais de 10,7% como no documento anterior. Uma edição atualizada da ata do Copom será apresentada na próxima quinta-feira (11/06). 

Com a inflação pressionada, os analistas mantiveram a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) encerre este ano em 14%. Para o fim de 2016, a projeção permaneceu em 12% ao ano. Já o grupo Top 5 espera que a Selic encerre este ano em 13,75% e que chegue ao final de 2016 em 11,50%. 

OCDE VÊ ENFRAQUECIMENTO DO BRASIL

Com isso, a perspectiva é a de que a economia vai encolher ainda mais. Para o PIB os analistas projetam queda de 1,30%, ante previsão anterior de recuo de 1,27%. Para 2016, os economistas mantiveram o crescimento de 1%. 

Parte dessa retração será puxada pela produção industrial. Isso porque os analistas esperam queda de 3,20%. Há quatro semanas, a perspectiva era de recuo de 2,50%. 

O fraco desempenho da indústria já afeta o comércio. Pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostra que a confiança do empresário do comércio caiu 0,2% em maio na comparação com abril. 

Apesar do número baixo - sendo esta a menor queda mensal do indicador desde setembro do ano passado - a confiança vem despencando ao longo de 12 meses. Na comparação com maio de 2014, o tombou foi de 24,8%, segundo a CNC.

A pesquisa mensal de indicadores antecedentes, elaborada pela OCDE, apontou o enfraquecimento econômico do Brasil, China, Estados Unidos e Canadá. 

No caso do Brasil, o dado recuou para 99,0 em abril, de 99,1 em março, sinalizando "perda de ímpeto no crescimento". 

Na China, a leitura declinou para 97,5, de 97,7, com "amenização" da expansão.
 
Nos Estados Unidos, a queda do índice foi de 99,7 em março para 99,5 em abril, indicando que a economia norte-americana poderá não ter uma recuperação significativa em relação à queda anual de 0,7% verificada no primeiro trimestre. 

O resultado do Canadá, por sua vez, cedeu de 99,5 para 99,3.

O índice de indicadores antecedentes dos 34 integrantes da OCDE ficou estável em abril, em 100,1, assim como o da zona do euro, que permaneceu em 100,7. Uma leitura de 100,0 sinaliza crescimento de uma economia em sua taxa de tendência ou na média das últimas décadas, embora a taxa de tendência varie entre os países. As economias em desenvolvimento normalmente possuem taxas mais elevadas do que as economias desenvolvidas. 


 



Redução maior foi discutida na reunião do Copom, mas ainda depende da queda na resistência de alguns componentes do índice de preços, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BC

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Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

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É a primeira vez desde fevereiro de 2014 que o volume produzido em um mês supera o resultado alcançado em igual mês do ano anterior, de acordo com a Anfavea.

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