São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Economia

Projeções para a inflação e a recessão pioram
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Economistas elevam a expectativa para a inflação e a retração da economia. Organizações do Brasil e do exterior esperam enfraquecimento da economia do país

Semanalmente os economistas de instituições financeiras que participam do relatório de mercado Focus pioram as projeções para a economia brasileira. Nesta segunda-feira (08/06) não foi diferente.

Além disso, prognósticos negativos foram divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e entidades setoriais. 

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou que espera queda de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços do país) neste ano. A entidade também diz que o IPCA deve encerrar 2015 entre 8,8% e 8,9%. 

No relatório Focus, os economistas elevaram a projeção para a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao fim de 2015 para 8,46% ante expectativa de 8,39% da semana anterior. 

Os economistas elevaram a expectativa para a inflação pela oitava semana consecutiva. No acumulado de 12 meses até abril, o índice ficou em 8,17% e a divulgação para o resultado de maio ocorrerá na próxima quarta-feira (10/06). 

Para maio e junho, as previsões foram mantidas em, respectivamente 0,55% e 0,40%, como na semana anterior. Há um mês estavam em 0,50% e 0,30%.

A projeção de 5,50% para o IPCA no fim de 2016 ficou inalterada pela terceira semana consecutiva.

O grupo dos economistas que mais acertam as previsões, o Top 5, também manteve a expectativa para a inflação inalterada, ou em 6%, pela quarta semana seguida. Para o fim deste ano, o grupo espera que o IPCA fique em 8,88%. 

Parte da piora da expectativa está relacionada ao avanço dos preços administrados (controlados pelo governo), para os quais a projeção é de elevação de 13,94%. Há um mês, a expectativa era de 13,20%. 

O próprio Banco Central espera que que esse conjunto de preços tenha maior peso sobre a inflação neste ano. A mais recente ata do Copom (Comitê de Política Monetária) mostra que a alta dos preços administrados em 2015 será de 11,8%, e não mais de 10,7% como no documento anterior. Uma edição atualizada da ata do Copom será apresentada na próxima quinta-feira (11/06). 

Com a inflação pressionada, os analistas mantiveram a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) encerre este ano em 14%. Para o fim de 2016, a projeção permaneceu em 12% ao ano. Já o grupo Top 5 espera que a Selic encerre este ano em 13,75% e que chegue ao final de 2016 em 11,50%. 

OCDE VÊ ENFRAQUECIMENTO DO BRASIL

Com isso, a perspectiva é a de que a economia vai encolher ainda mais. Para o PIB os analistas projetam queda de 1,30%, ante previsão anterior de recuo de 1,27%. Para 2016, os economistas mantiveram o crescimento de 1%. 

Parte dessa retração será puxada pela produção industrial. Isso porque os analistas esperam queda de 3,20%. Há quatro semanas, a perspectiva era de recuo de 2,50%. 

O fraco desempenho da indústria já afeta o comércio. Pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostra que a confiança do empresário do comércio caiu 0,2% em maio na comparação com abril. 

Apesar do número baixo - sendo esta a menor queda mensal do indicador desde setembro do ano passado - a confiança vem despencando ao longo de 12 meses. Na comparação com maio de 2014, o tombou foi de 24,8%, segundo a CNC.

A pesquisa mensal de indicadores antecedentes, elaborada pela OCDE, apontou o enfraquecimento econômico do Brasil, China, Estados Unidos e Canadá. 

No caso do Brasil, o dado recuou para 99,0 em abril, de 99,1 em março, sinalizando "perda de ímpeto no crescimento". 

Na China, a leitura declinou para 97,5, de 97,7, com "amenização" da expansão.
 
Nos Estados Unidos, a queda do índice foi de 99,7 em março para 99,5 em abril, indicando que a economia norte-americana poderá não ter uma recuperação significativa em relação à queda anual de 0,7% verificada no primeiro trimestre. 

O resultado do Canadá, por sua vez, cedeu de 99,5 para 99,3.

O índice de indicadores antecedentes dos 34 integrantes da OCDE ficou estável em abril, em 100,1, assim como o da zona do euro, que permaneceu em 100,7. Uma leitura de 100,0 sinaliza crescimento de uma economia em sua taxa de tendência ou na média das últimas décadas, embora a taxa de tendência varie entre os países. As economias em desenvolvimento normalmente possuem taxas mais elevadas do que as economias desenvolvidas. 


 



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