São Paulo, 27 de Abril de 2017

/ Economia

Produção industrial recua em abril. CNI já fala em recessão
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Levantamento mostrou que 19 dos 24 ramos pesquisados registraram queda na passagem de março para abril. No ano, a produção já acumula recuo de 6,3%

A produção industrial recuou 1,2% em abril com relação a março. Foi a maior queda para o mês desde 2011 e também o terceiro resultado negativo seguido nessa base de comparação.

Tendo como referência abril de 2014, a queda é ainda mais drástica, de 7,6%. Nos quatro primeiros meses do ano a indústria já acumula queda na produção de 6,3%.

Os números foram divulgados nesta terça-feira (2/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). "Chama atenção o perfil disseminado. Todas as grandes categorias registram taxas negativas, com destaque para bens de capital", disse Macedo André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria IBGE. 

Bens de capital registraram queda de 5,1% na passagem de março para abril. Mas o que mais preocupa é que não se trata de um resultado pontual. Nos acumulado nos últimos 12 meses todas as grandes categorias registram recuo expressivos.

Bens de capital registram queda de 14,5% no período, seguido por bens duráveis (-14%), bens de consumo (-5,4%), bens intermediários (-3,0%) e semiduráveis e não duráveis (-2,6%). De maneira geral, no acumulado em 12 meses a indústria amarga queda de 4,8% na produção.

 

Na passagem de março para abril, 19, dos 24 ramos de atividade pesquisados, registraram resultados negativos. Nessa comparação entre meses, a maior queda aparece no ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias, que registraram queda de 2,5% no período. Com o resultado, os veículos registraram a sétima queda seguida no confronto com o mês imediatamente anterior.

Entre as cinco atividades que avançaram experimentaram crescimento na produção destacaram-se produtos do fumo (5,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustível (1,5%), indústrias extrativas (1,5%) e confecção de artigos de vestuário e acessórios (0,6%).

RECESSÃO  

O gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmou que o quadro industrial é de recessão com as queda significativa registradas em todos os indicadores industriais.

Castelo Branco afirmou ainda que o ritmo de demissões da indústria cresceu e que o quadro é "absolutamente desfavorável". Segundo os indicadores industriais divulgados nesta terça, o emprego apresentou queda de 1% em abril frente a março. "É o pior resultado para emprego na indústria desde 2009", constatou.

Segundo o gerente-executivo da CNI, se não houver mudança considerável no emprego industrial, haverá uma queda no indicador ao fim deste ano. "Quadro atual reflete os problemas da economia com a necessidade de reorganização macroeconômica", afirmou ele.

Outro ponto que preocupa da confederação é a contração do investimento. A CNI espera que este movimento aconteça de forma "muito forte". "Para melhorar o quadro precisamos de segurança e melhora do quadro econômico", ressaltou o gerente-executivo.

 

*com informações do Estadão Conteúdo

 



Setor interrompeu uma série consecutiva de sete trimestres de recuo na produção fabril, de acordo com a Fiesp. Em 2016, o recuo foi de 2,4%

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A taxa, que mede a evolução dos preços ao produtor, ficou positiva em 2,85% no acumulado de 12 meses

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O índice que mede a evolução da produção ficou em 54,8 pontos em março, um aumento de 10,4 pontos em relação ao registrado em fevereiro, de acordo com a CNI

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