São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Economia

Produção da indústria registra uma queda histórica
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O declínio de 9,1% na produção industrial em fevereiro ante igual mês de 2014 foi a mais intensa desde julho de 2009 e sinaliza difícil recuperação, segundo analistas

A produção industrial caiu 0,9% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE. Em relação a fevereiro de 2014, a produção caiu 9,1%. Nesta comparação, as estimativas iam de retração de 7,63% a 12,10%, com mediana negativa de 10,45%. No ano, a produção da indústria acumulou queda 7,1%. Em 12 meses, o resultado foi uma queda de 4,5%.

A queda de 9,1% na produção industrial em fevereiro ante igual mês de 2014 foi mais intensa desde julho de 2009, quando o recuo atingiu 10,0%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mesmo período, a queda na produção de bens de capital foi de 25,7%, o maior recuo desde abril de 2009, quando a redução foi de 27,4%, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física.

Como resultado, a indústria encerrou o primeiro bimestre do ano com uma queda de 7,1% na produção, o resultado mais negativo para a indústria desde 2009, quando as perdas registradas no período foram de 16,8%.

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou redução de 0,4% na passagem de janeiro para fevereiro. Na comparação com fevereiro do ano passado, houve recuo de 13,4%.

No acumulado do ano, a queda foi de 10,3%. Em 12 meses, houve redução de 4,6%. Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de fevereiro foi de redução de 0,4% ante janeiro, e recuo de 25,8% em relação a fevereiro de 2014. No ano, a queda ficou em 20,1%. Em 12 meses, a produção caiu 13,4%.

Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve redução na produção de 0,5% em fevereiro ante janeiro, e recuo de 8,9% na comparação com fevereiro do ano passado.

No ano, o resultado foi de redução de 6,9%. Em 12 meses, a queda foi de 1,7%. Para os bens intermediários, o IBGE informou que o indicador teve ligeira redução de 0,1% em fevereiro ante janeiro. Em relação a fevereiro do ano passado, houve recuo de 4,0%. No ano, o instituto observou queda de 3,2%. Em 12 meses, o recuo foi de 3,0%.

QUEDA DE CONFIANÇA

O desempenho desfavorável da produção industrial em fevereiro foi influenciado principalmente pela queda de bens de capital, na avaliação do economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Alves de Melo.

Segundo ele, o declínio nesta categoria corrobora o cenário macroeconômico atual de ajuste fiscal, de juros elevados, crédito apertado e confiança mais baixa, que está gerando menos investimentos. "Houve uma queda estúpida na comparação interanual (de 25,7%). Vários segmentos também tiveram recuo na margem", disse, citando como exemplo a retração de 0,4% de bens duráveis em fevereiro ante janeiro.

O economista observou que a queda no nível de confiança vem sendo disseminada por vários setores da economia, e não somente no industrial, que tende a continuar ruim. Neste ambiente, Alves de Melo não enxerga retomada do crescimento à frente.

"O nível de estoque permanece relativamente elevado, em patamares não confortáveis. A confiança está baixa e acaba atrapalhando. Os bancos estão segurando mais o crédito, tem o escândalo da Petrobrás que também atrapalha a retomada do crescimento. Consequentemente deve ter um consumo menor por produtos industriais", disse.



Pesquisa mostra que recursos aplicados pelas empresas nessa área ainda se encontram em patamares baixos

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...o movimento de melhora relativa do indicador da FGV abre apenas a possibilidade de uma redução no ritmo de queda dos investimentos produtivos nos próximos meses

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Em 12 meses, o resultado ficou em 6,99%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%

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