São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Economia

Preços administrados pressionam inflação em 2015, segundo a Focus
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Estimativa é que índice de preços estoure o teto da meta neste ano e só volte a diminuir em 2016, após período de ajustes na economia

Se há algo que ainda será difícil de corrigir neste ano de ajustes na economia é a inflação. Esta parece ser a percepção de analistas de instituições financeiras, que projetam uma disparada no índice oficial de preços antes que ele caminhe de volta ao centro da meta de 4,5%, como planeja o governo. 

Nesse processo de ajustes, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer modestamente, ou 0,38%. A expectativa é que o indicador volte a subir 1,80% em 2016. 

Isso é o que mostra o Relatório de Mercado Focus, resultado de pesquisa realizada semanalmente com analistas de instituições financeiras pelo Banco Central (BC). 

De acordo com as projeções, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar este ano em 6,67%, bem acima do teto da meta (limite máximo tolerado pelo BC de 6,50% ao ano). 

Na semana passada, a estimativa do Focus era de 6,60%. Há um mês, de 6,54%. 

No grupo de economistas que mais acertam as previsões – chamado de Top 5 – a projeção para o IPCA também está alta, de 6,60% para 2015, mas permaneceu a mesma desde a semana passada. Há um mês era de 6,40%.
 
Para 2016, os analistas que participam da Focus projetam a inflação oficial em 5,70%. O grupo dos cinco economistas que mais acertam estima que a inflação ceda para 5,60% no ano que vem. 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA subiria nos primeiros meses deste ano, mas avaliou que entraria em um período de declínio mais para frente e encerraria 2016 no centro da meta de 4,5%. 

É um prognóstico positivo para o médio prazo, mas as expectativas para a inflação para 12 meses à frente ainda estão estacionadas em 6,66%, segundo o Focus.

Para os participantes da Focus, não há mudanças na trajetória de alta da taxa básica de juros (Selic), que hoje está em 11,75% ao ano, para combater a inflação. 

A estimativa continua sendo de uma alta de 0,50 ponto percentual na Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), que começa amanhã e termina na quarta.

Para este ano, a expectativa também continua a mesma, de que a taxa termine o período em 12,50%. 

PRESSÃO DOS ADMINISTRADOS

O que deve colaborar para uma inflação ainda resistente é o aumento de preços administrados. Para os profissionais que participam do Relatório Focus, esse grupo de preços será um fator de pressão e deve fechar o ano com elevação de 8,20%. 

Na semana anterior, a projeção era de aumento de 8% e há um mês a mediana das estimativas apontava para uma alta de 7,60% em 2015.

Já para 2016, a expectativa é a de que a pressão para a inflação desse conjunto de itens seja menor. A estimativa passou de 6% na semana passada para 5,90% agora. 

De qualquer forma, o impacto dos preços administrados segue importante para a composição da inflação do ano que vem, já que a estimativa está muito mais perto do teto (6,50%) do que do centro (4,50%) da meta para 2016.

No caso da inflação no atacado, as expectativas mostraram certo alívio na Focus. O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) deve encerrar 2015 em 5,60%.

Na pesquisa anterior, realizada com aproximadamente 100 instituições financeiras, a taxa apontada era de 5,66% e, quatro semanas atrás, de 5,67%. Para 2016, a perspectiva é de uma alta de 5,50% desse indicador, apontada há 24 semanas.

Já o ponto central da pesquisa para o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de 2015 passou de 5,67% para 5,62% de uma semana para outra. No mês passado estava em 5,72%. 

Para o ano que vem, a expectativa é de que o principal índice de inflação referência para reajuste de aluguéis também suba 5,50%, de acordo com o boletim Focus, que registra esse patamar também há 24 semanas.

O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo) para 2015 mostrou um forte tombo na Focus desta semana ao passar de 5,50% para 4,96%. 

Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 5,23%. Para 2016, a inflação de São Paulo, conforme o mesmo levantamento aponta há sete semanas, deve ficar em 5,00%.

Com informações de Estadão Conteúdo. 



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