São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Economia

PIB per capita brasileiro terá primeira queda em seis anos
Imprimir

Pela primeira vez desde 2009, o Produto Interno Bruto per capita medido em dólares será reduzido de US$ 16,1 mil de 2014 para 15,9 mil neste ano, de acordo com projeção do FMI

O recuo previsto para 2015 tem como pano de fundo a expectativa da recessão brasileira. No início do mês, o FMI reduziu a projeção de crescimento do Brasil de 0,3% para uma queda do PIB de 1%.

A estimativa é um pouco mais otimista do que a feita pelos analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central. No último boletim, divulgado na semana passada, a aposta dos economistas é de uma recessão de 1,1%. Em 2009, ano da última queda do PIB per capita, a economia brasileira também registrou uma queda, de 0,2%.

"O esfriamento da atividade econômica e a economia retrocedendo trazem essa consequente redução do PIB per capita", afirma Otto Nogami, professor do Insper. Os dados apurados pelo FMI são medidos em Paridade do Poder de Compra (PPC) e, portanto, exclui os efeitos do câmbio. Ou seja, tornam possível a comparação entre países.

RENDA MÉDIA

Nos últimos anos, a economia brasileira tem tido dificuldade para acelerar o PIB per capita. A combinação do aumento dos preços das commodities no cenário internacional com o fortalecimento do mercado interno permitiu um crescimento acelerado da economia na década passada. O país se tornou uma nação de renda média.

Com o fim desse ciclo positivo, a economia brasileira passou a crescer menos, o que, consequentemente, impactou o resultado do PIB per capita.

A melhora ou piora do PIB per capita dos países ocorre por diversos fatores, como acumulação de capital físico e de capital humano - estoque de conhecimento. Há ainda o aumento da proporção de pessoas que trabalham na população e a eficiência da economia.

"Se analisarmos a decomposição da renda per capita no Brasil, o que puxou o crescimento até 2010 foi a melhora da eficiência da economia. O segundo elemento foi o fato de que o País estava aproveitando o chamado bônus demográfico, ou seja, a proporção de pessoas economicamente ativas em relação ao total da população aumentou e, por fim, o estoque de capital também vinha crescendo", afirma Clemens Nunes, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ao longo da história, existem exemplos clássicos de países que conseguiram acelerar o desenvolvimento. O mais tradicional é o da Coreia do Sul.

Em 1980, o PIB per capita da Coreia do Sul era de apenas US$ 2,2 mil, inferior ao do brasileiro para a época, que era de US$ 4,8 mil. Desde então, o rápido crescimento sul-coreano vai levar o país a ter um PIB per capita de US$ 36,6 mil em 2015, mais do que o dobro do brasileiro.

Diante das projeções de baixo crescimento econômico até o fim da década, o desempenho do PIB per capita brasileiro vai continuar decepcionando.

Em 2019, o FMI projeta que o Brasil vai ser superado até pela China. O PIB per capita brasileiro será de US$ 18,1 mil, e o chinês de US$ 18,5 mil. "É preciso acelerar o crescimento da economia, mas fazer os ajustes necessários. O País precisa trabalhar todo o conjunto de investimentos necessários para garantir o crescimento sustentável da renda", afirma Nogami.



É o que mostra um indicador do Ipea. Recuo de 2,6% indica continuidade do quadro recessivo no quarto trimestre de 2016

comentários

As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) passaram de retração de 3,49% para queda de 3,43%. Esta estimativa interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de projeções negativas no Relatório Focus

comentários

Recuperação somente será efetiva mediante o ajuste das contas públicas e continuidade da redução da taxa de juros pelo Banco Central

comentários