São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Economia

Pessimismo aumenta e inflação preocupa consumidores
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Quatro de cada cinco brasileiros estão pessimistas com a economia, segundo levantamento da FGV. É a 17ª rodada consecutiva da pesquisa que identifica piora no clima econômico

A percepção dos consumidores em relação à situação atual da economia voltou a piorar em junho e quatro a cada cinco brasileiros avaliam o momento corrente como ruim, de acordo com dados da Sondagem do Consumidor divulgada pela FGV (Fundação Getulio Vargas), nesta sexta-feira, 26. Já a perspectiva com o futuro melhorou um pouco, embora o número de pessimistas ainda supere o dos que aguardam melhora para os próximos meses.

De acordo com Emílio Alfieri, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), o dado dá continuidade a um processo de perda geral de todas as confianças - do consumidor, do empresário, da construção, e do comércio porque todas estão correlacionadas, e em declínio generalizado.  

“Isso decorre dos ajustes cambial, fiscal e monetário da economia brasileira. O fiscal ainda é o mais difícil – estão tirando as desonerações e aumentaram as tarifas - como água em 24% e energia em 55%.“

Segundo Alfieri, esses encargos drenam a renda disponível do consumidor, que de acordo com o último dado do IBGE diz que a renda do consumidor caiu 5%. “Ou seja, ele ganha menos e paga mais. Não sobra dinheiro para comprar à vista, e falta confiança para comprar a prazo”, diz Alfieri.

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SATISFAÇÃO DESABA

Após dois meses de estabilidade, o indicador que mede o grau de satisfação com a situação da economia local desabou em junho. A queda foi de 15,5% frente ao mês anterior, resultado que puxou o recuo de 1,4% na confiança do consumidor no período. Isso porque a proporção dos que avaliam o momento econômico como ruim atingiu 79,1%, o maior nível da série, iniciada em setembro de 2005. As análises positivas são apenas 4,2%.

As expectativas para o cenário econômico nos próximos meses, por sua vez, melhoraram pelo quarto mês consecutivo. O indicador de otimismo com a evolução da situação econômica nos seis meses seguintes subiu 2,5%. Mesmo assim, ele ainda se mantêm em nível muito baixo historicamente, destacou a FGV.

“A dificuldade para controlar os preços fez a equipe econômica reforçar o compromisso do governo com a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%. O CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu reduzir de 2 para 1,5 ponto porcentual a margem de tolerância da meta de 4,5% para 2017 - ou seja, o teto da meta passa a ser de 6%, e o piso, de 3%.” 

Alfieri diz que o pessimismo piora o clima da atividade econômica, mas por outro lado, pode ser considerado um “remédio amargo” para que a inflação possa retornar a meta do ano que vem.  

"E provavelmente, essa decisão vai requerer mais altas das taxas de juros do Copom, e não deve parar por aí. A perspectiva é de que as vendas irão desacelerar ainda mais, a confiança vai cair mais, e a partir do começo do ano que vem, a inflação deve começar a ceder e com isso, a Selic volte a cair moderadamente, e a confiança melhora. Mas, o caminho é ainda longo”, diz Alfieri. “Se isso não der certo, haverá consequências sociais, econômicas e políticas.”

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RECORDE DE PESSIMISMO

A proporção de consumidores que preveem melhora da economia cresceu de 17,1% para 18,1% entre maio e junho. Já a parcela dos que consideram que irá piorar caiu de 39,9% para 39,0%. "Este foi o 17º mês em que são registrados mais consumidores pessimistas do que otimistas com o rumo da economia nos seis meses seguintes. Antes deste período, iniciado em fevereiro do ano passado, o recorde havia sido de apenas seis meses, entre outubro de 2008 e março de 2009", disse a FGV.

Em junho, três das quatro faixas de renda acompanhadas pela instituição registraram queda na confiança, mas o resultado mais negativo veio das famílias com ganhos mensais acima de R$ 9,6 mil. Nessa faixa, o recuo foi o dobro da média, com baixa de 2,8%.

* Foto: J. F. Diorio/ Estadão Conteúdo

* Com informações do Estadão Conteúdo



A queda pontual da confiança do comércio em setembro caracteriza-se como um movimento de acomodação após forte alta no mês anterior, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas

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