São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Economia

Para Focus, preços e juros sobem, e economia cai mais
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Pioram as expectativas dos analistas para a inflação e a atividade econômica neste ano. Previsão é que a taxa de juros Selic suba para 12,75% ao ano nesta semana.

Pela nona vez, o relatório Focus traz uma estimativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país) para este ano. As projeções apontam para o aumento da inflação e dos juros. 

Segundo o documento semanal, a retração esperada é de 0,58% no PIB, ante a estimativa de queda de 0,50% na semana passada. Em outras palavras, isso representa uma piora do quadro recessivo para 2015. 

Para o próximo ano, a expectativa é mais otimista, com previsão de alta de 1,50% do PIB. Essas projeções, porém, tem acompanhado de perto a evolução da produção industrial.

Para o setor, os analistas consultados para o relatório esperam uma queda de 0,72%, maior do que expectativa de retração de 0,35% da semana passada. Em 2016, eles esperam que a indústria volte a crescer 2,40%. 

Por outro lado, as projeções para a inflação não param de subir. E isso também já elevou a expectativa para o fechamento da taxa de juros Selic neste ano. 

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015, a expectativa passou de 7,33% na semana passada para uma alta de 7,47% nesta semana. Há um mês, a estimativa era de 7,01%. 

A expectativa de que o Banco Central (BC) não entregará, portanto, a inflação de 2015 sem estourar o teto da meta de 6,50% também pode ser vista no grupo dos economistas que mais acertam, o Top 5. Para esses profissionais, o IPCA passou de 7,12% na semana passada para 7,51% nesta semana. 

Para o final de 2016, a projeção para o IPCA foi reduzida de 5,60%, patamar registrado por cinco semanas seguidas, para 5,50%. No Top 5, a projeção para a inflação no final do ano que vem caiu de 5,65% para 5,45%.

O BC trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano, mas conta com um período de declínio mais para frente, levando o indicador a ficar no centro da meta de 4,5% no encerramento de 2016. 

É no curto prazo que os preços mostram mais descontrole. Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo IBGE, os analistas esperam que o IPCA suba 1,07% em fevereiro. 

Para março, é aguardada uma pequena desaceleração da taxa, que deve ser de 0,95%. 

PRESSÕES CONTINUAM

Os preços administrados continuam pressionando a inflação. A projeção dos analistas é de alta de 11% neste conjunto de tarifas neste ano. Há uma semana, a expectativa era de um aumento de 10,40%. 

A estimativa continua acima da projeção mais recente feita pelo BC, de alta de 9,30% para esses preços. 

Para esta projeção, o BC explicou que considera a hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS. 

Além disso, o aumento de 3% no preço do gás de bujão, de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa e de 27,6% nos preços da energia elétrica, devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). As informações fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação de dezembro.

Já para o fechamento de 2016, a expectativa é a de que a pressão desse conjunto de itens seja menor, de 5,50%. Ainda assim, está acima da estimada pelo BC para o ano que vem que é de 5,1% ao ano. 

Desta forma, os analistas esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) suba a taxa básica de juros (Selic) dos atuais 12,25% ao ano para 12,75% ao ano na reunião que termina na quarta-feira (04/03). 

A projeção já constava no relatório da semana passada, mas os analistas que participam da pesquisa semanal do BC elevaram a estimativa para a taxa básica de juros no final de 2015 de 12,75% ao ano para 13% ao ano. 

Há um mês, a projeção estava em 12,50% ao ano. Para o encerramento de 2016, a expectativa foi mantida em 11,50% pela nona semana seguida. 

Na opinião do grupo Top 5, a Selic encerrará este ano em 13%, como já acreditavam esses analistas há seis semanas. Para o encerramento de 2016, esse grupo projeta agora uma taxa de 11,50%, maior do que a mediana de 11,38% ao ano da semana passada.



Em agosto, a taxa chegou a 321,1% ao ano, a maior na série histórica do BC, iniciada em julho de 1994, ante 475,2% do rotativo do cartão de crédito

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