São Paulo, 28 de Maio de 2017

/ Economia

Os negócios da quebrada - Entrevista com Renato Meirelles
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Presidente do instituto Data Popular e fundador do Data Favela

Quando começou a surgir mais empreendedores nas favelas?

Este processo não tem data definida. A favela era um território do desemprego e de empreendedorismo por causa do desemprego. Para sobreviver, ainda é forte nas comunidades este tipo de empreendedorismo. Agora, hoje, metade dos trabalhadores tem carteira assinada e os empreendedores começam a crescer por opção, até para aproveitar este mercado mais latente. Com a estabilidade da inflação, também aumentou o poder de compra nas favelas. 

O que diferencia o empreendedor da favela dos demais?

Na favela, a formalidade é menor, e o nível educacional é pior do que o do empreendedor que está fora. Mas, os empreendedores das comunidades se viram melhor em momentos de crise porque são mais safos, crescem na crise. Se um terço das pessoas que entrevistamos quer abrir negócio na própria favela é porque o mercado é pulsante.

A necessidade cria laços fortes entre as pessoas, que sabem com quem podem contar, é um ambiente seguro. O empreendedor prefere ser mais rico entre os pobres do que mais pobre entre os ricos.

O empreendedor da favela está vislumbrando que o futuro depende dele mesmo. A favela funciona dentro da lógica da reciprocidade, um ajuda o outro, uma mão lava a outra, na base da confiança. Ele sabe com quem pode contar, ele sabe a história de cada um. Para quem está fora, o ambiente pode ser hostil, mas, para quem está dentro, não, pois o empreendedor cresceu ali, é um território que dá segurança para ele.

Qual o impacto da atual situação econômica nesses empreendedores?

Nada tira mais dinheiro dos mais pobres do que a inflação. A inflação tem impacto, sim. Janeiro passado foi o pior de muitos anos. Mas, enquanto não começar a atingir o nível de emprego, o impacto estará sob controle. Por outro lado, 25% das pessoas nas favelas recebem o Bolsa Família.

 



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