São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Economia

Os negócios da quebrada - Entrevista com Luciana Aguiar
Imprimir

Sócia-diretora da Plano CDE, consultoria especializada em estudos das classes C, D e E

Por que aumentou o empreendedorismo nas favelas?

Dentro da população de baixa renda sempre existiu um grupo de pessoas que trabalha por conta própria. Nas classes D e E, essa proporção é de 30% e, na classe C, de 20%. Sempre existiu, portanto, o empreendedor por necessidade. 

O que existe hoje é um movimento importante das empresas e da sociedade que estão olhando com mais atenção para as oportunidades deste mercado, para ofertar os produtos. Este é um público que passou a ter maior visibilidade.

Por quê?

É um desafio entregar produtos e serviços para este público. Hoje, 85% da população brasileira moram em áreas urbanas, e a base da pirâmide está nas periferias de grandes centros ou em bairros onde o acesso é mais difícil. 

A oferta de serviços públicos nas favelas é irregular, muitas pessoas que moram nas favelas não têm endereço e, por causa disso, elas não possuem acesso a crédito.

As empresas da área de finanças, por exemplo, estão colocando correspondentes bancários nas favelas, empresas que trabalham com vendas diretas, recrutando revendedoras porta a porta.

Os empreendedores das favelas acabam sendo canais importantes de distribuição de produtos e serviços. As pessoas de alta renda de fora passaram até a ir visitar as comunidades e a utilizar os serviços oferecidos nessas comunidades.

A renda das pessoas na faixa dos 40% mais pobres aumentou cerca de 6% ao ano nos últimos anos. Isso mostra que existe um mercado consumidor importante nas favelas, e para esses empreendedores que moram lá as oportunidades de negócios ampliaram.

A oportunidade de ter negócio por conta para quem não tem emprego formal é evidente, e com o aumento da renda, você estimula ainda mais isso. É um círculo virtuoso.
 
O mix de produtos de um mercadinho, muitas vezes em um espaço pequeno, mostra o enorme conhecimento do consumidor, e a grande varejista, muitas vezes, tem dificuldade de fazer este desenho. Os empreendedores de comunidades conhecem as pessoas, sabem para quem eles podem dar a caderneta, dar acesso a crédito, pois conhecem bem o público.

Qual o impacto da inflação e do desaquecimento da economia neste grupo de empreendedores? 

O impacto será para o país como um todo, para todas as classes sociais. Só que este empreendedor chegou antes, ele conhece melhor o mercado, e pode até se sair bem.  

Qual é o principal desafio para os empreendedores das comunidades?

O empreendedor da favela tem conhecimento de causa, porém, tem menos apoio para tocar o seu negócio, menos acesso a crédito, assistência técnica, formação como empreendedor. Ele tem dificuldade para ganhar escala, e este será um desafio que ele tem de lidar, com as habilidades que ele tem. 



Movimento cresce com o fechamento de vagas, como alternativa para garantir renda

comentários

Programa Inova Capital receberá US$ 500 mil do Banco Interamericano de Desenvolvimento até 2017

comentários

Dona Ume (na foto) decidiu recomeçar aos 87 anos. Com a ajuda dos filhos, ela resgatou a plantação que herdou, e hoje é dona de uma fábrica de chá artesanal, em Registro (SP)

comentários