São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Economia

OCDE prevê que Brasil entrará em recessão em 2015
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Entre 11 países avaliados, o Brasil é o único a ter projeção pessimista, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O cenário leva em conta a queda de preço de commodities e crise interna

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) prevê que o Brasil entrará em recessão em 2015. 
A estimativa foi divulgada na manhã desta quarta (18), na atualização do cenário econômico da entidade, que reúne as principais economias desenvolvidas do planeta. 

De 11 países e regiões econômicas listadas nas previsões da OCDE, o Brasil é o único que deve ter contração neste ano. A previsão da entidade para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços do país) do Brasil em 2015 caiu de uma expectativa de alta de 1,5% - conforme divulgado em novembro de 2014 - para uma recessão com queda de 0,5%. 

Catherine Mann, economista-chefe da organização, diz que o Brasil sofre hoje dupla pressão negativa, que deve afetar seu crescimento em 2015: de um lado, a queda das commodities e a desaceleração da China tendem a reduzir a receita com exportações e a demanda por produtos brasileiros no exterior. 

De outro, o país sofre com problemas internos. "As perspectivas de curto prazo também estão sendo restringidas pelo aperto monetário e fiscal, além da incerteza política", afirma.

A economista citou a crise na Petrobras. "No Brasil, a dificuldade vem da falta de investimentos e a Petrobras responde por 10% dos investimentos no País. A queda do petróleo é um problema real para o Brasil", diz. 

A organização revisou as projeções para os demais emergentes. A expectativa é que a China cresça 7% este ano, 0,1 ponto percentual (p.p.) menos do que o estimado em novembro. 

Já a Índia deve avançar 7,7%, ou seja, 1,3 p.p. acima da projeção realizada em novembro. 

Para 2016, a estimativa para o Brasil também piorou e a aposta da OCDE de crescimento do PIB foi reduzida de 2% para 1,2%. Apesar de estar no campo positivo, a previsão para o País é a mais fraca do grupo de 11 economias. O Brasil deve crescer menos que a Itália (1,3%) e o Japão (1,4%) em 2016. 

Entre os emergentes, a China deve desacelerar para 6,9% e a Índia deve acelerar para 8% no próximo ano.
 

ECONOMIA MUNDIAL MELHORA

Enquanto as projeções são negativas para o Brasil, a perspectiva da economia mundial melhorou nos primeiros meses de 2015, como resultado dos preços de petróleo mais baixos e apoio oferecido por medidas adicionais de estímulos de bancos centrais, segundo a OCDE.

A entidade afirma que a dependência excessiva na política monetária, em relação ao crescimento, representa um perigo para a estabilidade no sistema financeiro, incluindo a elevada tomada de risco e crédito, além de taxas de câmbio que não refletem as circunstâncias econômicas fundamentais.

A OCDE diz que a apreciação do dólar contra outras moedas importantes está contribuindo para a baixa inflação na maior economia do mundo e pode enfraquecer o crescimento ao limitar as exportações. 

Assim, o grupo prevê que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) deverá postergar o aumento de juros até que haja sinais de que as economias da Europa estão se fortalecendo e de que o euro esteja pronto para ganhar terreno. 

Muitos economistas preveem que o Fed pode começar um ciclo de aperto monetário em junho. "A questão sobre quando o Fed vai sair do juro zero depende muito da possibilidade da Europa se recuperar", afirmou Catherine, em uma entrevista ao Wall Street Journal.

No primeira atualização das projeções para 2015, a OCDE prevê que as economias para as quais faz estimativas - que respondem por 70% da atividade mundial - cresçam 4% neste ano e 4,3% no próximo. 

Em novembro, a OCDE previa expansão de 3,9% e 4,1%, respectivamente. A OCDE manteve a previsão de crescimento dos EUA em 3,1% em 2015 e 3% em 2016.

A OCDE ressaltou que os bancos centrais que regulam as economias responsáveis por 48% da atividade global flexibilizaram suas políticas monetárias desde dezembro, oferecendo um impulso para o crescimento. A queda nos preços de petróleo também ajudou.

O Banco Central Europeu (BCE) é uma destas autoridades que relaxou a política nos últimos meses, ao ter lançado em 9 de março um programa de compras de ativos no tamanho de 1 trilhão de euros (US$ 1,06 trilhão). Grande parte das aquisições será feita em bônus soberanos e o programa durará até setembro de 2016.

Na avaliação da OCDE, o estímulo deve ajudar a impulsionar a atividade econômica e elevou as previsões para o crescimento da zona do euro. 

Em 2015, o bloco deve ter uma expansão de 1,4% e avançará 2% no ano seguinte, frente a estimativas anteriores de alta de 1,1% e 1,7%, respectivamente. Os números, em grande parte, estão em linha com as projeções do BCE.

Contudo, a OCDE disse que para a recuperação ser sustentável, os governos devem fazer pressão em direção a reformas e a um novo programa de investimentos em infraestrutura. "Isso não deveria ser visto como uma desculpa para os políticos ficarem sem fazer nada", diz Catherine.

 



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