São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Economia

O crédito está mais apertado para empresa e consumidor
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Pesquisa mostra que expectativa dos bancos é de redução na aprovação de operações neste primeiro trimestre. Oferta para grandes companhias deve diminuir

A percepção de que os bancos estão cada vez mais cautelosos na liberação de financiamentos se confirmou em uma pesquisa qualitativa feita pelo Banco Central (BC). A constatação é a de que caiu a expectativa dos bancos de aprovar crédito para consumidores e empresas até março ante os três últimos meses do ano passado. 

A pesquisa foi realizada junto a 46 instituições financeiras do dia 8 a 19 de dezembro e apresentada nesta terça-feira (10) em Porto Alegre por Tulio Maciel, chefe do departamento econômico do Banco Central. A perspectiva dos bancos em relação à oferta,  demanda e aprovação de crédito foi medida por um indicador, que varia de -2 (menos concessões) para +2 (mais concessões).

Segundo Maciel, a aprovação de crédito para grandes empresas está mais restrita neste começo de ano. Segundo o documento, o índice de aprovação sai de 0,08 no último trimestre para -0,29 nos primeiro trimestre deste ano.

O dado chama atenção porque mostra que a oferta deve cair 1 ponto para esse segmento no período do que a queda de 0,50 registrada no último trimestre de 2014. A demanda, ou a busca de crédito por parte dessas empresas, passaria de um índice de 0,13 para zero de um período a outro. 

Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) avalia que neste ciclo da economia é de se esperar redução no ritmo de consumo e de ajuste no capital de giro das pequenas empresas. 

“Para as grandes empresas, o que pode explicar a expectativa de menor oferta por parte dos bancos é a de que o risco percebido dessas companhias é maior”, afirma. Sem fazer uma inferência direta, o economista diz que os problemas de contratos de grandes empresas que estão no noticiário podem ter influenciado a percepção de risco nos bancos. 

Maciel, do Banco Central, disse que os dados não consideram a sazonalidade do primeiro trimestre, no qual há menor demanda e concessão de crédito na comparação com o fim de ano. 

Por outro lado, o estudo mostra que a busca por crédito diminuiu de tal forma que as condições para aprovação neste começo de ano tornaram-se menos favoráveis. Sob esse ponto de vista, as micro e pequenas empresas devem se destacar.

Segundo a pesquisa, o índice de busca de crédito por esse perfil de empresa caiu de 0,32 no último trimestre para -0,29 neste trimestre. A oferta dos bancos passou de um índice já negativo de -0,65 para -0,68. A expectativa é que aprovação de crédito para este segmento passe de um índice de -0,18 para -0,56. 

Tingas diz que a oferta para essas empresas quase não mudou. “Mas elas estão buscando menos dinheiro no banco porque estão reduzindo estoque e diminuindo o capital de giro. Assim como as pessoas físicas, elas têm menor estrutura patrimonial e poder de fogo para passar por esse período de baixa na economia”, afirma. 

CONSUMIDOR CAUTELOSO

Quem também está bem cauteloso é o consumidor. As condições de oferta para o crédito ao consumo melhoraram ligeiramente. De um trimestre a outro, passou de -0,05 para zero. A busca por crédito, por outro lado, diminuiu. O índice apontava -0,13 no último trimestre de 2014 e a expectativa é que fique em -0,30 neste início de ano.

No entanto, o índice de aprovação para o consumidor melhorou e passou de -0,18 para -0,09. “As condições de aprovação estão ligeiramente negativas, mas melhoraram um pouco em termos relativos de um trimestre a outro”, disse Maciel. 

No crédito habitacional, o índice de oferta deve permanecer em -0,22 enquanto a demanda deve ir de um índice de 0,22 a zero. Assim, o índice de aprovação passou de 0,22 para -0,22.

“A expectativa mostra uma demanda parada porque as famílias têm mais incerteza a respeito da possibilidade de perda do poder aquisitivo”, diz Tingas. 

Emílio Alfieri, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), avalia que os dados não surpreendem pois o consumidor já estava cauteloso. Índice da entidade mostrou uma queda de 11 pontos na confiança do consumidor em janeiro.

“Os bancos estão avessos ao risco e limitando concessões. O consumidor também não está procurando. Ambas as pontas estão evitando o crédito para evitar o risco de inadimplência”, afirma Alfieri.

Para o economista, o lado bom desse comportamento é que a inadimplência não deve sair do controle. “De certa forma, a sociedade está se preparando para um possível período de recessão. Mas será diferente de 2009 e de 2003, quando a inadimplência disparou”, concluiu. 

Alfieri diz que os grandes planos que necessitam de deverão ficar para 2016. “Neste ano, a palavra de ordem é a sobrevivência sem fazer planos que se transformem em dívidas. O que aparecer de oportunidade ou liquidação, o consumidor deve pagar à vista”, diz. 

 



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