São Paulo, 23 de Abril de 2017

/ Economia

Melhora nos indicadores da indústria ainda não representa recuperação
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De acordo com IBGE, crescimento de 0,3% em janeiro e fevereiro não é o suficiente para apontar saída da crise

O gerente de Análise e Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo, disse nesta terça-feira (04/04) que a melhora dos indicadores da indústria nos primeiros meses do ano é positiva, mas ainda não caracteriza uma tendência de recuperação. 

Macedo destacou que o crescimento de 0,3% da atividade industrial em janeiro e fevereiro mostra a retomada do dinamismo no setor. 
No entanto, sinais negativos nos indicadores de produção mantém a indústria em alerta. 

“A própria comparação interanual, que no mês anterior havia crescido 1,4%, interrompendo sequência de 34 meses de taxas negativas, voltou a registrar queda em fevereiro, com predomínio de resultados negativos nesta base de comparação”, afirmou Macedo. 

“De uma forma geral, há sim uma melhora no nível de estoque [de alguns segmentos], embora setores importantes, como o automobilístico, por exemplo, ainda estão com nível bem elevado”, disse o gerente.  

Apesar da cautela na análise, Macedo disse que é possível comemorar a melhora gradual nos indicadores de expectativa, tanto de empresários quanto de consumidores

“E a indústria acaba acompanhando, também refletindo este movimento, daí a estabilização e o crescimento mais gradual do setor”, disse. 

Segundo o Macedo, a demora na recuperação da indústria reflete o cenário de mercado de trabalho ainda bastante desfavorável, com aumento da taxa de desocupação.

RECUPERAÇÃO LENTA

Para os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a volatilidade exibida pela produção industrial, alternando meses de contração e de expansão, normais numa fase de transição, dificulta discernir uma tendência clara, que pode ser melhor apreciada na variação acumulada em 12 meses.

Nessa comparação, o recuo foi de 4,8%, inferior ao observado no mês anterior (-5,4%), sinalizando, segundo eles, arrefecimento da contração do setor. 

De acordo com os economistas da ACSP, a recuperação da produção industrial, assim como da atividade econômica em geral, deverá ser lenta, dependendo crucialmente, no caso da indústria, da evolução da taxa de câmbio, da continuidade do aumento da confiança dos empresários e de quedas maiores e mais intensas das taxas de juros, suficientes para estimular o mercado interno.

FOTO: Thinkstock



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