São Paulo, 28 de Junho de 2017

/ Economia

Melhora das vendas em janeiro não recupera perdas do varejo
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Queda de 4,9% no varejo em comparação com janeiro de 2014 é o pior índice desde 2003, informa IBGE

As vendas do comércio varejista cresceram em volume 0,8% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal, e 0,6% sem o ajuste, na Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na estimativa do varejo ampliado, que inclui os segmentos de material de construção e de veículos e motos, as vendas cresceram 0,6% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. 

Quando se trata do volume comercializado em relação a janeiro de 2014, no entanto, há um recuo de 4,5%, o pior resultado do varejo para o mês desde 2003. No varejo ampliado, a queda chegou a 4,9% no período, marcando um recorde negativo para a série histórica, iniciada em 2001.

De acordo com Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, "mesmo com alguns setores sendo beneficiados pelas promoções após o Natal, o resultado de janeiro está bem abaixo quando comparado com igual período de outros anos".

Houve expansão nas atividades de móveis e eletrodomésticos (2,4%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,4%); tecidos, vestuário e calçados (1,3%); e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%). O destaque do mês ficou para o segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (12,3%). O setor de combustíveis e lubrificantes permanceu estável.

Já o recuo nas vendas ocorreu no segmento de material de construção (-0,1%); veículos e motos, partes e peças (-0,5%); livros, jornais, revistas e papelaria (-0,6%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,7%).

Para o economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada, “o crescimento de 0,8% nas vendas do varejo restrito indica melhora parcial, após a queda de 2,6% em dezembro”. Os dados, segundo ele, também ajudam a atenuar o comportamento desfavorável das vendas do varejo ampliado. Ele aponta o desempenho das vendas em supermercados (0,3%) como um dos motivos da ligeira alta do mês.
 
A despeito de considerar que as vendas em supermercados podem continuar beneficiando o comércio, Baggi não considera um sinal positivo. O comportamento, afirmou, indica um deslocamento de demanda dos gastos com alimentação fora do domicílio para o setor, neste momento de inflação elevada.

"Já é um reflexo de alta dos preços e da piora da renda das famílias", avaliou. O economista disse não esperar melhora nas vendas do varejo como um todo em 2015. 

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, considerou o resultado de janeiro “uma surpresa positiva, mas longe de reverter o quadro de deterioração do comércio em 2015”. Embora inesperada, avaliou, “a alta acontece em cima de um número muito ruim em dezembro".

Na avaliação de Oliveira, os fatores que contribuem para a desaceleração do comércio varejista neste ano permanecem inalterados. Entre eles, o economista cita a cautela de consumidores e de banco na contratação e concessão de crédito, a menor confiança no crescimento da economia, a deterioração do mercado de trabalho, com redução de vagas e menor ritmo de alta dos salários. 



De acordo com os dados do IBGE, 642.138 postos de trabalho foram eliminados. O corte de vagas foi concentrado nos setores de vestuário, fabricação de veículos e fabricação de máquinas e equipamentos

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