São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Economia

Mau humor geral: piora a projeção para a inflação e crescimento. Índice de confiança cai
Imprimir

Projeções mostram inflação em um patamar mais distante do teto da meta do governo e crescimento da economia perto de zero. Confiança do consumidor é a menor desde 2005

Os ajustes na economia serão positivos para empresas e consumidores. Mas só em 2016. Para este ano, o conjunto de expectativas é bem pessimista, tanto para a inflação quanto para o crescimento da atividade econômica. 

Com as ameaças de escassez de água e energia, a confiança do consumidor foi a menor desde 2005, como mostra pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o relatório semanal Focus, do Banco Central, que traz as projeções de analistas de instituições financeiras, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode encerrar este ano em 6,99% e ficar aquém do teto da meta estipulado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que é de um limite máximo de 6,5%. 

A projeção para a inflação piora a cada semana. Há uma semana, a expectativa para o índice em 2015 era de 6,67% e há um mês, de 6,53%. 

A boa notícia é que os mesmos analistas que participam do relatório diminuíram a expectativa de inflação para 2016, de 5,70% para 5,60% naquele ano. 

No grupo dos economistas que mais acertam as previsões, chamado de Top 5, a estimativa para a inflação deste ano passou de 6,60% na semana passada para 6,86% agora. Há um mês estava em 6,40%. 

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, já afirmou em entrevistas que a inflação subiria no começo deste ano, mas que depois entraria em uma trajetória de queda para chegar ao centro da meta de 4,50%, em 2016. 

Para os analistas da Focus, no entanto, há pressão sobre todos os índices de inflação no curto prazo. Para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), a expectativa subiu de 5,60% para 5,64% neste ano. 

A estimativa para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) aumentou de 5,62% para 5,66% para 2015. 

A inflação medida pelo IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que corresponde aos preços de São Paulo, também teve uma projeção maior para este ano, de 5,50% no último relatório, ante 4,96% na semana passada. 

O relatório mostra que a inflação ainda será pressionada pelo aumento dos preços administrados.

Na coleta de dados da última semana, os analistas estimam que esse conjunto de preços suba 8,70% neste ano. Há um mês, esse percentual era de 7,80% para 2015.

Os preços administrados são regulados pelos governos federal, estadual ou municipal e não dependem de maior procura do bem ou serviço para subir. 

A projeção se deve aos ajustes que estão sendo feitos nos combustíveis, tarifas de transporte e energia elétrica. Outros itens que compõem esse grupo de preços são os planos de saúde e tarifas de água e esgoto.

Para 2016, a estimativa é que a pressão desse grupo sobre a inflação seja menor, com um aumento de 5,80%. 

De qualquer forma, o impacto desse conjunto de preços continuará sendo importante para a construção da inflação do ano que vem, já que a estimativa está muito mais perto do teto (6,50%) do que do centro (4,50%) da meta para 2016.

PIBINHO E CONFIANÇA BAIXA

Se a expectativa é de que a inflação suba para as alturas, para o crescimento da economia é de que chegará perto de zero.
O relatório Focus estima para este ano uma expansão de 0,13% para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos pelo país).

Na semana passada, a projeção era de um incremento de 0,38% para este ano. Há um mês, de 0,55%.
Para 2016, a expectativa é mais otimista, mas mesmo assim passou por uma forte deterioração esta semana. Agora é de um crescimento de 1,54%, mas na semana passada era de 1,80%. 

Depois da alta de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), na semana passada, participantes do relatório Focus não mudaram as projeções para essa variável. 

O relatório aponta que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,50%. Essa previsão de alta total de 0,75 ponto percentual em 2015 está no documento há sete semanas.

As expectativas para a economia, que já estavam baixas no ano passado, também vêm acompanhadas da queda da confiança do consumidor, que está preocupado ainda com a ameaça de outros eventos, como a falta de água e de energia elétrica. 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas, recuou 6,7% na passagem de dezembro para janeiro. O índice caiu de 96,2 pontos para 89,8 pontos, o menor nível da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

Embora o pessimismo do consumidor seja resultado de um longo período de deterioração da confiança, a piora recente pode ter sido motivada também pela preocupação com a falta de água e energia em algumas regiões do País, afirmou Tabi Thuler, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

"A piora na confiança tem motivação econômica, mas também tem influência de fatores não diretamente econômicos, como a preocupação com a falta de água e de energia elétrica", disse Tabi.

A economista lembra que a tendência de queda na confiança do consumidor começou em 2012.

"A gente acredita que tem certo desapontamento do consumidor com a extensão do período de baixo crescimento da economia. Continua a preocupação com a inflação, com o mercado de trabalho", disse.

Segundo a FGV, o pessimismo está disseminado entre os componentes do índice e também entre as faixas de renda familiar. 
A avaliação sobre o momento atual já vinha em mínimas históricas, mas, em janeiro, as expectativas também desceram ao menor patamar da pesquisa.

"A percepção que chega ao consumidor é de que o ano de 2015 ainda será difícil, de crescimento baixo, então essa preocupação com o mercado de trabalho se mantém", afirmou.

A pesquisadora lembra ainda que as medidas recentes de ajuste anunciadas pelo governo, como a alta dos juros, o encarecimento do crédito imobiliário e a elevação de impostos aumentaram a percepção de que a situação financeira das famílias ficará mais depreciada. "O consumidor avalia que a renda disponível está menor", completou.

*Com informações de Estadão Conteúdo



Índices de preços registraram inflação acima das expectativas no último trimestre, em intensidade inferior ao padrão sazonal, enfatiza relatório do Banco Central

comentários

Relatório trimestral do Banco Central prevê que a inflação, medida pelo IPCA deve ficar em 7,3% em 2016, ante 6,9% projetados em junho passado

comentários

A expectativa para os próximos 12 meses repetiu o mesmo resultado de agosto, de acordo com sondagem da FGV

comentários