São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Economia

Mau humor geral: piora a projeção para a inflação e crescimento. Índice de confiança cai
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Projeções mostram inflação em um patamar mais distante do teto da meta do governo e crescimento da economia perto de zero. Confiança do consumidor é a menor desde 2005

Os ajustes na economia serão positivos para empresas e consumidores. Mas só em 2016. Para este ano, o conjunto de expectativas é bem pessimista, tanto para a inflação quanto para o crescimento da atividade econômica. 

Com as ameaças de escassez de água e energia, a confiança do consumidor foi a menor desde 2005, como mostra pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o relatório semanal Focus, do Banco Central, que traz as projeções de analistas de instituições financeiras, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode encerrar este ano em 6,99% e ficar aquém do teto da meta estipulado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que é de um limite máximo de 6,5%. 

A projeção para a inflação piora a cada semana. Há uma semana, a expectativa para o índice em 2015 era de 6,67% e há um mês, de 6,53%. 

A boa notícia é que os mesmos analistas que participam do relatório diminuíram a expectativa de inflação para 2016, de 5,70% para 5,60% naquele ano. 

No grupo dos economistas que mais acertam as previsões, chamado de Top 5, a estimativa para a inflação deste ano passou de 6,60% na semana passada para 6,86% agora. Há um mês estava em 6,40%. 

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, já afirmou em entrevistas que a inflação subiria no começo deste ano, mas que depois entraria em uma trajetória de queda para chegar ao centro da meta de 4,50%, em 2016. 

Para os analistas da Focus, no entanto, há pressão sobre todos os índices de inflação no curto prazo. Para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), a expectativa subiu de 5,60% para 5,64% neste ano. 

A estimativa para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) aumentou de 5,62% para 5,66% para 2015. 

A inflação medida pelo IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que corresponde aos preços de São Paulo, também teve uma projeção maior para este ano, de 5,50% no último relatório, ante 4,96% na semana passada. 

O relatório mostra que a inflação ainda será pressionada pelo aumento dos preços administrados.

Na coleta de dados da última semana, os analistas estimam que esse conjunto de preços suba 8,70% neste ano. Há um mês, esse percentual era de 7,80% para 2015.

Os preços administrados são regulados pelos governos federal, estadual ou municipal e não dependem de maior procura do bem ou serviço para subir. 

A projeção se deve aos ajustes que estão sendo feitos nos combustíveis, tarifas de transporte e energia elétrica. Outros itens que compõem esse grupo de preços são os planos de saúde e tarifas de água e esgoto.

Para 2016, a estimativa é que a pressão desse grupo sobre a inflação seja menor, com um aumento de 5,80%. 

De qualquer forma, o impacto desse conjunto de preços continuará sendo importante para a construção da inflação do ano que vem, já que a estimativa está muito mais perto do teto (6,50%) do que do centro (4,50%) da meta para 2016.

PIBINHO E CONFIANÇA BAIXA

Se a expectativa é de que a inflação suba para as alturas, para o crescimento da economia é de que chegará perto de zero.
O relatório Focus estima para este ano uma expansão de 0,13% para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos pelo país).

Na semana passada, a projeção era de um incremento de 0,38% para este ano. Há um mês, de 0,55%.
Para 2016, a expectativa é mais otimista, mas mesmo assim passou por uma forte deterioração esta semana. Agora é de um crescimento de 1,54%, mas na semana passada era de 1,80%. 

Depois da alta de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), na semana passada, participantes do relatório Focus não mudaram as projeções para essa variável. 

O relatório aponta que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,50%. Essa previsão de alta total de 0,75 ponto percentual em 2015 está no documento há sete semanas.

As expectativas para a economia, que já estavam baixas no ano passado, também vêm acompanhadas da queda da confiança do consumidor, que está preocupado ainda com a ameaça de outros eventos, como a falta de água e de energia elétrica. 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas, recuou 6,7% na passagem de dezembro para janeiro. O índice caiu de 96,2 pontos para 89,8 pontos, o menor nível da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

Embora o pessimismo do consumidor seja resultado de um longo período de deterioração da confiança, a piora recente pode ter sido motivada também pela preocupação com a falta de água e energia em algumas regiões do País, afirmou Tabi Thuler, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

"A piora na confiança tem motivação econômica, mas também tem influência de fatores não diretamente econômicos, como a preocupação com a falta de água e de energia elétrica", disse Tabi.

A economista lembra que a tendência de queda na confiança do consumidor começou em 2012.

"A gente acredita que tem certo desapontamento do consumidor com a extensão do período de baixo crescimento da economia. Continua a preocupação com a inflação, com o mercado de trabalho", disse.

Segundo a FGV, o pessimismo está disseminado entre os componentes do índice e também entre as faixas de renda familiar. 
A avaliação sobre o momento atual já vinha em mínimas históricas, mas, em janeiro, as expectativas também desceram ao menor patamar da pesquisa.

"A percepção que chega ao consumidor é de que o ano de 2015 ainda será difícil, de crescimento baixo, então essa preocupação com o mercado de trabalho se mantém", afirmou.

A pesquisadora lembra ainda que as medidas recentes de ajuste anunciadas pelo governo, como a alta dos juros, o encarecimento do crédito imobiliário e a elevação de impostos aumentaram a percepção de que a situação financeira das famílias ficará mais depreciada. "O consumidor avalia que a renda disponível está menor", completou.

*Com informações de Estadão Conteúdo



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