São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Economia

IPCA chegará a 9%, e PIB cai 1,49%, prevê o relatório Focus
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Fechamento de vagas na Indústria de transformação influencia a piora, segundo o Banco Central; previsão de inflação é ligeiramente superior à da semana passada.

A inflação continua a galopar: após resultados acima das estimativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio e do IPCA-15 de junho os analistas consultados pelo Banco Central para o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira (29) elevaram suas previsões pela 11ª vez consecutiva. 

Nessa rodada, a estimativa do indicador para 2015 avançou para 9%, nesta semana, ante 8,97% na semana passada. Há um mês, a projeção estava em 8,39%. Por outro lado, as expectativas de suavização do índice 12 meses à frente foram reduzidas, com queda de 6,13% para 5,99%.

Para junho, a mediana das previsões subiu de 0,68% para 0,72%. Há um mês, eram de 0,40%.  Mas para julho, a estimativa do Focus aumentou de 0,40% para 0,41% de uma semana para outra.  

No Top 5 do grupo de economistas que mais acertam as estimativas, também não houve refresco nas projeções. Para 2015, a mediana das estimativas de inflação subiu de 8,83% para 8,92% - taxa maior que a projetada um mês atrás, que era de 8,79%. Já no caso de 2016, a previsão ficou estável em 5,21%, menor que a mediana da pesquisa geral, de 5,5%.  

No caso preços administrados, o patamar das projeções não para de subir no Focus. Para 2015, a taxa passou de 14,5% para 14,6%, a oitava revisão alterada para cima. Há um mês, a mediana estava em 13,9%. Para 2016, a expectativa no boletim Focus de hoje também avançou de 5,9% para 5,91%. Quatro semanas atrás, era de 5,8%.

Essas projeções são mais pessimistas que a do Banco Central. Segundo o último Relatório Trimestral de Inflação (RIT), divulgado semana passada, o BC revisou essa expectativa de 11% para 13,7% em 2015. Para 2016, porém, manteve a previsão de alta de 5,3% - mesmo valor do relatório anterior, apresentado em março.

A piora da projeção do BC considera variações ocorridas, até maio, nos preços da gasolina (9,3%) e do gás de bujão (4,3%) e previsões de redução de 3% nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 43,4% nos preços da eletricidade

RETRAÇÃO CONTINUA

Com mais uma semana de ajustes negativos nas planilhas, analistas dos setor privado estimam que o PIB de 2015 deve ter retração de 1,49%. A projeção é uma mediana do Relatório Focus divulgado nesta segunda (29) pelo Banco Central e está pior que a taxa de 1,45% da semana anterior. Essa é a sexta queda consecutiva na previsão. Porém, para 2016, a mediana das previsões passou de 0,70% para 0,50%. Há um mês, estava em 1%. 

Mesmo tendo revisado sua projeção para pior, de queda de 0,6% para 1,1%, o BC segue mais otimista que o mercado. No RIT da semana passada, o BC informa que a mudança se deve à piora na perspectiva da indústria, cujo PIB recuou de -2,3% para -3%. 

Segundo a autoridade monetária, a piora foi influenciada por impactos das reduções projetadas na indústria de transformação, de -3,4% para -6%, e para a produção e distribuição de eletricidade, água e gás, de -1,4% para -5,6%. Isso reflete o alta da participação de termoelétricas na oferta de energia e de redução do consumo de água no primeiro trimestre de 2015. 

Para o setor de serviços, o BC diz que até março via uma ligeira expansão de 0,1% em 2015, mas passou a projetar queda de 0,8%. Já no caso da produção industrial, o boletim Focus informa que a projeção passou de -3,65% para -4% em 2015. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana para o setor fabril era de -2,80%. Para 2016, a mediana segue estável em 1,5%.

Os analistas esperam que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB encerre 2015 em 37,3%. Na semana passada, a mediana estava em 37,9%. Para 2016, a projeção passou de 38,2% para 38,05%.

SELIC E DÓLAR 

Após algumas semanas sem alterações, o relatório Focus revelou a mudança já sinalizada por economistas para o comportamento da Selic em 2015. A mediana das projeções aponta que a taxa básica de juros vai encerrar o ano em 14,5% ao ano, ante os 14,25% previstos na semana anterior. Há um mês, a estimativa do boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 14%.  

A alteração reflete também o tom mais duro adotado pelo BC no último RIT divulgado na semana passada, quando o diretor de Política Econômica da instituição, Luiz Awazu Pereira, afirmou que o aperto na política monetária ainda não foi suficiente.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o Top 5 no médio prazo, não houve mudança para 2015: a Selic vai encerrar em 14,25%. Um mês antes, eles projetavam 13,75%. Para 2016, a mediana subiu de 11,56% para 11,75% ao ano. Quatro semanas, atrás a expectativa era de 12%.

Quanto ao mercado de câmbio, o Focus vem mostrando poucas alterações. Desta vez, a principal foi na projeção para o dólar no final do ano. De acordo com o documento do BC, a cotação da moeda americana estará em R$ 3,37 no encerramento de dezembro, ante perspectiva anterior de R$ 3,40.

Apesar disso, a cotação média do dólar ao longo de 2016 ficou estável em R$ 3,30, entre uma semana e outra. Quatro semanas atrás, estava em R$ 3,25. Já a mediana das estimativas para o dólar no fim de 2016 continua em R$ 3,20 pela nona vez consecutiva.

Para este ano, a mediana para o câmbio médio sofreu um leve ajuste para baixo, passando de R$ 3,09 para R$ 3,10. Há um mês atrás, estava em R$ 3,09.

Foto: Thinkstock



Em 12 meses, o resultado ficou em 6,99%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%

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Redução maior foi discutida na reunião do Copom, mas ainda depende da queda na resistência de alguns componentes do índice de preços, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BC

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Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

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