São Paulo, 18 de Janeiro de 2017

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IPCA-15 sobe 1,24% em março
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Indicador, que é uma prévia da inflação oficial, subiu 7,9% no acumulado de 12 meses, maior patamar desde maio de 2005. Economistas projetam IPCA de 8% neste ano

Apesar de desacelerar em março na comparação com fevereiro, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) atingiu o patamar de 7,90% no acumulado de 12 meses, maior resultado desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta mensal do IPCA-15 foi de 1,24% contra 1,33% em fevereiro. 

O indicador, que coleta preços do dia 16 de fevereiro a 15 de março, mostra uma prévia do resultado do IPCA oficial de março, que será divulgado no dia 8 de abril pelo IBGE. Para se ter uma ideia, o número fechado mensal de fevereiro foi de 1,22%. 

Economistas esperam que a inflação ainda suba neste mês e chegue a 8% neste ano, acima do teto da meta oficial do governo, que é de 6,50% ao ano.  

O resultado divulgado nesta sexta-feira (20) mostra que o IPCA-15 acumula alta de 3,5% no ano. Segundo o IBGE, as maiores pressões vieram dos grupos alimentação e bebidas, habitação, saúde e energia.  

Os preços de alimentação e bebidas subiram de 0,85% em fevereiro para 1,22% em março. O grupo habitação também veio acima, passando de 2,17% em fevereiro para 2,78% neste mês. A elevação nos preços de saúde e cuidados pessoais foi de 0,96% neste mês ante 0,39% em fevereiro.

Além dos impactos da energia elétrica, combustíveis e alimentos, o IPCA-15 de março teve pressões relevantes também dos itens seguro de veículos (3,01%), higiene pessoal (2,17%), ônibus intermunicipal (1,82%), ônibus urbano (1,39%), automóvel novo (1,37%), mão de obra para pequenos reparos (1,23%) e eletrodomésticos (0,94%).

PROJEÇÃO DE 8% EM 2015

Especialistas esperam que o índice continue subindo, principalmente pela influência dos preços administrados, segundo Flávio Serrano, economista-sênior do Besi Brasil. Devido a esses preços e, em especial, da alta de 26% no preço da energia elétrica, ele estima que o IPCA suba 1,40% em março. 

Para abril, Serrano diz que os preços administrados podem desacelerar e aliviar o IPCA. Ele projeta uma elevação de 0,60% para o IPCA no próximo mês. 

Segundo o economista, em abril começa o início de um período de desaceleração na alta dos preços. "Nós esperamos que a trajetória seja de desaceleração intensa até agosto", diz Serrano. Ele projeta alta de 0,45% do IPCA em maio e diz esperar que o indicador alcance um ritmo de alta de 0,30% nos seguintes: junho, julho e agosto.

Mesmo com a desaceleração importante na inflação até o meio do ano, ele prevê que em 2015 o IPCA deverá ficar entre 7,5% e 8%. "Esse percentual, de 8%, não é bom porque chama a atenção, deteriora o poder de compra dos consumidores. Mas este é um ano atípico," afirma o economista. Para 2016, ele espera que a inflação suba menos, ou 5,8%.

Fábio Silveira, diretor da GO Associados, também espera alta de 8% para o IPCA no acumulado do ano. Isso, por pelo menos mais quatro meses. De acordo com ele, são muitos os fatores que concorrem para a permanência da inflação em marcas elevadas. 

Uma razão, explica, é que o ritmo de alta nas taxas de inflação mensais começou no segundo semestre de 2014. E isso provoca a inércia, ou seja, carrega para a inflação atual os impactos dos aumentos passados.
 
Outro motivo que não contribui para a queda da inflação, listado por Silveira, é que o aumento da taxa básica de juros (Selic) - instrumento clássico de combate aos aumentos de preços pela diminuição da demanda - não está atuando no foco da pressão inflacionária atual. 

"O aumento dos juros não combate o efeito do aumento dos preços administrados e nem a alta de produtos agrícolas, que tem ocorrido em consequência de choques climáticos", diz o diretor da GO Associados.

Outro fator de pressão para a inflação é a alta do dólar. "Por um lado, os juros altos não combatem os efeitos dos reajustes de preços administrados. Por outro, a elevação exagerada do dólar, que será repassada para os preços dos produtos comercializáveis não duráveis e duráveis. Então é inescapável que tenhamos uma taxa de inflação podendo até superar os 8% no acumulado de 12 meses", afirma.



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