São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Economia

Infraestrutura e terceirização podem colocar o emprego nos trilhos
Imprimir

Especialistas afirmam que pacote de infraestrutura e terceirização podem criar um círculo virtuoso para a recuperação de empregos

De modo geral, o pacote de infraestrutura do governo é uma das esperanças para retomar o crescimento e o nível de emprego –inclusive entre as pequenas empresas.

Para o economista Evaldo Alves, professor da EAESP/FGV, a melhora do cenário está condicionada a esses investimentos, mas vale lembrar que eles dependem de projetos, licitações e aprovações que podem surtir verdadeiro efeito somente em 2017. E mesmo crescendo menos, o consumo não deve parar.

“As micro e pequenas empresas sempre crescem a reboque não somente do consumidor final, mas também das empresas maiores”, diz o professor. “Vivem de fornecer pequenas peças ou pequenos serviços para as médias e grandes, e o varejo se ocupa de distribuir esses produtos no mercado. Então, há uma perspectiva de retomada no médio prazo.” afirma.

A forjaria e estamparia Tecstam, por exemplo, já está de olho nessa hipótese. Esperançoso de que a economia comece a se recuperar e que a confiança seja resgatada, o sócio Humberto Gonçalves afirma que, mesmo com menos pedidos, a diversificação de clientes ajuda. "Eles vão da indústria ao varejo, por isso nos dão mais opções de mercado.”

Já para a Speciallitá, fabricante de esmaltes, o plano é intensificar o trabalho de campo da força de vendas e segurar um pouco o desenvolvimento de novos produtos.

“Primavera-Verão é época de aquecimento para o nosso setor. É quando o consumo aumenta” diz o gerente de marketing Orestes Polisel. “Não há tanta certeza ainda, mas a perspectiva é que o segundo semestre seja melhor.” 

Há até previsões de onde as contratações iriam recomeçar. O Índice Nacional de Confiança do Consumidor, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP/Ipsos), revelou que, pela primeira vez, as classes D e E da região Nordeste se mostraram as mais confiantes na economia.

Para Flávio Borges, executivo do SPC Brasil, pelo menos no médio prazo a intenção de contratar deve aumentar no interior e nessa região do Brasil. Segundo ele, isso reflete uma tendência de anos, já que o PIB dos Estados do Nordeste têm crescido mais proporcionalmente –por conta também do apoio de programas sociais.

“É uma dinâmica nova de um mercado em expansão, onde há uma marcha de consumidores que agora são incluídos e possuem contas bancárias. Isso dá margem para expandir não só as grandes, mas também as pequenas empresas de comércio e serviços.”

Mas será que a terceirização de mão de obra, à espera de votação no Senado, ajudaria na retomada do emprego, inclusive no caso das MPEs? Alves, da EAESP/FGV, afirma que sim: ao contrário da complexa legislação trabalhista em vigor, o formato daria mais agilidade na contratação e no desligamento de trabalhadores.

LEIA MAIS: Terceirização está nas mãos do Senado

Na opinião do especialista José Pastore, teoricamente a terceirização deveria expandir o emprego, já que as grandes empresas contratam as médias, que contratam pequenas, que por sua vez se valem das microempresas.

Mas, segundo afirma, o projeto original foi “mutilado” na Câmara, com a introdução de informações do tipo terceirizar “parcelas” de atividades. Ou jogar o cálculo das horas extras dos terceirizados para o contratante. Afirma Pastore:  

“São informações imprecisas e obscuras que só causam insegurança jurídica e podem redundar em milhões de ações trabalhistas. Se o Senado mudar e corrigir essas imperfeições, dá sim para expandir o emprego. Senão...” 

LEIA MAIS: Desemprego chega às micro e pequenas empresas



Levantamento do Seade revela que, em outubro, houve aumento da ocupação no comércio e na reparação de veículos automotores e motocicletas

comentários

É uma taxa recorde, segundo o IBGE. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.025, queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior

comentários

Esse era o volume de pessoas com potencial para trabalhar e sem emprego no 3º tri deste ano, segundo o IBGE. Cenário pessimista continua até o 2º tri de 2017, afirma FGV

comentários