São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Economia

Inflação oficial em 12 meses é a maior desde 2005
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Correção nos preços administrados levam IPCA a subir 1,22% em fevereiro e ritmo de alta deve continuar nesse semestre

Mais uma vez o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu acima das projeções de mercado. Em fevereiro, a alta foi de 1,22%, ante uma variação de 1,24% em janeiro, segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em fevereiro de 2014, o IPCA foi de 0,69%.
 
O resultado ficou acima do teto das previsões dos analistas ouvidos, que iam de uma taxa de 1,01% a 1,21%, com mediana de 1,08%. O relatório de mercado Focus havia projetado para o mês alta de 1,07%.
 
Assim, a inflação acumulada no ano foi de 2,48%, e o resultado em 12 meses ficou em 7,70%, a maior alta desde maio de 2005, quando ficou em 8,05% no período acumulado em 12 meses. É o segundo mês consecutivo que o IPCA fica acima do teto da meta de tolerância do governo, de 6,5%.
 
Para Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a inflação deve continuar subindo enquanto o governo corrige os preços que ficaram reprimidos no ano passado, como o da gasolina e da energia. Por isso, as janelas mensal e de 12 meses, observadas isoladamente, não são tão relevantes.

“O problema é a tendência. Ainda não foi concluído o processo de inflação corretiva e teremos mais uma rodada de aumentos no preço da energia. Somado a isso há pressões fortes no custo de alimentos por causa da seca. Vamos continuar tendo uma inflação de 12 meses se afastando ainda mais da meta”, diz.

Para o economista, a preocupação do Banco Central é que essa correção de preços não seja repassada a outros setores, e para evitar isso tem subido a taxa básica de juros. E isso só poderá ser observado daqui a alguns meses, e não ainda neste primeiro semestre.

“A recessão na economia, com a retração no emprego e na renda, vai fazer uma parte desse trabalho de segurar os preços, inclusive dos serviços, que subiram bastante nos últimos anos. A grande incerteza pela frente é o impacto da taxa de câmbio na inflação”, afirma.
 
A economista Adriana Molinari, analista de inflação da Tendências Consultoria, avaliou que o IPCA deve seguir acima de 1% em março e fechar 2015 com alta acumulada em 12 meses de 7,90%.
 
Segundo a economista, a inflação será pressionada pela disparada de 14,2% nos preços administrados. Os preços livres, nas projeções da Tendências, terão aumento acumulado de 6% este ano.

Adriana disse que alta de 1% estimada para março deverá ser reflexo dos aumentos extraordinários para a energia elétrica e ainda da adoção das bandeiras tarifárias no cálculo do consumo doméstico. "Com isso, o acumulado em 12 meses já deve superar os 8% em março".

IMPACTOS MAIORES
A aceleração do IPCA em fevereiro foi puxada pelos preços da gasolina, que subiram 8,42% em fevereiro, fazendo do item o principal destaque da inflação medida pelo IPCA.

A elevação refletiu o aumento nas alíquotas do PIS/COFINS, que entrou em vigor em 1º de fevereiro. Como resultado, a gasolina foi responsável por 25,41% da taxa de inflação no mês, uma contribuição de 0,31 ponto percentual (p.p.) para a variação de 1,22% registrada pelo índice.

Também sob influência do aumento nas alíquotas do PIS/CONFINS, o óleo diesel teve alta de 5,32%. Já o etanol ficou 7,19% mais caro. Os gastos com transporte cresceram 2,20%, maior impacto do grupo no mês, o equivalente a 0,41 p.p..

Além dos combustíveis (7,95%), as famílias tiveram de gastar mais com trem (3,10%), automóvel novo (2,88%), ônibus urbano (2,73%), metrô (2,67%), ônibus intermunicipal (1,68%), táxi (1,21%) e conserto de automóvel (1,20%).

Por outro lado, os preços de Alimentação e Bebidas desaceleraram o ritmo de alta na passagem de janeiro para fevereiro, saindo de 1,48% para 0,81%.
 
Os alimentos consumidos fora de casa subiram 0,95%, enquanto os consumidos em casa aumentaram 0,74%. Em fevereiro, o grupo contribuiu com 0,20 p.p. para a inflação de 1,22% registrada no mês, o terceiro maior impacto, atrás apenas de Transportes e Educação.

Apesar dos aumentos menores, alguns itens continuaram a pressionar o orçamento das famílias, como cenoura (14,41%), feijão-mulatinho (10,47%), cebola (9,92%), açaí (9,01%), farinha de mandioca (7,80%), feijão-fradinho (7,62%), hortaliças (7,52%) e tomate (7,43%).

A inflação de serviços ficou em 1,07% em fevereiro, abaixo da taxa de 1,22% registrada no mês. Em 12 meses, a inflação de serviços está em 8,57%, acima do IPCA acumulado no período, de 7,70%.

A queda de 23,81% nas passagens aéreas ajudou a manter a inflação de serviços no mês abaixo do patamar da inflação oficial em fevereiro. Também ficaram mais baratos hotel (-0,86%), seguro voluntário de veículo (-0,24%), estacionamento (-0,08%), e pintura de veículos (-0,46%).

*com Rejane Tamoto



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