São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Economia

Inflação na cidade de São Paulo é a maior desde 2003
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Índice poderá encerrar o ano em 5,30% por causa dos preços administrados. Relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que inflação brasileira é das mais altas

A inflação da capital paulista medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) foi de 1,62% no mês passado, a maior taxa mensal para a cidade de São Paulo desde janeiro de 2003, quando o indicador atingiu 2,19% refletindo a forte valorização do dólar. 

O alto percentual já era esperado pela Fipe por causa da pressão exercida pelos aumentos nas tarifas de energia elétrica e de combustíveis. Os preços administrados devem continuar influenciando o índice ao longo deste ano. 

André Chagas, coordenador do IPC da Fipe, afirma que isso fez com que a instituição elevasse a projeção da inflação da capital paulista deste ano, de 4,99% para 5,30%.

Ele disse que, no caso da energia elétrica, virão novas pressões, que não estão apenas vinculadas ao modelo de bandeiras tarifárias. 

O que deve influenciar o custo da energia nos próximos meses é uma definição, por parte da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), de uma incidência mais alta para PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) nas contas da Eletropaulo em fevereiro. 

"Será a maior desde 2005, quando começamos a incorporar este impacto ao IPC", diz Chagas.
Quanto aos combustíveis, a pressão está ligada ao retorno da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) aos preços da gasolina, bem com o aumento da incidência de PIS/Cofins para o combustível.

"Não estamos colocando na projeção eventuais impactos relacionados à questão da água", afirma Chagas, referindo-se ao atual momento de crise hídrica em São Paulo.

Em 2014, a taxa do IPC-Fipe foi de 5,20%. Nos últimos 12 meses até janeiro de 2015, a taxa ficou no nível de 5,91%. 

Para fevereiro, Chagas espera uma taxa mensal de 1,04%. Segundo ele, o mês será marcado por uma alta menor de itens do grupo Alimentação e um avanço maior dos preços de Habitação. Ele projeta variações positivas de 0,64% para o primeiro grupo e de 1,41% para o segundo.

Em janeiro, o grupo Alimentação avançou 1,57% (ante 0,47% de dezembro) e teve importante participação na taxa geral: de 0,36 ponto percentual (p.p.).

Só perdeu para o grupo Transportes, que apresentou alta de 4,15% (ante elevação de 0,31% em dezembro) e contribuiu com 0,72 p.p. de todo o IPC de 1,62%. No caso da Habitação, que subiu 0,41% em janeiro ante queda de 0,09% em dezembro, a contribuição para o IPC foi de 0,13 p.p.

Chagas reconheceu que o ambiente atual é inflacionário. Destacou, porém, que espera que os efeitos defasados da política monetária mais agressiva do governo federal tenham influência sobre a inflação no decorrer de 2015.

PARA OCDE, BRASIL TEM UMA DAS MAIORES TAXAS 

Quando se trata de inflação alta, o Brasil só perde da Argentina, Rússia e Indonésia. É o que mostra o relatório mensal da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgado hoje. 

O documento mostra que a taxa de inflação anual média brasileira em dezembro foi de 6,4%, contra 23,9% da Argentina, de 11,4% da Rússia e 8,4% da Indonésia. 

Apesar do alto patamar, de novembro a dezembro a inflação brasileira acumulada em 12 meses desacelerou de 6,6% para 6,4%, seguindo também a tendência de países desenvolvidos, que têm registrado baixos índices de inflação desde o início da recessão causada pela crise financeira global. 

A taxa de inflação anual média dos membros da OCDE caiu para 1,1% em dezembro de 2014, ante resultado de 1,5% no mês anterior. O índice foi o menor registrado desde outubro de 2009 e é reflexo da queda acentuada dos preços do petróleo e do fraco crescimento econômico global. 

Os preços relacionados ao segmento de energia, em termos globais, caíram 6,3% nos 12 meses encerrados em dezembro, desempenho significativamente pior que o verificado em novembro, quando houve recuo de 2,2% nos preços. A crise hídrica e problemas estruturais do Brasil tornam o preço da energia um dos vilões da inflação deste ano.

Com a exclusão das categorias voláteis de energia e alimentos, o núcleo da inflação na OCDE permaneceu estável, a 1,8% ao ano, em um indicativo de que os preços de outros bens e serviços ainda devem sentir o impacto da queda no petróleo. 

Dos 34 países membros da OCDE, 13 registraram deflação no período, dos quais apenas um não era europeu: Israel. 
Por outro lado, os países do G-20 como um todo registraram alta na taxa de inflação, que foi a 2,5% ao ano em dezembro, ante leitura anterior de aumento de 2,4%. No grupo dos G-7, a inflação passou de 1,3% a 0,8%.

A desaceleração na inflação atingiu os Estados Unidos (onde passou de 0,5% para 0,8%), o Reino Unido (de 1% para 0,5%), a Alemanha (de 0,6% para 0,2%) e a França (de 0,1% para 0,3%). 

Os baixos níveis de inflação têm levado os bancos centrais mundo afora à ação. Para estimular os preços e o crescimento econômico, já reduziram os juros a Austrália, a Índia, a Dinamarca e a Suíça. 

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, anunciou a extensão do seu pacote de compra de ativos, que deve superar 1 trilhão de euros nos próximos 19 meses. 

 



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