São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

/ Economia

Inflação em 2015 encosta em 9% no relatório Focus
Imprimir

O patamar dos preços administrados não para de subir e as projeções para a Selic alcançam 14,25% no ano

Depois dos resultados surpreendentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio e do IPCA-15 de junho, ambos acima das estimativas, analistas consultados pelo Banco Central para o Relatório de Mercado Focus elevaram mais uma vez suas previsões para o índice.

Pela 10ª rodada consecutiva, a estimativa para o indicador deste ano avançou de 8,79% da semana anterior para 8,97% agora. Há um mês, essa projeção estava em 8,37%.

Apenas no Top 5, representado pelo grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, houve refresco nas projeções para a inflação. Para este ano, a mediana das estimativas de 8,90% foi substituída pela de 8,83%. Está ainda, entretanto, maior do que a taxa aguardada há um mês, de 8,75%. No caso de 2016, houve estabilidade da previsão em 5,21%, menor do que a mediana apontada na pesquisa geral, de 5,50%.

O patamar das projeções para os preços administrados não para de subir. Para este ano, no relatório divulgado nesta segunda-feira, 22, a taxa passou de 14,00% para 14,50%. Há um mês, a mediana para esse conjunto de itens estava em 13,70%..

Segundo a mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), esse conjunto de itens apresentará elevação de 12,7% este ano, e não mais de 11,8% como constava na edição anterior. No documento de março, a estimativa era de 10,7%. A ata mais recente do BC revela que, para estimar a elevação dos administrados, a instituição considerou uma alta de 41% na tarifa de energia elétrica este ano.

Na edição de maio, a previsão era de 38,3%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê agora uma queda de 4,4% ante baixa de 4,1% da ata anterior. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 9,1% do preço da gasolina (antes estava em 9,8%) e de alta de 3% do preço do botijão de gás, substituindo um previsão de aumento de 1,9% na ata anterior. Uma nova rodada de mudanças para os preços administrados poderá ser vista no Relatório Trimestral de Inflação, que o BC divulgará na quarta-feira, 24.

PIB MENOR

Com mais uma semana ajustes negativos nas planilhas, analistas do setor privado passaram a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,45%. Está pior do que a taxa de 1,35% calculada na semana passada. Há quatro semanas, a mediana era de -1,24%.

Para a produção industrial, a estimativa de queda de 3,20% em 2015 foi substituída no boletim Focus para baixa de 3,65%. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%.

Os analistas esperam que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB encerre 2015 em 37,90%, mesmo patamar de quatro edições atrás do boletim Focus. Na semana passada, a mediana estava em 37,95%.

Em relação à taxa básica de juros a mediana das projeções aponta que encerre 2015 em 14,25% ano ante taxa de 14,00% vista até a semana passada. Há um mês, a estimativa observada no boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 13,75% ao ano.

A expectativa pela mudança se dá desde a decisão da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o ritmo de alta dos juros em 0,50 ponto porcentual e, principalmente, após a divulgação da ata desse encontro, considerada conservadora.

Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. Com a mudança, a taxa média para 2015 passou de 13,50% ao ano par 13,63% aa. Quatro semanas antes, essa taxa média estava em 13,38% ao ano.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o Top 5 no médio prazo, a mudança para 2015 foi no mesmo sentido: a Selic vai encerrar em 14,25% ao ano ante projeção anterior de 13,75%, a mesma vista também há um mês.

DÓLAR A R$ 3,40

O relatório vem mostrando poucas alterações para o mercado de câmbio. Desta vez, a principal foi na projeção para o dólar no final do ano que vem. De acordo com o documento, a cotação da moeda americana estará em R$ 3,40 no encerramento de dezembro ante perspectiva anterior mantida por 10 semanas de R$ 3,30.

Com isso, a cotação média do dólar ao longo de 2016 passou de R$ 3,27 para R$ 3,30. Quatro semanas atrás estava em R$ 3,25. Essa alta da cotação média nas últimas semanas já indicava que uma mudança nas projeções para o fim do ano iria ocorrer.

Já a mediana das estimativas para o dólar no encerramento de 2015 continuou em R$ 3,20 pela oitava vez seguida. Para este ano, a mediana para o câmbio médio sofreu um leve ajuste para baixo, passando de R$ 3,10 para R$ 3,09 - um mês atrás estava em R$ 3,07.

*Ilustração: Thinkstock



Redução maior foi discutida na reunião do Copom, mas ainda depende da queda na resistência de alguns componentes do índice de preços, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BC

comentários

Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

comentários

Com o resultado, o índice medido pela FGV acumulou alta de 6,02% no ano e avanço de 7,05% em 12 meses

comentários