São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Economia

Inflação de janeiro é a maior em 12 anos
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Índice acelerou para 1,24% no mês passado por causa dos ajustes nos preços de alimentos, energia, transportes e combustíveis. Estimativa é que alta continua em fevereiro, agravada pela seca

Os aumentos nos preços de importantes itens na cesta dos consumidores, como a tarifa de energia elétrica, transportes, combustíveis e alimentação ajudaram a puxar para cima a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em janeiro, a alta foi de 1,24%, a maior taxa desde fevereiro de 2003, quando o aumento mensal foi de 1,57%. Para se ter uma ideia, a elevação foi de 0,78% em dezembro. 

No acumulado em 12 meses, a inflação ficou em 7,14%, a maior desde setembro de 2011, quando era de 7,31%. Joaquim Levy, ministro da Fazenda, não quis comentar os resultados do índice no seu primeiro mês no cargo.

Os aumentos nos preços administrados, de impacto no IPCA, fazem parte das medidas de ajuste das contas do governo.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), instituição que apura o IPCA, os gastos com alimentação, transportes e habitação pesaram mais no orçamento das famílias em janeiro e foram responsáveis por 85% da inflação do mês. 

O grupo Alimentação e Bebidas passou de alta de 1,08% em dezembro para 1,48% em janeiro, o maior impacto entre os grupos para o IPCA. 

Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, disse em coletiva de imprensa que a estiagem exerceu uma das principais pressões sobre a inflação do mês passado. 

"A seca atingiu mais o índice pela gravidade do problema que o Brasil está passando. Além de prejudicar os alimentos, a agricultura, a pecuária, a falta de chuva também fez com que a energia elétrica passasse a ser um problema para o País. Aumentou o preço (da energia) e, como consequência, o IPCA veio forte", disse. Ela lembrou que a conta de luz ficou 8,27% mais cara em janeiro, item de maior contribuição para a inflação do mês.

SEM ALÍVIO EM FEVEREIRO

Para este mês, a perspectiva ainda não é positiva. Segundo Eulina, a inflação deve vir pressionada principalmente por causa dos reajustes de bens e serviços monitorados e dos aumentos nas mensalidades escolares. 

O IPCA de fevereiro absorverá impactos de reajustes de energia em São Paulo. E também os efeitos residuais de aumentos das tarifas de ônibus urbano em Recife, São Paulo e Fortaleza, além do táxi em Salvador. Outro fator que vai entrar na conta será os aumentos do ônibus intermunicipal, trem e metrô em São Paulo.

Outras pressões previstas sobre a inflação virão do aumento de 14,23% na taxa de embarque de passagens aéreas a partir de 14 de fevereiro. Eulina disse que o índice vai trazer o repasse da elevação de impostos sobre os combustíveis, dos aumentos dos cigarros (de 7,5% a partir de 12 de janeiro) e dos reajustes de mensalidades escolares.

"Os meses de fevereiro são tradicionalmente pressionados, que é quando o IPCA apropria os reajustes das escolas. Os reajustes das escolas não são diluídos ao longo do ano, eles são concentrados em fevereiro. Além disso, tem o aumento de impostos da gasolina", disse. 

O IPCA de fevereiro deve vir ainda com influência do sistema de bandeiras tarifárias sobre as contas de energia elétrica, já que, assim como janeiro, o mês terá a bandeira vermelha, repassando ao consumidor o gasto maior pelo acionamento de usinas térmicas. 

"Ainda temos que acompanhar a história da bandeira tarifária que pode sofrer um novo reajuste, mas em fevereiro ela continuará vermelha", afirmou.

A coordenadora do IBGE acredita que a estiagem contribuiu para que a taxa do IPCA acumulada em 12 meses ficasse acima de 7% pela primeira vez desde 2011. 

Quanto à manutenção desse patamar em fevereiro, Eulina avalia que depende das condições climáticas. 
 “Durante o ano de 2014, a taxa (em 12 meses) girou em torno de 6,5%, e agora passou para 7%. Daqui por diante, tudo vai depender da continuidade ou não desses fenômenos climáticos que são totalmente imprevisíveis", disse.

 

 



Porém, no acumulado do ano, o valor supera o registrado em 2015. A informação é do Dieese, que diz que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades das famílias seria R$ 3.940

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Com o resultado, o índice medido pela FGV acumulou alta de 6,02% no ano e avanço de 7,05% em 12 meses

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As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) passaram de retração de 3,49% para queda de 3,43%. Esta estimativa interrompe uma sequência de oito semanas consecutivas de projeções negativas no Relatório Focus

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