Economia

IGP-M sobe 0,47% em setembro, mas acumula deflação em 9 meses


No mês, os preços dos produtos agropecuários no atacado aceleraram fortemente e se aproximaram da estabilidade


  Por Estadão Conteúdo 28 de Setembro de 2017 às 08:38

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) continuou a acelerar o ritmo de alta em setembro ao subir 0,47%, após 0,10% em agosto, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (28/09).

Em 12 meses, o indicador seguiu em queda, acumulando retração de 1,45%, assim como no ano, em que a deflação é de 2,10%.

Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA-M voltou a subir (0,74%) após sete meses de queda. Em agosto, o recuo foi de 0,05%.

Já o IPC-M voltou a cair (0,09%) depois de ter elevação de 0,33% no mês passado. Na mesma base de comparação, o INCC-M desacelerou para 0,14% em setembro, ante 0,40% no oitavo mês do ano.

IPAs

Os preços dos produtos agropecuários no atacado aceleraram fortemente e se aproximaram da estabilidade em setembro. O IPA Agrícola registrou queda de 0,04% depois de cair 1,61% em agosto, informou a FGV.

Na mesma direção, os preços industriais medidos pelo IPA Industrial aumentaram o ritmo de alta para 1%, de 0,48% no mês passado.

Todos os estágios de produção também avançaram no período. As matérias-primas Brutas subiram 1,81% após alta de 1,04% em agosto.

Os Bens Intermediários aumentaram 0,62% em setembro, de queda de 0,08% no mês passado. Já os Bens Finais tiveram alta mais modesta, de 0,02%, depois de cair 0,85% no mês anterior.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) voltou a subir depois de sete meses de recuo, atingindo taxa de 0,74% após 0,05% em agosto. Em 12 meses até setembro, o IPA acumula retração de 3,88% e tem deflação de 4,53% no ano.

PROJEÇÃO PARA O FIM DO ANO

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), não se arrisca a dizer que o indicador vai superar a taxa de setembro, apesar da pressão esperada no varejo e nos itens agrícolas no atacado, porque há chance de os combustíveis desacelerarem no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPA).

Isso deve acontecer se os furacões no Caribe não voltarem a prejudicar a produção norte-americana de petróleo. Dessa forma, os produtos industriais, com maior peso no índice, podem desacelerar o aumento de 1% alcançado este mês. Em agosto, a taxa fora de 0,48%.

O economista ainda ressalta que, mesmo com o avanço esperado no curto prazo, muito provavelmente o IGP-M vai terminar o ano em queda, já que acumula deflação de 2,10% em 2017 e de 1,45% em 12 meses. Ele estima que o recuo deve ser da ordem de 0,5%, mas o relatório Focus já prevê declínio de 0,84%.

De qualquer forma, Braz afirma que a queda esperada para taxa fechada do ano deve ser mais um fator a contribuir para que a recuperação econômica não seja acompanhada de pressão inflacionária, pelo menos até o fim do ano que vem. "A indexação de contratos, como o aluguel, será menor. Além disso, o IGP-M é um dos índices considerados no momento do reajuste de tarifas públicas, diz Braz.

Outra razão citada pelo economista em sua estimativa de ausência de pressão inflacionária no ano que vem é a expectativa de clima favorável, que deve permitir que os preços de alimentos sigam comportados no ano que vem. "Os fenômenos climáticos, como o El Niño e La Niña, devem ser mais amenos em 2018", explica, completando que, portanto, o País deve ter nova safra boa, permitindo taxas baixas para Alimentação, embora não mais negativa.

Braz prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve fechar perto de 4% em 2018. Este ano, a inflação oficial deve ficar menor de 3%, segundo ele, com a principal influência da queda intensa dos preços de produtos alimentícios.

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 16h40