São Paulo, 26 de Maio de 2017

/ Economia

Focus sinaliza inflação nas alturas e queda do PIB
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Relatório semanal com analistas de instituições financeiras traz projeção pior para escalada de preços e crescimento da economia. Preços administrados continuam a pressionar a inflação

Depois de considerar a expectativa de recessão no relatório da semana passada, o relatório Focus mostra que piorou a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos pela economia), que passou de queda de 0,42% para 0,50%. 

A expectativa está em linha com a do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, que é de queda de 0,50% do PIB neste ano. 

Após evento realizado na manhã desta segunda-feira (23/02), com o ministro Joaquim Levy, na Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB), Octávio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, disse que aguarda a revisão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o PIB para revisar a projeção deste ano.

“O número negativo está sujeito à revisão, dependendo da série do IBGE (até 2014). Para a inflação, nosso número é de 7,5% para este ano e de 5,20% para 2016”, diz. 

A inflação será a principal vilã da economia neste ano. Para o Depec, do Bradesco, tal patamar levará a taxa básica de juros (Selic) para 13% no fim deste ano. 

O relatório Focus mostra que a projeção para a Selic de 2015 não mudou e permaneceu em 12,75% de uma semana para outra. Para 2016, a expectativa foi mantida em 11,50%. Para o grupo dos analistas que mais acertam as projeções, o Top 5, a Selic deve encerrar este ano em 13%. A estimativa para o próximo ano é de 11,38%. 

A expectativa tanto de analistas da Focus, quanto do Depec do Bradesco é a de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.) na reunião da próxima semana, levando a taxa de juros dos atuais 12,25% ao ano para 12,75% ao ano. 

Os analistas do Focus também elevaram a estimativa para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para o fim deste ano. A projeção desta semana é de 7,33%, acima dos 7,27% estimados da semana passada e bem longe do teto da meta (limite máximo tolerado) de 6,50% ao ano. 

O Top 5 manteve a projeção para o IPCA em 7,12% para este ano, assim como na semana passada. Para 2016, a expectativa deste grupo é que a inflação encerre o ano em 5,60%. 

O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA no curto prazo, mas espera que o indicador atinja o centro da meta de 4,5% ao ano no fim de 2016. 

Por enquanto, os preços devem mostrar um certo descontrole. Depois da alta de 1,24% de janeiro, os analistas preveem que o IPCA suba 1,04% em fevereiro. Na semana anterior, a projeção deles era de 1,02% e um mês antes, 1%. Para março, é aguardada uma pequena desaceleração da taxa, que deve ser de 0,79%. 

A aceleração do IPCA deve ser impulsionada pela alta dos preços administrados, como os de tarifa de energia, água, gás, combustíveis e transportes. Para o Focus, esse conjunto de itens deve subir 10,40% neste ano. Na semana passada, a expectativa era que a alta fosse de 10%. Há um mês, esperava-se alta de 8,70%, estimativa que vem sendo revisada para cima há 11 semanas. 

Para 2016, a expectativa que os preços administrados subam 5,50% ao ano, uma projeção mais pessimista do que a divulgada pelo Banco Central na ata da última reunião do Copom, que é de 5,1% no próximo período. 

Já para os demais índices de inflação não houve piora nas expectativas. Para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), a projeção é de 5,75% este ano, contra estimativa de 5,81% na semana passada. 

Para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), a projeção ficou estacionada em 5,81%, na comparação com a semana passada. O mesmo comportamento os analistas tiveram em relação ao IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor), para o qual a expectativa é a mesma: de 6,47% neste ano. 

Depois de engatar alta nas negociações atuais, o dólar chegou a R$ 3,00 na expectativa do relatório Focus para 2016.Há uma semana, a projeção para a taxa de câmbio era de R$ 2,93 e há um mês, de R$ 2,90. Para o fechamento deste ano, os analistas mantiveram a estimativa de R$ 2,90. 

* Com informações do Estadão Conteúdo



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